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[RESENHA GUTENBERG] “A Escola do Bem e do Mal” — Soman Chainani


Autor: Soman Chainani
Editora: Gutenberg
Páginas: 352
Classificação: 4/5 estrelas

Na onda das adaptações dos contos de fadas, poderíamos citar outras sagas e até mesmo séries de tevê que tem tentado surpreender o leitor com uma nova perspectiva dos contos já bem conhecidos por todos, algumas ótimas, outras nem tanto, mas A Escola do Bem e do Mal com certeza entra para o grupo dos que deram certo, realmente MUITO certo.

Bem abaixo delas erguiam-se dois castelos imensos em plena floresta. […] A Escola do Bem e do Mal.

O livro gira em torno de Sophie, uma garota que sempre tentou se comportar bem e se vestir de maneira impecável para que um dia o Diretor a leve para a Escola do Bem e ela encontre seu amor verdadeiro e viva seu conto de fadas. Mas Agatha, sua única amiga, acha tudo isso uma idiotice e não acredita que exista de fato a Escola do Bem e do Mal. Se Sophie parece uma princesa, Agatha com certeza se parece com uma bruxa, sempre perambulando por cemitérios com suas roupas pretas. Quando finalmente chega o dia em que o Diretor leve as duas crianças, Agatha e Sophie terão uma surpresa.

Vivendo entre histórias como Branca de Neve, Peter Pan e Rapunzel, somente os melhores alunos do bem se tornarão os protagonistas de uma conto de fadas e somente os melhores alunos do mal encontrarão seu Nêmesis e poderão destruir seu mundinho perfeito, história que serão escritas pela caneta mágica Storian, que fica no alto da torre na sala do Diretor. Mas nos últimos 200 anos somente o bem ganhou. O Diretor estaria manipulando-a para que somente o Bem vencesse?

“Algumas almas são mais puras que outras, mas todas as almas são fundamentalmente Boas ou Más. Os que são Maus não podem tornar suas almas Boas, e os que são Bons não podem tornar suas almas Más…”

“PORTANTO, SÓ PORQUE O BEM ESTÁ GANHANDO TUDO, NÃO SIGNIFICA QUE VOCÊS POSSAM MUDAR DE LADO.”

O autor criou uma mitologia com novas criaturas e cenários, misturando aos personagens e cenários dos contos de fadas já muito conhecidos. Ficou excelente! Conheceremos a grade curricular do Bem e do Mal, os professores, as instalações, algumas novas criaturas, as profecias, novos contos, as florestas e perigos fora da escola, enfim, o autor criou muita coisa nova e funcionou super bem. Às vezes pode soar um pouco clichê, mas sim, o Bem é representado por um castelo lindo, com muito rosa, um arco-íris como plano de fundo das torres e um lago cristalino com fadas e ninfas como as mantenedoras da ordem, já o Mal, representado pelas túnicas pretas, raios e trovões no topo das torres, lago pantanoso e lobos como guardiões. E mesmo assim você acaba amando cada novo cenário, cada nova aventura que as protagonistas encontram e vivenciam.

Já em relação as protagonistas, Sophie me irritou logo de início, ela conseguiu me tirar do sério com seu egoísmo e sua prepotência sem fim, passando sua vontade acima de tudo e de todos. Já Agatha é aquela típica personagem que te encanta com uma inocência — o que gera controvérsias, já que em alguns momentos essa inocência passa a ser burrice — e com seu jeito hilário de enfrentar aqueles momentos mais tensos. Desde o começo percebemos que ambos os objetivos eram diferentes: enquanto Agatha só queria estar de volta a Gavaldon com sua melhor e única amiga, Sophie queria viver o conto de fadas com seu amor verdadeiro. Focos diferentes, atitudes diferentes, que acabaram traçando um futuro previsível: nossas garotas cada vez mais afastadas uma da outra.

Bem ali, naquele momento, o problema atingiu Agatha como um tapa na cara. […] Agatha queria sua única amiga de volta. Contudo, uma amiga não era o suficiente para Sophie. Sophie sempre queria mais. Sophie queria um príncipe.

Um ponto negativo é o drama que o autor colocou nas duas protagonistas: colocá-las em uma escola que elas não esperavam. Agatha decididamente se parece com uma bruxa, mas é colocada na Escola do Bem, enquanto Sophie tenta mostrar que seu lugar não é na Escola do Mal. Isso me irritou MUITO. Logo nos primeiros capítulos vocês já percebe que não houve confusão, mas o autor mantém esse dilema praticamente durante toda a história e achei bastante desnecessário.

Comentar agora sobre o desfecho é pedir demais, eu simplesmente não sei o que o autor fará no próximo livro mediante à este final. Ficou de fato muito bom! O autor dosou magia, suspense e emoção na medida certa e conseguiu algo épico. Apesar do toque clichê, Soman mostrou que pode surpreender muito o leitor  e que não se contentará em ser somente mais uma adaptação dos contos de fadas, mas estar também entre as melhores. Se você ainda não se encantou com os contos da fadas ou já é um leitor incrivelmente viciado neles, com certeza este livro te trará uma nova perspectiva e aguce ainda mais sua vontade de conhecê-los.


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Emanuel

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