FORA DOS LIVROS | Tim Burton, Srta Peregrine e a Peculiariedade nos Cinemas


No fim do mês passado finalmente chegou aos cinemas – posso dizer sem medo – um dos filmes mais esperados desse ano: O Lar das Crianças Peculiares. Produzido pela 20th Century Fox (casa das famigeradas – nem sempre de forma positiva – adaptações de Percy Jackson e Os Olimpianos e Maze Runner – Correr ou Morrer), o longa-metragem tem gerado uma discussão enorme quanto as mudanças da trama em relação a história original. Qual a linha que serve como limite para que uma obra seja considerada descaracterizada?

Produção

Para quem não conhece, o filme é baseado no livro Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs. Pelo menos no Brasil, o livro demorou a ser considerado um dos maiores sucessos de vendas no país como é hoje, já que os fãs, embora muita gente não se recorde, ficaram durante uns bons dois anos preocupados que a Leya não publicasse a continuação por aqui. O BOOM só veio mesmo com as primeiras imagens e vídeos do filme, junto com o nome de peso do diretor à cargo da produção: Tim Burton.

Lar Para Crianças Peculiares conta a história de Jacob Portman (Asa Butterfield), um adolescente que após a morte de seu avô descobre que as histórias que ouvia dele quando criança, que até então pareciam contos de fadas, são reais. Após o episódio em que ele é atacado pelo monstro que matou seu avô Abe e ter que lidar com fato de que todos, até mesmo ele, acreditam que ele esteja sofrendo com algum transtorno mental devido ao trauma, Jacob é então orientado por sua terapeuta a ir até o País de Gales, onde Abe passou um período de sua infância em um orfanato sob tutela de Miss Peregrine (Eva Green), com o objetivo de discernir realidade e fantasia dos acontecimentos fatídicos daquela noite. Mas ao investigar o local, Jacob encontra uma fenda perdida no tempo, onde crianças com poderes especiais vivem, unidos como uma família, eternamente no mesmo dia para sua própria proteção contra monstros maléficos que os perseguem. Após todo encanto desse mundo desvelado, Jacob vai descobrir que o seu destino está mais ligado àquele local e as crianças do que imagina.

Poster

O filme para mim deve ser analisado em partes. Num primeiro momento, eu diria que por mais que haja pequenas mudanças para compactar os acontecimentos e explicações para “casar” com a mídia cinematográfica, o que é apresentado condiz bastante com os acontecimentos do livro. Tim Burton consegue ao mesmo tempo trazer a atmosfera do livro, mesmo que de forma apressada, o que deixa uma necessidade de um freio para quem está assistindo, quanto dar o seu próprio toque característico de sua estética como diretor. Mas a medida que o filme vai chegando ao seu clímax, a quantidade de alterações vai aumentando e ficando cada vez mais distantes do original.

A partir desse ponto, mesmo que para quem não leu o livro, há um sentimento de quebra do ritmo. É como se dois fluxos diferentes tivessem sido tomados na produção. O mais que curioso é que apesar do choque dessas diferenças, as duas partes são bem executadas. Pelo menos para mim, o clímax do livro não é tão eletrizante quanto se esperaria. Foi essa a perspectiva que tive quando o li, mesmo que de uma forma geral seja um dos meus livros favoritos. O filme centra o seu momento de ação em algo mais elaborado, mas que fica na linha entre uma boa adição e o exagero desnecessário de ações. Há cortes entre cenas que acabaram ficando um pouco confusas, devendo uma revisão maior.

Contudo, o filme é uma das melhores coisas que vi no cinema neste ano. São duas horas de filme que passam como se fossem minutos. Principalmente na primeira parte, me senti enfeitiçado pela atmosfera do filme. Eva Green sempre dando um show, encarnou totalmente Peregrine, Samuel L. Jackson, por outro lado, só me pareceu mais um de seus tantos personagens em outros filmes. Adorei a atuação das crianças, além da alteração da peculiaridade da Emma com a Olive (não é spoiler. Por favor, né?). Essa mudança foi muito proveitosa para alguns dos que foram os momentos mais lindos dos filmes (destaque para a cena da praia), e mesmo que eu seja apedrejado, acredito que tenha ficado até mesmo melhor do que a forma como Emma tem suas habilidades exploradas no livro. E para quem temeu por Emma, se prepare que outros personagens tiveram personalidade, habilidade e idades alteradas, mas não senti que tenha sido uma escolha equivocada optar por essas transformações.

Zangão

Uma observação pessoal, acredito que os fãs de livros que optarem por ver suas histórias favoritas transformadas em filmes devem ir de coração aberto. A partir do momento que os direitos são vendidos e diretores e roteiristas começam a trabalhar em cima do original, eles têm total liberdade para transformar quaisquer aspectos da obra de acordo com sua criatividade. Eu demorei a superar, mas hoje em dia sempre penso como um caminho alternativo, como um “e se?”. É duro dizer isso, mas se você quer sua história como é, fique nos livros. Caso queira ver o filme, lembre-se de que o que foi escrito continua inalterado nas páginas e em sua imaginação. Superem.

No geral, temos uma história maravilhosa, uma mitologia que é mais do que referências à outras obras, ao contrário do que estão dizendo por aí, e que apesar de fugir do material original consegue se reinventar de maneira efetiva. Peca um pouco na velocidade dos acontecimentos e em revelações que ocorrem de maneira rápida demais para ter uma margem mais dramática, mas com sua magia nos absorve e mantém acesa a curiosidade pela próxima reviravolta na trama. O filme termina com um roteiro fechadinho, totalmente diferente do livro, mas caso haja retorno lucrativo o suficiente para uma continuação, um bom roteirista poderia fazer as devidas alterações para um retorno com muito mais diferenças do segundo livro, Cidade dos Etéreos.

Jacob <3

Por fim, eu, como fã, saio satisfeito dos cinemas pelo que eu assisti, mas se você está temeroso pelo que possa conferir, é o seguinte: melhor não ir. Para quem nunca leu ou não se preocupa com mudanças, vai sem medo que é uma ótima diversão como um filme por si só. <3

 

Emma <3

 

boring

 

deplo


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Valdesson

Um comentário

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  1. Eu não gostei muito do filme, a partir da parte que eles entram no navio começou a ficar muito corrido e (para mim) sem sentido. Não liguei muito para a troca entre as peculiaridades, pois essa parte no meu ver coube muito bem e foi aproveitada no filme. Achei a parte do Enoch muito tenebrosa, Mas afinal é Tim Burton né?!! Eu esperava muito mais, pois foi meu livro preferido desse ano, mas nem tudo são flores.
    Acho que quando vejo uma adaptação, sempre vou esperar que seja boa como Jogos Vorazes foi.

    Gostei do seu ponto de vista e na próxima vou de coração mais aberto 😀

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