Dra. Louisa Banks é uma linguista e professora universitária. Em um dia que parecia como outro qualquer, espécies de naves alienígenas aparecem em 12 lugares do mundo, e ela, diferente da maioria das pessoas, não parece se interessar ou se apavorar com o assunto e segue sua vida normalmente. Ela então recebe a visita do Coronel Weber, que quer sua ajuda para traduzir a comunicação que eles vêm tentando ter com os recém-chegados. Contudo, ela é firme em afirmar que somente o contato com os aliens poderá resultar em algum tipo de comunicação, e ainda que o coronel se mostre resistente, sua única opção é aceitar os pedidos da doutora.

A trama toda se passa ao redor da nave que aterrissou nos Estados Unidos, e dentro do acampamento militar onde Louisa trabalha ela conhece o físico Ian, que ao seu lado e com o apoio de militares vão tentar descobrir qual o propósito dessa chegada em massa dos aliens e qual é sua mensagem para o mundo.

A direção é do canadense Denis Villeneuve que vem se destacando nos últimos anos com filmes como Sicario, Os Suspeitos e O Homem Duplicado, entretanto esse foi o primeiro filme que vi do diretor e já me impressionei ao ponto de querer conferir tudo que ele já fez. Gostei da forma como ele trabalha o suspense, como a câmera sempre está no olhar da Amy Adams, como ele coordena a fotografia, efeitos visuais e a direção de arte, é um filme tecnicamente muito bem feito. O roteiro foi escrito por Eric Heisserer e é baseado no conto Story of Your Life do autor Ted Chiang, e após o filme eu quero ler o livro que o inspirou com loucura. Outro grande trunfo foi a trilha sonora de Jóhann Jóhannsson. Densa, ela chega a te incomodar naqueles momentos mais tensos, há até uma sensação de claustrofobia e sem dúvidas é uma das melhores trilhas do ano, possível indicação ao Oscar.

O elenco multiestrelado é liderado pela maravilhosa Amy Adams, que é a dona do filme todo. Ela está ótima, no começo parece uma personagem apática, mas ao longo do filme vai desenvolvendo uma força impressionante, sua atuação é firme e digna de indicação ao Oscar, só acho. Amei o fato dela ser uma linguista e tradutora, eu me senti representada ao assistir ao filme, alguns conceitos teóricos da linguística são muito bem utilizados e bem claros de entender e fazem todo o sentido na história, diferente de outros filmes de invasão ou exploração espacial que só temos engenheiros e físicos como protagonistas, aqui temos a área de humanas bem representada. E se você é do tipo que menospreza humanas, espero que reveja seus conceitos.

Nos últimos anos tivemos alguns filmes desse gênero, mesclando drama e ficção cientifica, como Gravidade e Interstelar, este último apesar de um bom filme, presume muito a ignorância do espectador. O que faz A chegada ser diferente e até menos presunçoso que interstelar é a sua simplicidade, existem duas linhas claras no filme, o drama pessoal da Louisa e a parte de “invasão” alienígena, ambas se completam e são igualmente boas. A parte dramática do filme é de cortar o coração, principalmente para os pais de plantão, e inclui uma escolha muito difícil. A parte scifi do filme é interessante, intrigante e até surpreendente.

A chegada é um dos melhores filmes de um ano muito fraco e pouco criativo para o cinema blockbuster. Tem uma direção criativa, uma trilha sonora intensa, ótimas atuações e um final que me deixou com a fala embargada, sai do cinema sem palavras, e nem sei se encontrei todas. Estou mandando, assistam!

Tenho minha cabeça virada para as estrelas por tanto tempo que nem posso me lembrar. E o que mais me surpreendeu não foi encontrá-los. Foi te encontrar.

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Publicado em 07/12/2016
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