O Mix Brasil entrevistou Christian Petrizi, autor do livro Crimes Bárbaros, que conta a estória de um investigador da polícia que busca solucionar o assassinato de um pedófilo. Confira:

“Tento narrar uma trama direta, agradável, interativa com o leitor, nos moldes e sob influência do ‘policial britânico’, mas com um cenário brasileiríssimo: o cosmopolita bairro de Copacabana dos dias atuais.” É assim que o escritor mineiro Christian Petrizi descreve à Junior seu mais novo livro, “Crimes Bárbaros”. São 199 páginas de uma história intrincada cheia de suspense e muita suspeita em torno do assassinato de Ricardo Lobato, pedófilo nas horas vagas e principalmente durante e expediente, que ao que tudo indica logo no começo do livro foi morto em um motel em São Conrado por sua amante, a travesti Barbara Taylor.

Eles marcam um encontro em um motel perto do Vidigal, no Rio de Janeiro, após o show de Barbara como Donna Summer na boate onde ela trabalha. O que era para ser um flagra e colocar Ricardo nas páginas dos jornais ao lado de uma travesti como sua amante em um motel não sai como o esperado – e o médico acaba indo parar nas páginas policiais dos jornais com a jugular cortada e o corpo sem uma gota de sangue – todas de seu corpo no lençol do quarto.

O clima policial está presente até mesmo nos títulos dos capítulos, que mostram dia e hora em vez de nominar os parágrafos e dão uma sensação de que você, o leitor, sabe exatamente tudo o que está se passando. Mas na verdade o leitor ainda não sabe de nada sobre essa misteriosa morte, seguida pelo assassinato da própria Barbara de maneira muito suspeita, atropelada à beira da praia. Uma pessoa presencia o atropelamento e pode ser a chave, lá na frente, para mais um mistério. A narrativa leve e fácil, sem maneirismos, garante a quem está lendo poder acompanhar de perto, quase de forma presente, esse enrolar de histórias e fatos.

Um livro cheio de suspense e ação…

Além do pediatra e de Bárbara, entram na trama ainda Tony e Gabriel, um casal de convivência estável, pública e notória. O primeiro é investigador, enquanto o segundo é jornalista e, juntos, formam um Sherlock Holmes e Watson dos dias atuais, só que com a diferença de serem assumidos e super atletas, bem cariocas. “Eu sempre observei críticos e leitores questionando a vida privada dos grandes detetives da ficção. Insinuações sobre os amores platônicos desses detetives por seus auxiliares. Então resolvi partir desse ponto, subvertendo o gênero, criando um casal de investigadores”, explica Christian.

Farmacêutico e bioquímico, o escritor diz que as referências para a travesti vieram “da minha passagem por Juiz de Fora e Rio de Janeiro, do contato com esses trabalhadores que lutam para sobreviver mesmo contra todas as adversidades” e que, na obra, tenta quebrar preconceitos ao “mostrar como é fácil usar essas imagens estereotipadas com o objetivo de encobrir a verdade. Tanto com a polícia quanto com a imprensa sensacionalista carioca e a sociedade”.

Mesmo sendo uma obra de ficção, para Christian o livro é “completamente compatível com a nossa realidade”. A já conhecida história de preconceito que joga para cima dos mais vulnerabilizados a culpa por atos que muitas vezes nem poderiam ter sido cometidos por eles, dada sua situação de vulnerabilidade. Misturando travestis, suspense e um casal de investigadores gays assumidos, o autor consegue prender o leitor dentro de seu enredo que tem seu desenrolar nas ruas do Rio de Janeiro e oferece a garantia de que realmente você não sabe qual é o final, quem matou quem ou quem deveria ter morrido e não morreu.

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Publicado em 23/02/2012
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