Autor: Dinah Jefferies
Editora: Paralela
Páginas:
432
Classificação:
3.5/5 estrelas

Escrito em 2015, esse é o segundo romance de Dinah Jefferies, o primeiro a sair no Brasil, e alcançou por 16 semanas a lista dos mais vendidos na Inglaterra, e a Paralela acertou em cheio ao trazer essa história recheada de dramas com sua capa original  lindíssima que transmite um pouco do que vamos encontrar no livro.

O Perfume da Folha de Chá passa-se na década de 20 e conta a história de Gwendolyn Hooper, uma jovem de 19 anos que vivia com os pais em Owl Tree, Inglaterra, até conhecer Laurence Hooper, um viúvo de 37 anos, empresário bem sucedido do ramo de chá, um homem que todas as mulheres adoravam e os outros homens respeitavam. Eles se casam, e Gwen vai morar no Ceilão (colônia britânica do oriente, hoje chamado de Sri Lanka) na próspera e promissora fazenda de chá do marido.

Gwen estava apaixonada por Laurence, assim como o marido por ela e, ao chegar à fazenda, acreditava que teria uma vida confortável e tranquila. O que ela não esperava era se deparar com a frieza dos funcionários da fazenda, e o não entendimento à língua tâmil e cingalesa dificultou à aproximação. Muito menos esperava que as amizades de Laurence não fossem confiáveis, despertando nela inseguranças, raiva e principalmente ciúmes, sentimento esse presente em várias partes da história e para acrescentar e piorar a sua vida, terá que suportar a cunhada, Verity, que fica no seu encalce atormentando a relação com o marido o tempo todo. Para acrescentar ainda mais tempero, por mais apaixonados que fossem um pelo outro, Laurence não é uma pessoa de mostrar sentimentos, o que dificulta ainda mais a relação entre eles..

Você é importante demais para mim, Gwendolyn.Nem sempre sei expressar meus sentimentos, mas espero que você saiba disso.

Com esse início atribulado, Gwen vai vivendo e descobrindo segredos do passado do seu marido, porém devido à esse comportamento fechado de Laurence tem dificuldade de obter todas as respostas. E ao descobrir-se grávida ela acredita que isso trará a paz e a resolução de todos os seus problemas e é aí que ela se engana, e é no momento do parto que algo grande ocorre, um grande acontecimento em que girará toda a trama restante do livro, e Gwen terá que conviver com algo terrível, que a atormentará e a fará fazer escolhas… escolhas essas que podem afetar sua vida para sempre.

Gwen sabia que não podia ficar trancada no quarto para sempre, nem permitir que o que acontecera arruinasse sua vida, ou a de Laurence. Era preciso encontrar alguma determinação dentro de si, uma força da qual não precisara até então.

O livro é narrado em terceira pessoa e divido em 4 partes: Nova Vida; O segredo; O sofrimento e por último A Verdade. A escrita de Dinah é fluida, limpa e cativante, enredo bem evoluído, para ter ficado perfeito poderia ter enxugado um pouquinho a história que assim ficaria na medida certa.

A década de 20 é retratada com perfeição, fazendo o leitor se imaginar nos trajes e costumes da época, período no qual as mulheres passam a adotar mais “liberdade”, abandonando seus espartilhos e passando a usar vestidos na altura do joelho, maquiagens mais vibrantes, batom vermelho, cabelos curtos, fumar em público e dirigir seus próprios carros. Além disso, as passagens históricas retratadas exatamente como foram levam o leitor direto para as aulas de história como a quebra da bolsa de Nova Iorque de 1929, período esse que afetou diretamente afetado o casal da trama.

Contudo, o mais importante, a mensagem que a autora quer passar é claramente entendida pelo leitor, o recado sobre o que uma mãe/mulher é capaz de fazer pelo seu filho e sua família, nos faz repensar nossos valores, caráter, e como o passado pode interferir no futuro, além de ir fundo em diferenças raciais. Enfim, o livro é um prato cheio para quem gosta de dramas, segredos e mistérios. Torço para que a Paralela continue publicando as histórias de Dinah Jefferies, porém com uma condição: mantenham as capas maravilhosas!

Gwen limpou as lágrimas e sorriu ao ver os pássaros levantando voo sobre o lago. A vida continua, ela pensou. Só Deus sabe como, mas a vida precisa seguir em frente.

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Publicado em 13/04/2017
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