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[REVIEW] “Wide Open” – Shelly Crane


Autora:  Shelly Crane
Editora: Kindle Edition
Páginas: 251
Classificação: 4.5/5 estrelas

Algumas escolhas que fazemos nos assombram para o resto da vida, e diversas vezes, temos de juntar pedaços de nós mesmo por causa delas. Outras vezes o peso destas escolhas são tão grandes que preferimos esquecer, ou fingir que esquecemos para não encara-las. E ainda existem situações as quais não controlamos, e que quando ditas em voz alta tornam tudo ainda mais real.

Shelly Crane conseguiu me  surpreender de novo, essa mulher tem o dom de me fazer sofrer. Em Wide Open, temos narrações intercaladas, com a escrita ainda se mantendo fluida, objetiva, rica, e certeira, com uma trama muito bem elaborada para um NA, que no caso dela, vejo mais como drama, depois de ler o segundo livro da saga Wide Awake. Isso porque o foco são os personagens e suas transformações, que jeeeeez, são surpreendentes. Realmente gostei da escrita dela.

É engraçado como as coisas as quais você realmente precisa fazer e que tem de acontecer, são as mais difíceis para dar o primeiro passo. Mas depois que você dá, mesmo que sabendo que será difícil, você não quer mais parar.

Wide Open nos apresenta o irmão do Mason de Wide Awake, o Milo. O irmão problema, viciado, que está tão perdido que acaba tendo de fugir da cidade onde vive, por temer por sua vida e que depois de dois anos, ainda luta para se manter sóbrio. Conhecemos também Maya, uma garota que se perde dela mesma, é resgatada, mas tem todos que ela ama de alguma forma tirados dela, primeiro a mãe, depois o pai e o irmão está doente. Milo e Maya se conhecem em uma reunião do NA, ela é uma espécie de moderadora e ele vai ali depois de estar dois anos limpo, por ter prometido isso a uma das pessoas que salvaram ele. Os dois enfrentam seus passados, o peso de suas escolhas para crescerem, conseguirem seguir em frente, mesmo que no caminho eles passem por momentos que tudo pode despencar.

Eles devem perdoar a si mesmos e seguir em frente, contar com eles mesmos. Aprender a serem quem são. Lidar com seus passados.

Sério, ler um livro onde os dois personagens principais passaram por coisas tão parecidas e ainda assim tão diferentes e tão pesadas, a ponto de terem medo de encarar isto, mas ainda assim encontrarem forças para lutar por um futuro diferente do passado, é muito bonito. A fragilidade que a Crane coloca em ambos os personagens é tão tênue, real e monstruosa a ponto de fazer o leitor parar para lembrar que ele está lendo um livro, não escutando alguém contar a história de sua vida. Na minha simples e ingênua opinião, ela não escreve simplesmente NA, ela apresenta ao leitor mundos e histórias que são reais em algum lugar, personagens que não são vazios e destituídos de vida, ou o mesmo de sempre. Não, esta mulher, assim como a Sorensen na minha opinião, te mostra diferentes realidades que são reais e te fazem parar para pensar. Cruel. Palmas para ela mais uma vez.

Porque quando você cai, tudo que você realmente quer é alguém que pegue você.


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Pedro Henrique

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