RESENHA SEGUINTE | “A Rebelde do Deserto” – Alwyn Hamilton


Autor: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas:
288
Classificação:
4/5 estrelas

Para que vício maior do que o de começar constantemente novas sagas e trilogias literárias? Eu mesmo “sofro” desse “mal” numa frequência difícil de acompanhar. Acaba uma série, lá vai eu começar uma nova mesmo prometendo a mim mesmo não me deixar levar. É nesse salto entre os lançamentos que me despertam atenção que “A Rebelde do Deserto”, estreia de Alwyn Hamilton, me fisgou.

Amani Al’Hiza, nossa protagonista, é uma jovem órfã que vive sob o teto de seu tio abusivo, buscando escapar do futuro casamento forçado que a aguarda. Sem garantia alguma de se manter, sozinha no mundo e com um deserto cheio de criaturas míticas no deserto ao seu redor para temer, Amani se disfarça de garoto e se torna uma hábil atiradora em disputas para poder juntar dinheiro. É em um desses festivais que ela vai encontrar um forasteiro que vai mudar o seu destino. Isso tudo, é claro, no meio de muita magia e reviravoltas. Parece clichê, mas revelar muito além disso pode estragar as surpresas que se destacam adiante.

Mais viva do que qualquer coisa deveria ser neste lugar. Toda feita de fogo e pólvora, com um dedo sempre no gatilho.

Já de início, me veio aquele choque cultural básico. Mulheres tratadas como meros objetos, além da abertura para que homens possam se casar com várias delas, tanto que o próprio tio de Amani — um homenzinho asqueroso, por sinal — está disposto a juntar sua sobrinha ao seu próprio harém se um casamento para mesma não for arranjado. Sabemos que essa realidade não existe apenas na ficção, mas a falta de identificação choca um pouco.

Apesar de viver num conturbado contexto sociocultural, Amani não se oprime, trazendo em sua construção muita perspicácia e sarcasmo. Já não fazem protagonistas com complexo de donzelas em perigo com antigamente (Amém!). Como é um livro narrado pela personagem, é muito importante para que a leitura flua que seja estabelecida uma relação com ela, e foi o que ocorreu. Gostei muito, muito mesmo de Amani, mas ainda assim confesso que no seu desenvolvimento a autora pecou.

Estive em muitos lugares – Jin disse – E as pessoas crêem em verdades diferentes. Quando todo mundo parece ter tanta certeza, é difícil acreditar que alguém esteja certo.

Na verdade, como um todo, o desenvolvimento me deixou o sentimento de faltar algo. Hamilton abriu as portas para um universo vasto para ser inventiva, mesmo que possua elementos clichês de narrativas que vá lembrar ao leitor de outras várias séries de sucesso da atualidade, mas se limitou a não se estender muito. Vocês então podem questionar “ah, mas esse é só o primeiro livro da série! ”. Sim, exatamente, mas mesmo levando esse ponto em consideração a evolução ficou corrida. Para mim, isso foi tão evidente que uma grande revelação que acontece mais adiante me deixou um gosto de apenas “jogado” na trama. Não que a autora não tenha planejado isso desde o início, quanto a isso não há dúvida, mas o artifício não consegue causar aquele impacto desejado.

Em contrapartida, essa rapidez nos acontecimentos também não dá abertura para a leitura se tornar cansativa. É “pá pum”, uma cena que leva a outra e, quando me dei conta, já tinha passado de ¾ da obra. Os momentos de ação são eletrizantes sem se deixar devanear. Já o romance (ele não podia faltar, né?) é bom na medida certa em sua “dosagem”, nada muito meloso. Mas, confesso, tenho medo que a autora queira inserir um triângulo amoroso na continuação.

Assim como as balas, o fogo por sí só não distingue o bem e o mal.

Os personagens de apoio, embora não tenham tido tempo de serem desenvolvidos de verdade, deixaram sua marca inicial. Espero destaque no próximo livro, o que já é praticamente garantido, mais para uns do que para outros.

Por fim, o que mais gostei no livro foi a mitologia construída para embasar o sistema de magia. Achei bem criativo e me rendeu bons momentos em que me vi viajando em minha imaginação carregada de opulência e maravilhado com os seres fantásticos que são descritos. Poderia render, no mínimo, pelo menos mais bem 300 páginas, se bem construídas.

Sim, gostei muito do livro, mas Alwyn Hamilton poderia ter explorado mais sua história. Isso indica que a autora tem um futuro brilhante a sua espera, dado que é apenas o seu primeiro trabalho que já mostra as nuances de sua criatividade. Sem dúvida alguma, estou ansioso para a continuação. Que Amani continue, agora e sempre, a fodona do deserto!

– Sou uma garota que poderia ter me tornado qualquer coisa se tivesse nascido homem. – Shazad disse. – Mas nasci mulher, então estou fazendo isto.


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Valdesson

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