Autor: Adriano Rossi
Páginas:
279
Classificação:
4/5 estrelas

André tem tudo o que um homem de 28 anos de idade deveria querer, é médico, tem sua própria clinica, casado há dois anos e está prestes a ter sua primeira filha. A única coisa que não se encaixa tão bem nesse quadro familiar é seu enteado, Gabriel, que por mais que ele tente gostar, não consegue. Porém, apesar disso é uma vida boa, ele deveria estar feliz com todas as realizações que alcançou, mas nada na vida é tão simples como deveria ser. Só porque ele tem tudo que um homem deveria querer na sua idade, não significa que está feliz por ter essas coisas. Na cabeça dele, ele não fez nem metade das coisas que deveria ter feito.

Estava cansado e desanimado, por mais que fosse obrigado a se sentir feliz na situação em que se encontrava. Esta é uma das piores obrigações. A obrigação de ser feliz.

Gabriel, por sua vez, como qualquer outra criança só quer se sentir querido, queria alguém que tivesse orgulho de dizer que era seu pai. Porém, seu pai não passava de um vagabundo, um erro na vida da sua mãe. E seu padrasto era o mais próximo do que ele tinha disso.

Gabriel amava o pai e odiava a si mesmo por isso. Sabia que o pai era um crápula, um vagabundo que não era digno de amor, porém isso não impede um filho de amar seu pai. Mas aparentemente alguma coisa impedia um pai de amar o filho.

Diferente do que a premissa sugere, não se trata simplesmente de uma relação complicada entre padrasto e enteado, o livro fala sobre verdades cruas, verdades que pensamos, mas não falamos, verdades que às vezes deixamos que nos consumam para não magoar os outros. E também sobre a dor, sobre dores que somos capazes de suportar e aquelas que doem tanto que bloqueamos o sentimento, que preferimos não sentir nada a ter que aguentar a dor. André, após sentir a maior dor de sua vida, perde o medo dessas verdades cruéis, ele prefere que ela seja dita ao invés de mascarar as coisas com mentiras bondosas. Toda essa verdade causa um estrago imensurável em Gabriel, e o atormenta mesmo anos depois de ter sido dita.

É doloroso estar na pele de ambos os protagonistas, ambos mascarando a dor com álcool e mulheres, feridos de uma maneira tão grande que acabam enfrentando a vida superficialmente. Continuam nadando, porém nunca mergulham, vivem fugindo do passado, tentando enterrar tudo que viveram.

O romance é como uma luz no fim do túnel, nos enche de esperança, ao mesmo tempo que dá aquele toque de leveza que o livro precisava para não ficar muito pesado, com tiradas engraçadas e alguns momentos fofura para falarmos: “Ele ta tão na sua!”. Eu como uma amante de romances já logo penso: “Será essa que vai tirar ele do fundo desse poço e resolver todos os problemas da vida?”, e o Adriano Rossi (autor), me responde isso com várias verdades cruéis, magoou meus sonhos de conto de fadas.

A escrita te conduz facilmente capítulo por capítulo, flui tão fácil que quando percebe o livro já está no final. E quando esse final chega deixa um gostinho de quero mais, fiquei bem curiosa com o futuro de alguns personagens e com bastante raiva de outros.

Tive coragem para foder com a vida do menino sabendo que a minha já não tinha salvação. Um homem tem que ser um desgraçado muito grande para ter coragem de fazer isso. Eu tive.

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Publicado em 06/02/2017
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Comentários
  1. Carlos Silvestre disse:

    Excelente leitura, intrigante, contemporânea, em uma linguagem simples e direta. O autor traça um paralelo muito interessante entre as frustrações e a fuga. Recomendo.

  2. Bruno disse:

    Um livro bom que vai te mostrar que ter tudo pode gerar muita pressão, muita expectativa e pode “foder” sua vida!

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