RESENHA LEYA | “Nascidos da Bruma: O império final” – Brandon Sanderson


Autora: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas:
 608
Classificação:
 4/5 estrelas

Em qualquer lista de principais livros envolvendo fantasia épica, é quase uma lei Brandon Sanderson estar nela. O cara é bom, surpreende a cada livro e sempre deixa a sensação que pode ficar ainda melhor. Infelizmente, ele nunca recebeu a atenção merecida das editoras brasileiras.

Todo mundo me deixa. Quando você vai partir? Quando vai me deixar?

O império final é o primeiro de sua série Mistborn e os três primeiros formam a trilogia Nascidos da Bruma, que gira em torno de um grupo de skaa, as párias na sociedade apresentada por Sanderson, que desejam acabar com o Império do Senhor Soberano, um homem imortal que massacrou cada uma das revoltas anteriores, e dessa vez parece que não será diferente.

Kelsier, um ladrão bastardo, é conhecido como O Sobrevivente, ele escapou da pior prisão já construída pelo Senhor Sobeano, descobriu que é um Nascido da Bruma, e agora quer vingança. Seu plano é ousado e beira ao improvável, mas quando encontra em seu caminho uma garota de rua com certos dons e a capacidade de se tornar uma heroína, as chances mudam. Juntos, eles esperam fazer o impossível e acabar com um Deus.

A crença não é simplesmente uma coisa para os momentos felizes e os dias brilhantes, creio. O que é a crença, o que é a fé, se você não continuar com ela depois do fracasso? Qualquer um pode acreditar em alguém ou em alguma coisa que sempre tem sucesso, senhora. Mas o fracasso… ah sim, isso é difícil de se acreditar, certa e verdadeiramente. Difícil o bastante para ter valor, creio.

Kelsier e Vin são dois protagonistas que praticamente são opostos um do outro; Vin é uma garota raquitica e que aparenta deixar a desejar, um pouco inocente demais para a guerra que estão preparando, mas atrás dessa camada há alguém que sabe o que é pagar com sangue todos os erros, o que é viver com medo, com a traição sempre a espreita; Já Kelsier ganha o papel de herói que está mais para anti herói, muitas vezes com atitudes egoístas e desejoso de buscar vingança sem se importar em mentir e enganar para atingir esse objetivo. Ele quer começar uma guerra e não espera ganhar, talvez enganando milhares de pessoas dispostas a lutar por um pouco de esperança, dirigindo-os para uma morte certa.

Entretanto, com o desenrolar da história, com um tentando descobrir seu papel em uma revolução e outro com seus próprios planos, amor e sacrificio se unem para mostrar uma nova verdade, um terceiro caminho, e mesmo quando a leitura se torna um pouco densa — é um novo mundo, o leitor precisa entender cada nuance e isso nem sempre é fácil –, todos os elementos estão aqui, a paixão, coragem, aventura e desafios, e só resta ao leitor se unir aos personagens e dançar conforme a música. É estranho mas até mesmo há espaço para uma boa dose de romance à la Romeu e Julieta nessa história.

Sabe, às vezes me surpreende que ainda tentemos. Com tudo o que fizeram conosco — as mortes, as torturas, as agonias –, seria de se esperar que desistíssemos de coisas como esperança e amor. Mas não desistimos.

Brandon Sanderson quer atingir o leitor em todas as direções, e rasga qualquer preconceito ou ideia que fiz de sua história para mostrar que o único que está certo é ele e nada do que espero acontecerá. Obviamente, meu coração foi parar no chão com todo o clímax e chorei as pitangas com Nascidos da Bruma: O império final. Ver algo nascer, e também morrer, nunca é fácil, e com a intensidade da escrita do autor isso fica ainda pior, é triste e rasga por dentro.

Vin e Kelsier mostraram mais uma vez porque fantasia épica é um gênero que tem o poder de me tocar mais fundo do que todos os outros. Mesmo com os piores cenários, onde os monstros que aprendemos a temer existem, ainda é possível ter esperança e lutar por ela, e mesmo quando o poder corrompe há muitos, ainda há heróis que por mais improváveis que sejam são capazes de mudar a história.

Esse é um livro que me surpreendeu além da linha do possível, a cada momento onde eu acreditava que já vi de tudo e o autor parece ter aproveitado todos os caminhos possíveis, o jogo vira e sou enganada novamente. Assim é a escrita de Brandon Sanderson, ele te faz esperar o inesperado e ainda assim você não está preparado o suficiente para o que está por vir.

Trago uma mensagem de um amigo nosso. Ele queria que você soubesse que ele não está morto. Que não pode ser morto. Ele é a esperança.


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Gabrielle

"Guerra é Paz. Liberdade é Escravidão: Ignorância é Força"

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