RESENHA PARALELA | “Todo Seu” – Sylvia Day


Autora: Sylvia Day
Editora: Paralela
Páginas: 256
Classificação: 4/5 estrelas

Resenha com spoilers!

Como fã, trabalhando todos esses anos na divulgação, às vezes cheguei a ficar saturada de informações sobre a série e por esse motivo falei para mim mesma que iria ler o 5º livro com a mente bem aberta, sem ficar imaginando este ou aquele fim, queria pagar para ver.

Vou dispensar uma explicação sobre a história, porque se você chegou até aqui e ainda não sabe quem são Gideon Cross e Eva Tramell, indico procurar informações sobre Toda Sua. Mas vamos ao que eu achei.

Assim que comecei a ler, não sabia ao certo o que pensar das ações da Eva, ela parecia determinada, querendo mostrar ao que veio, mas com aquele ar de impulsividade de quem vai meter os pés pelas mãos, só que no decorrer do livro acabei por me deparar com uma Eva que se esforça para amadurecer ao mesmo tempo em que lida com situações que a forçam a isso de uma forma bem cruel.

Mas o foco desse livro é sem sombra de dúvida o Gideon; Eva teve quatro livros para falar sobre seus sentimentos, e apesar de algumas coisas nunca mudarem — como seu ciúme exagerado -, ela percorreu um grande caminho invisível nas páginas não escritas que falam de quando ela vivia em San Diego e fazia terapia.

A questão aqui não é mais só Gideon Cross. Nem Gideon Cross e sua esposa. Somos Gideon e Eva Cross, e você precisa me deixar mostrar isso para o mundo.

Como a própria autora ressaltou algumas vezes, o caminho de Gideon Cross é longo, ele passou por muita coisa desde a infância, e aquilo foi se acumulando dentro dele, prestes a explodir, e é então que Eva entra em cena para ajudá-lo a esvaziar isso aos poucos. Em Todo Seu, vemos um Gideon muito mais aberto as emoções, alguém que luta com outros e consigo mesmo para provar que é digno de amar e ser amado.

O abuso sexual era um assunto íntimo e pessoal, mas que de alguma forma tinha que ser exposto. Não era um segredo sujo e vergonhoso a ser escondido dentro de uma caixa. Era uma verdade horrenda, e as verdades — por natureza — precisam ser expostas à luz do sol.

Eu amei todas as cenas em que ele está na terapia com o Dr. Petersen, todo o esforço para amadurecer seus sentimentos, foi adorável. E preciso destacar a forma como o casal finalmente começa a dar uma abertura para os amigos e a família, estourando a bolha GidEva. Mas não posso deixar de destacar que muitas vezes senti a trama meio parada em seu início, casamento isso, casamento aquilo, o excesso de seguranças deles que é maior até que o dos Obamas me irritou um pouquinho, mas aos poucos fui vendo os nós sendo amarrados, como a história com os Lucas que finalmente fez sentido para mim de uma forma que não havia feito nos outros livros.

E ainda que em minha mente todos os personagens tenham ganhado um rumo, isso não significa exatamente que é mostrado no livro como está cada um deles, afinal é uma história narrada em primeira pessoa. Há também o problema de que em quatro meses não se resolve tudo, os problemas não somem como fumaça, então sim, algumas pontas ficaram soltas.

Como seu antecessor, este livro tem bem menos cenas de sexo (o que eu gostei, me processe), o que denota a intenção da autora em focar mais no enredo. É claro que tem Gideon Moreno Perigoso mostrando a que veio ao mundo em várias páginas, mas não parece tanto que ele come Sucrilhos Sabor Viagra como antes.

Ele ficou me encarando. “Você tem uma fantasia sexual na qual eu sou virgem?” Foi preciso muito esforço para não rir de sua incredulidade. “Em todos os sentidos” , respondi, na maior seriedade. “Você nunca viu uma mulher nua antes de eu aparecer. Tenho que mostrar como me tocar, do que eu gosto. Você aprende rápido, mas tenho um homem selvagem nas minhas mãos. E insaciável.”

Voltando ao que interessa, o que me deixou bem apreensiva foram os últimos capítulos (spoiler dos grandes já aviso).

Um personagem, que não é a Eva, nem o Gideon, claro, MORRE! Achei toda essa parte maravilhosa, super bem escrita e desenvolvida, apesar de chocante e triste, foi um desenrolar de fatos que eu não estava esperando, mas essa situação teria sido muito melhor colocada no 3º ou 4º livro, onde daria para trabalhar mais todo o ocorrido do que colocando isso no fim do livro, o que acabou pesando novamente a história, e no momento errado — esse provavelmente é o ponto de discórdia entre os leitores, a parte que causa a decepção com este livro. Não era necessária a abertura desse enredo, com tantas outras coisas para serem construídas ou finalizadas.

Não me incomodei pela forma como a Eva lida com o luto, cada um tem uma forma te passar pelos cinco estágios do luto, negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Creio que a Eva passou primeiro pela negação e o Gideon pela barganha.

A passagem de tempo nos cinco livros é de apenas quatro meses (como já citei anteriormente), um tempo bem curto onde acontecem uma infinidade de coisas, o epílogo é bem romântico, apesar de uma cena de sonho desnecessária. Nele também poderia ter havido uma visão do futuro do casal, o que fez falta.

O livro deixa aquele ar de quero saber mais, deixando aberto para nós imaginarmos o que acontece no futuro dos dois, agora que as coisas finalmente começaram a se encaixar, eles ainda têm muitos anos pela frente, e é só a gente se colocar no lugar deles, a vida não é um conto de fadas, situações acontecem que nos abalam ou nos enaltecem todos os dias. Nisso acho que a Sylvia trabalhou muito bem, não tem como todos os acontecimentos acontecerem de uma vez só como novela das nove, onde todo mundo casa e tem filho exatamente no mesmo momento.

Éramos mais fortes que antes, mas agora… Agora nada poderia nos atingir. Estávamos profundamente ancorados.

Resenha por Larissa| Inspiration Box e Crossfire Brasil


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Pedro Henrique

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  1. Nossa, concordei com tudo o que falou. Achei o livro muito bem escrito, mas meio corrido e com cenas desnecessárias no final. Achei muitas coisas soltas (Cary, o casamento dos gays, se vai ou não sair o livro da Corine, a relação com a mãe, e claro, o futuro). Pois é um livro, uma ficção, então pq não dar um gostinho de final feliz para o casal? Mas de resto, amei demais e não sei não se as pontas soltas não ficaram para um futuro – outro livro pequeno, série, filme, etc…

  2. Será que as pontas não ficaram soltas para num futuro próximo juntá-las num 6º livro? Ficaria muito feiz, se houvesse esta possibilidade.

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