Autora: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras
Páginas:
270
Classificação:
2.5/5 estrelas

Eu não conheço o outro livro (muito aclamado, diga-se de passagem) da autora Muriel Barbery, A elegância do ouriço, mas por todos os lados que eu pesquisei sobre ela o que aparecia eram elogios a ele… e críticas a A vida dos elfos. Como decidi ler esse livro num impulso, só fui pesquisar depois de já estar com ele, e provavelmente não o teria escolhido se não tivesse sido assim. Mas não é um livro que eu me arrependa de ler, o que é um indicativo de que nem sempre devemos seguir o que os outros dizem, não é?

Não conheciam nenhum adulto que soubesse tocar assim aquele prelúdio, porque aquela criança tocava com uma tristeza e uma dor de criança, mas uma lentidão e uma perfeição de homem maduro, quando ninguém, entre os adultos, conseguia mais alcançar o encantamento do que é jovem e velho ao mesmo tempo.

A vida dos elfos conta sobre Clara, uma menina italiana criada numa pequena vila em seu país, que cresce para se tornar uma virtuose do piano, capaz de visualizar coisas de outros lugares quando toca e por vezes compartilhar essas visões com quem ouve, e Maria, uma menina espanhola que, por algum motivo que não foi especificado, foi criada na França, com uma afinidade além do normal com a natureza, os animais e o reino além deles. Ambas as órfãs estão ligadas de uma forma que não entendem e têm um papel muito importante na batalha entre o bem e o mal que se desenvolve, ainda que bem lentamente, no decorrer do livro, com elfos e humanos disputando pela terra e as duas garotas, com vínculos de ambos os lados, sendo a chave para a vitória.

É fácil dizer que a escrita poética e elegante da autora é um dos pontos fortes do livro, visto que te envolve e faz você avançar relativamente rápido… Mas é também seu maior ponto fraco, porque muitas vezes ela parece se perder no que está tentando dizer, de tantas metáforas que usa, se desviando do propósito até o ponto de você perceber depois de dois parágrafos que não sabe mais sobre o que está lendo. É ainda mais complicado porque o livro é muito mais a narrativa do que os acontecimentos, chegando ao ponto de parecer que a autora está contando a história para si mesma e divagando um pouco.

“Só há dois momentos em que tudo é possível nessa vida”, disse Petrus, “Quando você bebe e quando você cria estórias.”

O fato de haver muitos personagens secundários também complica a leitura. É fácil se perder em nomes e ter dificuldade em lembrar quem é quem, especialmente porque a maioria é definida por uma ou outra característica apenas e quando a cena não foca nessa característica todos eles somem numa mescla, principalmente se estão falando de/com uma das meninas. Pelo menos, as duas são doces, principalmente Clara, que me cativou por sua sagacidade.

Foi uma leitura mediana, até um pouco preguiçosa, porque a autora não teve pressa em avançar o enredo, então eu não tive pressa em terminar de ler. Achei a escrita da Muriel muito bonita, como disse antes, apesar do ocasional devaneio, mas quando descobri que esse livro é o primeiro de dois soube imediatamente que não iria ler a continuação, que ainda não saiu, até onde eu pude ver, de qualquer forma. É um livro bom, mas não bom a esse ponto.

Mesmo que não tenha sido roçado por carícias, há em cada ser a consciência nativa do amor, e mesmo que ainda não tenha amado ninguém, ele conhece o sentimento por uma memória que atravessa os corpos e as eras.

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Publicado em 30/07/2016
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