É isso mesmo, caros leitores, dia doze de novembro foi aniversário da Richelle Mead, autora de sagas como Academia de Vampiros, Georgina Kincaid e Dark Swan, e quem ganhou foram os fãs. A autora disponibilizou o primeiro capítulo do último livro da saga Dark Swan, Shadow Heir, e nós da Up! Brasil, traduzimos, confira:

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Eu estou certa que Ohio é realmente um ótimo lugar, uma vez que você o conheça. Para mim, agora, era semelhante ao inferno.

“Como”, eu perguntei, “ é possível que o ar contenha este tanto de umidade? É como ir nadar.”

Minha irmã, andando ao meu lado no sol da tarde, sorriu. “Use sua mágica para empurrá-lo para longe de você.” “Trabalho demais. Isso apenas continuaria voltando,” eu resmunguei. Jasmine, como eu, tinha sido criada no calor seco do Arizona, então eu não conseguia entender porque ela não teve a mesma repulsa que eu para as condições das monções no Centro-Oeste. Nós duas exercíamos a magia do tempo, mas a dela era focada primeiramente na água, então talvez isso explicasse sua atitude indiferente. Talvez isso fosse apenas a resistência da juventude, vendo que ela é dez anos mais jovem que eu. Ou talvez, apenas talvez, era porque ela não estava grávida de quase cinco meses e transportando em torno de quatro quilos e meio ou mais de filhos que pareciam ter a intenção de me aquecer, sugar meus recursos, e praticamente abrandar cada idiotice que eu fazia. E também era possível que os hormônios estavam me fazendo um pouco irritada. “Nós estamos quase lá,” disse uma voz educada do meu outro lado. Era Pagiel. Ele era o filho de Ysabel, uma das vadias nobres que eu conhecia – e ela nem mesmo tinha excesso de hormônio como desculpa. Pagiel não tinha herdado a personalidade de sua mãe, felizmente, e possuía um talento especial para atravessar entre o Outro Mundo e o mundo humano que rivalizava ao meu e de Jasmine. Ele era mais ou menos da mesma idade que ela, e o fato de que eu tinha de ter uma escolta de adolescentes para me levar a consulta médica apenas acrescentou um insulto à muitas injúrias que eu tenho suportado estes últimos meses. Uma quadra a frente, e a clínica Women’s Health estava localizada entre as árvores podadas de pera e fileiras de gerânios. O negócio estava entre o bairro comercial e as zonas residenciais da cidade e tentava dar a aparência deste último. Não foi a paisagem que me fazia continuar voltando a esta saúna, andando metade de uma milha entre o portão do Outro Mundo e a clínica. Não era nem mesmo os cuidados médicos, o que estava bom tanto quanto eu poderia dizer. Realmente, quando se resumia a isso, este lugar tinha uma enorme apelação porque ninguém tinha tentado me matar aqui. O maldito calor úmido tinha me deixado pingando suor no momento em que chegamos ao edifício. Eu estava acostumada a suar no deserto, mas alguma coisa nesse clima apenas me fazia ficar pegajosa e nojenta. Felizmente, uma onda de ar-condicionado nos atingiu enquanto andávamos através da porta. Tão glorioso quanto foi para mim, isso foi um milagre para Pagiel. Eu sempre gosto de ver seu rosto quando ele sentia o primeiro toque. Ele cresceu no Outro Mundo, aonde para fadas – ou nobres, o termo que eu preferia – mágica podia fazer maravilhas. Ele não piscaria um olho em feitos mágicos. Mas isso? Ar gelado produzido por uma máquina? Isso explodia sua mente toda vez. Nenhum trocadilho.

“Eugenie,” disse a recepcionista. Ela era de meia-idade e gorda, com um gentil ar de cidade sobre ela. “De volta com sua família, eu vejo.” Nós tínhamos deixado Pagiel passar-se como nosso irmão, para simplificar. Embora, não era muito difícil nos imaginar relacionados, o cabelo de Jasmine era loiro morango, o meu uma luz vermelha, e o de Pagiel um verdadeiro ruivo. Nós poderíamos ter feito uma publicidade para o National Redhead Solidarity Group, se tal coisa existe. Ninguém na clínica parecia achar estranho que eu trouxesse meus irmãos junto, então talvez isso fosse normal por aqui. Ambos, ele e Jasmine, ficaram para trás quando a enfermeira veio me pegar. Jasmine costumava ir comigo, mas depois de um incidente embaraçoso, quando Pagiel tinha tentado atacar alguém com um toque de Milli Vanilli, nós tínhamos decididos que era melhor se ele não fosse deixado sozinho. Embora, eu admito, era difícil repreender suas ações. Fui ver um  técnico de ultrassom primeiro. Como uma futura mãe de gêmeos, eu fui colocada em uma categoria de alto risco e tinha que fazer mais ultra-sonografias do que alguém com uma gravidez “normal” faria. A médica me situou na mesa e passou gel no meu estômago antes de tocar minha barriga com o transdutor. E foi assim que todo meu mal humor, todo meu sarcasmo – todos os sentimentos com os quais eu tão arrogantemente entrei na clinica- desapareceram. E foram substituídas por terror. Lá  estavam as coisas pela qual eu arrisquei minha vida e o destino do mundo. Para ser justa, as imagens não pareciam tanto para mim. Elas eram apenas formas esboçadas em preto e branco, embora a cada visita eles se tornavam cada vez mais parecidos com bebês. Supus que isso foi uma melhora acentuada, desde que há algum tempo lá eu tinha certeza que eu estaria dando a vida a aliens, e não humanos ou nobres. “Ah, lá está seu filho,” disse a médica, apontando para o lado esquerdo da tela. “Eu tinha certeza que seríamos capazes de identificar ele desta vez.” Minha respiração se tornou ofegante. Meu filho. Enquanto ela movia o transdutor para pegar um ângulo melhor, seu perfil brilhou em um alívio gritante, pequenos braços e pernas e uma cabeça arredondada que pareciam muito humano. Esta pequena criatura, cujo coração batendo era claramente visível, não parecia um conquistador de mundos. Ele parecia muito pequeno e muito vulnerável, e me perguntei não pela primeira vez se eu cometi um erro continuando com essa gravidez. E se eu tivesse enganada? E se eu tivesse sido levada por esta fachada inocente? Era eu mesmo que agora nutria o homem que a profecia disse que tentaria escravizar a humanidade?

Como se sentindo meus pensamentos, sua irmã se mexeu no outro lado da tela. Ela tinha sido a força motivadora em minha decisão de manter essa gravidez. Se eu tivesse acabado com isso em uma tentativa de salvar o mundo do meu filho, eu teria sido responsável por acabar com a vida dela. Eu não poderia fazer isso com ela. Mesmo com ele, eu não poderia ter efeito isso. Não importava o que a profecia dizia. Ambos mereciam a chance de viver suas vidas, livre do que o destino tinha supostamente ditado por eles. Agora, se eu pudesse convencer disso todas as pessoas que estavam tentando me matar.

“Tudo parece ótimo,” a médica disse-me. Ela tirou o transdutor, a tela ficou preta, encobrindo os meus filhos nas sombras mais uma vez. “Perfeitamente normal.” Normal? Dificilmente. Ainda quando eu estava sendo levada a uma sala de exames para conversar com a médica, sua opinião foi a mesma. Normal, normal, normal. Claro, gêmeos requerem cuidado extra, mas por outro lado, todos pareciam convencidos que eu era o modelo de uma gravidez perfeita. Nenhum deles tinham alguma ideia, nem mesmo o mais minúsculo indício, da luta diária que passo. Nenhum deles sabiam que quando eu olhava meu estômago, eu estava atormentada com imagens de violência e o destino de dois mundos na balança. “Você ainda sente eles se mexendo?” a médica me perguntou. “Está em torno desse tempo.” Imagens de Aliens voltaram para minha mente. “Não, eu acho que não. Como eu vou saber?” “Bem, vai ser bastante óbvio mais tarde. No início, você começa a sentir sensações esvoaçantes. Algumas pessoas dizem que é como um peixe nadando ao redor. Você vai saber quando isso acontecer. Não se preocupe – eles não tentarão chutar para sair. Não a princípio.” Estremeci, sem ter certeza de como me sentir sobre isso. Apesar das mudanças em meu corpo, ainda era fácil encarar isso como alguma doença física. Apenas a ultra-sonografia me lembrava que havia duas pessoas vivendo dentro de mim. Eu não estava certa se eu estava pronta a começar sentir-los se contorcer ao redor.

A médica olhou sua prancheta. “Honestamente, tudo parece ótimo,” ela disse, ecoando a médica do ultra-sonografia. “Eu estou cansada o tempo todo,” argumentei. “E eu continuo ficando com falta de ar. E eu estou tendo problemas ao caminhar. Eu quero dizer, eu ainda posso fazer isso, mas não é fácil.” “É tudo normal.” “Não para mim.” Eu costumava banir fantasmas e bater em monstros para viver. Ela encolheu os ombros. “Você tem duas pessoas crescendo dentro de você. Vai piorar antes de melhorar.”

“Mas eu tenho um monte de coisas para fazer. Meu estilo de vida é muito, hum, ativo. Ela permaneceu imóvel. “Então você terá que se adaptar.”

Apesar da minha lamentação, eu saí com um atestado de boa saúde e instruções para reservar minha próxima consulta. No saguão, eu achei Jasmine e Pagiel exatamente aonde eu os tinha deixado. Ela estava folheando uma cópia da People e tentando explicar para ele as definições e apelos dos reality shows. Talvez eles não reparassem muito em meus ‘irmãos’ porque eu simplesmente tinha muitos hábitos estranhos. Como, por exemplo, eu sempre pago cada consulta em dinheiro. Quando você passa por coisas como ultra-sonografias, exames de sangue e testes médicos, o preço final fica bastante elevado. Eu sempre sentia como se estivesse com uma mala estilo ao da Máfia ao retirar notas de cem dólares. Não havia alternativa, no entanto. Eu não podia fazer nada que facilitasse aos meus inimigos me encontrar. Pagamentos em forma de seguro maternidade criaria uma trilha de papel, assim como pagar com cheques ou cartão de crédito. Para a maioria dos nobres, nada disso era uma preocupação. A maioria eram como Pagiel e mal podiam compreender a ideia de bancos ou sistema postal, muito menos usá-los para me localizar. Infelizmente, os meus inimigos no Outro Mundo têm várias ligações entre os humanos, aqueles que conheciam nosso sistema por dentro e por fora. Foi por causa deles que estava em Ohio, em primeiro lugar. Tucson estava comprometida. Outra mulher, aparentando uma gravidez mais avançada que a minha, acabava de entrar no escritório enquanto a recepcionista me entregava um recibo impresso. Uma rajada de vento varreu por trás dela e ela teve que lutar para segurar a porta. Pagiel, embora inepto em tecnologia, foi treinado como um cavaleiro nobre e saltou para ajudá-la. “Obrigada,” ela disse para ele. Ela piscou para o resto de nós um alegre sorriso. “Eu não posso acreditar o quão rápido o tempo mudou sobre nós. A frente fria veio do nada.” A recepcionista acenou com a cabeça seriamente. “É assim nesta época do ano. Nós vamos ter tempestade esse noite, com certeza.” Como se eu precisasse de outro motivo para não gostar do meio-oeste. Deus, como eu sentia falta do clima de Tucson. Andando com Jasmine e Pagiel, eu sabia que minha atitude era injusta. Eu simplesmente estava sentindo as dores do meu exílio auto-imposto. Eu realmente não odeio Ohio tanto quanto eu sinto falta de Arizona. Uma vez que estivéssemos de volta ao Outro Mundo, eu poderia ir ao meu reino, que era praticamente um espelho de Tucson. Eu o projetei dessa maneira. E ainda… não era a mesma coisa. Eu estive culpando a tudo todo o tempo, mas um lugar é definido por mais que isso. Há a cultura e a vibração impulsionada por seu povo, de uma forma única em cada lugar. Terra Thorn era ótima, mas nunca substituiria minha cidade natal. “Merda,” disse Jasmine, tentado arrancar seu cabelo da frente de seu rosto. Um vento feroz tinha batido sobre ela logo que saiu. “Aquela senhora não estava brincando.”

Eu puxei-me da minha auto-piedade o suficiente para notar que ela estava certa. A temperatura caiu e o ar sufocante de antes agora estava em movimento constante. As árvores iam para frente e para trás, como dançarinas sincronizadas. Nuvens escuras, tingidas de um verde doentio, estavam sobre nós. Um arrepio que não tinha nada a ver com o frio passou por minha pele. Meu pai nobre e babaca, além de ter me imposto uma profecia que dizia que seu neto mais velho conquistaria a humanidade, também havia me passado sua magia sobre o tempo. Eu estava em sintonia com todos os elementos que compunham uma tempestade: a umidade, o ar, até mesmo as partículas carregadas que anunciavam um raio. Meus sentidos estavam abertos para eles e a intensidade de todos me batendo de uma vez agora foi um pouco esmagadora.

“Tanta coisa para uma corrida doce”, eu murmurei, olhando para o céu com raiva. Eu estava em uma dieta sem leite e doces e desesperada por alguns. “Teremos sortes se não ficarmos encharcados antes de chegarmos ao portal.” Não pela primeira vez, eu gostaria de ter um carro para as viagens em Ohio mas seria inútil. A única e real razão para eu vir era a clínica, e ela estava a uma curta distância do portal que nos leva de volta ao Outro Mundo. Não haveria nenhuma maneira prática de manter um carro. Além disso, andar em um provavelmente mataria Pagiel.

Eu olhei para o céu, verificando que as coisas pareciam mais ruins do que eu sentia, quando de repente algo me imobilizou. Se eu olhar para o norte, visualizando acima das árvores, podia ver a borda das nuvens de tempestade. O teto preto acima de nós apenas estendia-se por uma milha, terminando abruptamente, onde eu podia ver o sol e céu azul. Eu estava disposta a apostar que o ar estava bastante úmido e quente lá também. Olhando em volta, vi que estava assim por todos os lados. Diretamente sobre nós, o céu estava escuro, e as nuvens se estendiam de uma maneira finita e claramente definida. Era como estar sobre uma cúpula perfeitamente redonda. Ao redor, o sol lutava para passar. Meus companheiros pararam ao meu lado, e encontrei o olhar de Jasmine. “Eu senti…” ela murmurou. “Eu não percebi de início. Havia muita coisa acontecendo…”

“Eu também”, eu disse. Com a nossa percepção do elemento tempestade, eu e ela eramos sensíveis à magia agindo especificamente sobre eles. O que estávamos sentindo agora não era uma ocorrência natural. Havia tanta magia por trás dessa tempestade que, inicialmente, como sem dúvida pretendiam, estavam escondidos de mim. Haviam forças do Outro Mundo. E com esse pensamento, veio outro: tínhamos sido descobertos. Meu porto seguro no meio-oeste não era mais seguro. “Foda-se.”

O rosto jovem de Pagiel olhou para mim. “O que você quer fazer?” Pagiel tinha herdado sua magia do ar de sua mãe, então ele também tinha, provavelmente, percebido que algo estava errado. Comecei a andar de novo. “Temos que chegar ao portal. Não há outra escolha. Uma vez que o cruzarmos, estaremos seguros. “

“Quem está fazendo isso deve saber sobre o portal”, destacou Jasmine. “Eles podem estar do outro lado esperando.”

“Eu sei. Mas isso também significaria que eles tiveram que derrotar os soldados que deixamos para trás.” Esse portal em Hudson não abre dentro das fronteiras de meu reino no Outro Mundo. Estava perto o suficiente para meus aliados, no entanto, fazendo a viagem valer a pena a fim de receber tratamento médico seguro no mundo humano. Ainda assim, nunca fizemos a viagem sem uma escolta segura e armada do outro lado.

O vento parecia aumentar à medida que caminhávamos, empurrando contra nós e retardando nosso progresso. Eu poderia ter usado minha magia para controlá-lo mas estava diminuindo enquanto mais próximos ficávamos do criador da tempestade — ou melhor, criadores. Havia apenas duas pessoas na história dos nobres que poderiam convocar e controlar sozinhas tempestades como esta. Uma era meu falecido pai. A outra era eu. Minha aposta era que esta era trabalho de um alguns usuários de magia, um pensamento que me fez cerrar os dentes de frustração. Um monte de planejamento seria necessário para isso, o que significava que meus inimigos sabem sobre Hudson há muito tempo.

Quase tão irritante como ser descoberta foi ter de lidar com minhas próprias limitações físicas. Eu não estava aleijada, não literalmente. Eu nem estava andando como uma pata ainda. Mas, como eu disse à doutora, eu simplesmente não conseguia fazer as coisas que costumava fazer. Meia milha nem era uma distância grande, não de qualquer forma, especialmente em calçadas suburbanas. No meu estado de pré-gravidez, eu poderia ter facilmente saído em uma corrida e cobrido a distância rapidamente. Agora, eu estava em meu mais veloz meio passo, e muito consciente do fato de que estava retardando Jasmine e Pagiel.

Saímos da estrada principal, cortando pelos arredores de um vasto parque. Portais do Outro Mundo raramente são encontrados próximos a locais densamente povoados, áreas urbanas, e este estava nos fundos do terreno do parque. As árvores bloquearam a maior parte da força do vento, mas os ramos balançavam loucamente, nos banhando com galhos e folhas. Nós eramos os únicos na estrada, já que a maioria dos humanos razoáveis estariam no abrigo de suas casas. “Aqui,” eu disse para meus companheiros, forçando minha voz a ser ouvida sobre o vento. Peguei minha varinha da mochila em que usava e um athame de ferro. “Se eles vão nos atacar, será—”

Eles atacaram.

Cinco espíritos, dois elementais da água, e outro elemental que brilhava com algo escuro. Elementais eram nobres que não atravessaram totalmente para este mundo em suas formas originais. Eles se manifestam como criaturas vagamente antropomórficas compostas de qualquer elemento fortemente vinculado à sua magia. Na tempestade, eu suspeitava que eles eram os que estavam mais próximos, mas eles também eram provavelmente os mais fracos. Gastariam todo seu poder apenas para manter essas condições meteorológicas, não sobrando nada para a luta. Nessa batalha nós eramos os mais fortes, e os espíritos eram uma escolha de reserva usada frequentemente. Espíritos que não ficam no submundo pouco se importam com regras humanas ou do Outro Mundo. Eles eram, portanto, recrutas fácil dos nobres que se opunham a mim.

Eles não eram os únicos que tinham ajuda além dos portais.

“Volusian!” Eu chamei. Eu rapidamente gritava as palavras que convocariam os espíritos que me serviam. Os sons foram perdidos no vento, mas isso não importa. Minha intenção e poder eram o que importavam, e em poucos segundos, Volusian materializou-se. Ele era menor que eu, com orelhas pontudas, olhos vermelhos e pele preta e lisa que sempre me lembraram uma salamandra. “Os espíritos!”, eu estalei.

Volusian não precisava que insistissem muito. Ele me odeia. Ele quer me matar, de qualquer forma. Mas enquanto eu o prendia para me servir, ele é forçado a obedecer meus comandos. Ele atacou os espíritos com fúria, sua magia queimando branco azulada na paisagem sombria. Jasmine já havia criado seus elementais de água enquanto Pagiel criou sua magia, ao qual eu assumi ter uma ligação com o ar ou a atmosfera.

E eu? Fiquei para trás. Odiava fazê-lo, mas não tinha escolha. Nós tínhamos ensaiado isso de novo e de novo. A decisão de ter os gêmeos não significava nada se eu ficar me jogando em batalhas – ou pior – morrer. Protegendo a mim mesma, eu os protegia, mesmo que isso fosse contra cada instinto de luta que eu tinha. Felizmente, eu não era totalmente inútil. Nossos atacantes me buscavam mas estavam distraídos por meus aliados. Isso me deu liberdade para usar minha magia e diminuir alguns efeitos irritantes do tempo. Também me permitiu banir os espíritos. Volusian também estava lidando com eles mas, obviamente, quanto menos, melhor.

Eu estendi minha varinha para um dos espíritos, uma vez que encurralaram-se entre Volusian. Eles eram translúcidos, criaturas espectrais que flutuavam no ar e faziam quase impossível vê-los ao ar livre no sol. As sombras e nuvens fizeram eles assustadoramente visíveis. Abrindo os meus sentidos, deixei esse mundo e visualizei o Outro Mundo. Escovei os portais do submundo, estabelecendo uma conexão sólida o suficiente para não me puxar. Banir espíritos para o Outro Mundo era algo fácil ao qual eu estava acostumada e era minha tática quando eu precisava eliminá-los. Espíritos enviados para lá podem retornar, no entanto, eu não poderia correr mais esse risco. Quanto menos deles ao redor para retornarem por mim, melhor. Era o submundo ou fracassar. Eu me concentrei, usando a magia humana que eu aprendi como xamã para conduzir um espírito deste mundo. A criatura gritou em fúria quando um portal do submundo abriu sobre ele, e segundos depois, ele dissolveu-se em nada. Eu imediatamente foquei minha visão em um segundo espírito, permitindo-me apenas brevemente avaliar o progresso de Pagiel e Jasmine. Para meu espanto, Pagiel já tinha derrotado um elemental. Eu sequer tinha visto acontecer. Eu tinha o poder para banir os elementais de volta para o Outro Mundo, mas para meus outros dois companheiros, confronto físico era a única opção. Pagiel usou sua magia para destruir o elemental totalmente, como se fosse algo sem importância. Eu sabia que ele era um usuário forte da magia, mas nunca realmente o tinha visto em batalha até agora. Ele era mais forte que Jasmine, percebi. Ele imediatamente juntou-se ao seu lado contra um elemental da água, atacando-o com um vento que o paralisou enquanto ela usava sua magia para chamar a água em sua forma elemental, rasgando-o em pedaços. Enquanto isso, eu bani um segundo espírito.

“Eugenie, vá!”, gritou Jasmine, apenas dando-me um olhar enquanto ela e Pagiel lutavam com o último elemental. Volusian caiu sobre um espírito. As chances estavam a nosso favor agora. Nenhum dos agressores teriam chance de fugir e me perseguir.

Eu fiz uma careta, mas não hesitei. Novamente, isso faz parte do plano que estabelecemos. Eles estavam aqui por mim. Se eu for embora, eles não seriam destruídos primeiro, eles provavelmente deixariam para que Jasmine e Pagiel (e Volusian) saíssem. Eu me senti uma covarde e tive que ficar me lembrando, se eu morrer, os gêmeos morrem.

Eu estava indo a meio passo, usando minha magia para clarear a tempestade e facilitar minha passagem. À minha frente, o portal se destacava em contraste com a grama verde do parque. Não importa quantas vezes os paisagistas tentem retirar os anéis que marcam o portal, eles sempre voltam um dia. É o que marca os portais.

Eu estava a alguns passos do portal quando algo bateu à minha esquerda. A força me derrubou, e eu mal consegui desviar meu corpo de uma maneira de minimizar o choque com meus joelhos. Tinha sido tolice acreditar que o portal não estava sendo guardado. Meu atacante era outro elemental, aparentemente composto de musgo e folhas. Ele se deteriorou e transformou ante meus olhos, mostrando quão fraco o elemental realmente era. Ele mal conseguia viver neste mundo. A chances da criatura sobreviver eram pequenas, ainda que aparentemente a criatura acreditava valer a pena o risco de sua vida pela minha.

Lutei com meus pés quando veio até mim. Em umas das mãos, o elemental segurava um punhal de cobre, afiado em sua ponta fina. Cobre está entre os mais difíceis metais que um nobre pode empunhar, e mesmo que não seja tão eficaz como o aço, ele ainda pode chegar a matar. O elemental se movia lentamente e de forma estranha, dando-me tempo suficiente para ficar em pé, mesmo em meu estado precário. Eu ainda tinha o athame de ferro e senti alguma satisfação que grávida ou não, eu estava mais rápida que essa débil criatura. Ela balançou sobre mim, e eu facilmente a evitei, dando uma cobertura para meu athame. A lâmina fez contato, cortando o peito verde do elemental. Ela gritou de dor, e eu tomei a rápida decisão de não terminar isso ainda. Eu não tinha o luxo de bancar a heroína. A lesão era mais do que suficiente para retardar o elemental e permitir-me saltar para o portal. Corri e fui para o Outro Mundo. O portal era forte o suficiente para trabalhar todo o ano e exigia quase nenhum esforço de quem soubesse usá-lo. Foi uma das razões pela qual escolhi esse lugar.

O portal entre os dois mundos estava aberto, e eu senti uma sensação nauseante, como se eu estivesse sendo montada e desmontada. Em poucos segundos, eu me vi em pé em meu reino, cercada por meus próprios soldados. Não havia sinal de quaisquer inimigos, e o olhar assustado que meu guarda me deu, com minha batalha – eu estava em um estado totalmente inesperado. Eles não perderam tempo, no entanto, e estavam com suas armas em punho no instante que o elemental me seguiu até o portão.

Somente que já não era mais uma elemental. Não era nem mesmo uma “coisa”. Foi um ela, uma mulher da nobreza não tão diferente de mim com cabelos castanhos trançados em um coque alto. Ela cambaleou dois passos em minha direção, ainda segurando o punhal de cobre, antes de cair no chão. Sangue brotando de seu peito, mostrando a gravidade do ferimento que fiz nela. Ele tinha sido feito com o ferro – o veneno do sobrenatural – e ocorreu no mundo humano, onde ela estava ainda mais fraca. Talvez ela poderia ter sobrevivido a um ferimento similar em seu mundo, mas agora é tarde. A adaga caiu de suas mãos enquanto ela debilmente agarrou seu peito. Durante todo o tempo, seus olhos nunca me deixaram.

“Morte… com a profecia…” Ela ofegou, pouco antes de a morte levá-la. A luz deixou seus olhos cheios de ódio, e logo ela não viu mais nada. Eu me senti doente.

Recém-chegados no portal imediatamente chamaram a atenção de meus guardas, mas eram somente Jasmine e Pagiel. Eles pareciam que acabavam de sair de uma luta mas não mostravam nenhum ferimento grave. Jasmine olhou para mim primeiro, e apesar de sua expressão dura, eu sabia que ela estava certificando se eu estava com alguma lesão, tal como eu com ela. Era difícil acreditar que alguma vez tínhamos sido inimigas.

Satisfeita por eu estar bem, ela olhou para a mulher morta antes de encontrar meu olhar. “Bem,” Jasmine disse, relaxando um pouco. “Pelo menos você não tem mais que ir para Ohio”

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Publicado em 04/12/2011
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Comentários
  1. Amy disse:

    Uau, a capa americana é muito bonita…’-‘ eu tenho esse mal, sempre acho a capa estrangeira mais bonita que a nossa 🙁 maldade.
    ausauhsahusuh

    beijos

    Amy 🙂

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