RESENHA | “A Química Que Há Entre Nós” – Krystal Sutherland


Autor: Krystal Sutherland
Editora: Globo Alt
Páginas: 272
Classificação: 3/5 estrelas

Vou começar a resenha apresentando um pouquinho a autora. Krystal Sutherland estreou com A química que há entre nós, foi até um pouco difícil buscar informações sobre ela. Nascida e criada na Austrália, já morou e estudou em Amsterdam, assim como em Hong Kong. Hoje mora em Sydney. Nunca sonhou em ser escritora, e esse seu livro de estréia foi publicado em outubro de 2016.

Seu primeiro livro é um jovem adulto narrado em primeira pessoa. O narrador no caso é Henry Page, um adolescente de 17 anos que está no último ano do ensino médio. Henry é diferente dos demais adolescentes de sua idade. Ele sempre admirou os pais, sendo esses extremamente descolados, liberais e abertos. Henry sempre teve a oportunidade e a liberdade de conversar sobre tudo com eles. Tem uma irmã 12 anos mais velha, divorciada, e que voltou a morar na casa dos pais com o filho de 2 anos e meio. Seus melhores amigos são Lola (homossexual assumida) e Murray (estrangeiro), amigos esses que sempre estão enfiados no quarto de Henry para assistirem filmes, séries e jogar vídeo game.

A história se inicia com a chegada de Grace Town ao colégio de Westland High. Grace não é uma garota “comum”, veste roupas de garoto, parece imunda e doente, anda com uma bengala, o cabelo é loiro, mal cortado e bagunçado, mas o destino parece  ter colocado-a na vida de Henry. Os dois são muito bons em redação e são convidados pelo diretor Hink para assumirem a edição do jornal do colégio. Contudo, Grace nega o convite de imediato, deixando Henry super frustrado e levando-o a questiona-la do porquê ter negado. No outro dia, ela acaba voltando atrás e aceita com a condição de não escrever nada, de ser apenas uma assistente.

Então esta, com certeza, não é uma história de amor à primeira vista. Mas essa é uma história de amor.

No decorrer da história, Henry e Grace vão se aproximando cada dia mais, sendo através do jornal, assim como, pelas caronas que Grace dá para Henry após o colégio. Henry claramente vai se apaixonando e se abrindo para ela, porém ele não sente reciprocidade, principalmente no quesito de se abrir e contar sobre a vida passada, deixando Henry intrigado, o que o faz investigar juntamente com seus amigos a vida de Grace. O adolescente descobre várias coisas, entre elas o motivo pelo qual Grace manca, que foi um acidente de carro que a fez passar um mês no hospital. O acidente em si é o grande mistério da história e onde gira toda a trama do livro, é o principal motivo pela vida de Grace estar como está hoje, o motivo por ser “esquisita” e não querer se abrir para um novo relacionamento com Henry.

Grace Town é uma charada embrulhada em um mistério dentro de um enigma.

É bastante comovente, por mais que seja narrado pelo Henry, acompanhar o drama de Grace. Ela o tempo todo enfrenta uma batalha interior, se, se entrega ou não ao amor de Henry, se volta a ser a pessoa que era antes do acidente, se, se empenha no jornal, se decepciona as pessoas do seu convívio íntimo com suas atitudes, pessoas essas que também são um mistério e vão se revelando ao longo da trama. Henry, por sua vez, é um personagem que você tem vontade de abraçar e entrar na cabecinha dele e dizer o quanto o sofrimento do primeiro amor é assim mesmo, que como os sentimentos nessa idade são exacerbados e que tudo é fase e vai passar.

Mas confesso que no fundo, enquanto estava lendo, não sabia se estava gostando ou não do livro, por várias vezes achei chato e monótono, e olha que o livro tem vários elementos desse universo jovem que eu adoro, como trocas de mensagens no celular, gráficos, ótima diagramação, que teoricamente trariam um dinamismo na leitura, mas não foram poucas as vezes que achei a história arrastada e lenta, as coisas demoraram demais para acontecer e quando aconteceram, foi tudo muito rápido. Gostaria que tivesse tido equilíbrio do início ao fim.

Acredito que a autora poderia ter desenvolvido outros temas paralelamente para enriquecer a trama. Um deles que acreditei piamente quando li a sinopse era que ia abordar o bullying e olha que assunto para isso não faltava, tanto através da personagem principal como através de personagens secundários, mas foi falho no quesito. No mais a história é boa, comovente, fofa e com um final que não é clichê, o saldo final foi positivo. Acredito que para um primeiro livro, Krystal Sutherland mandou muito bem, mostrou que tem potencial e acredito que ela pode transformar as criticas em um próximo livro maravilhoso. Globo Alt deu um tiro certo mantendo a capa gringa maravilhosa, que tem tudo a ver com o livro pois mostra elementos dele. E nos créditos a autora agradece pelos direitos adquiridos para o filme. No site do IMDb tem poucas informações, apenas que estão desenvolvendo, mas me deixou feliz pois se bem produzido consertará os erros do livro.

Amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma.


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Fabiana Lagassa

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