Vicious

Autora: V.E. Schwab
Editora: Tor
Páginas:
 388
Classificação:
 4.5/5 estrelas

Lockland é a universidade para onde as mentes mais brilhantes vão, e no topo dessa elite intelectual, temos os melhores amigos Eli Cardale e Victor Vale. Desafiados pelo professor de ciências a serem ambiciosos e criativos, saindo da zona de conforto, na tese do curso, Victor decide investigar os efeitos da adrenalina no corpo. Eli ousa mais: Ele vai estudar EOs, ExtraOrdinários, pessoas com poderes sobre-humanos, descobrir se realmente existem e, se sim, como surgem.

Eu quero acreditar que existe mais. Que nós poderíamos ser mais. Inferno, nós poderíamos ser heróis.

Esse é um tema ousado, mas quando o professor o aceita, não demora pra que Victor fique incomodado. Afinal, Eli pode ser seu melhor amigo, mas se ele for bem sucedido, Victor ficará em segundo lugar, relegado ao “braço direito do gênio”, e isso é inadmissível! O que fazer então? Ajudar, é claro. E quando Eli chega à conclusão de que os poderes de EOs surgem como resposta a experiências de quase morte, os estudos de Victor sobre adrenalina se tornam muito convenientes para um passo além da simples descoberta… Afinal, se você sabe como criar um ser humano super poderoso, então por que não fazer exatamente isso? Victor está até disposto a servir de cobaia.

Então tudo está bem, tudo está bom, só que os estudos práticos dão certo e subitamente tudo mais dá errado. Victor passa dez anos na prisão e quando ele sai só existe um objetivo: vingança. E, ah!, ele também quer Eli morto, mas isso ele já queria antes de ser preso, por motivos que vale muito a pena ler o livro pra descobrir.

“Você deve criar tempo para aquilo que importa,” ele recitou, “para aquilo que te define: sua paixão, seu progresso, sua caneta. Pegue-a e escreva sua própria história.”

Nem Victor nem Eli são pessoas perfeitas. Na verdade, nenhum dos dois é exatamente um mocinho-herói, e não dá pra dizer com certeza sequer qual dos dois é o lado certo, mas você acompanha, na maior parte do tempo, a perspectiva de Victor e é quase sem perceber que a autora faz com que você torça por ele, mesmo que a cada momento fique mais claro que ele é um sociopata. Ao menos, é o melhor dos dois, né?

Nesse jogo não há o cara bom.

E a forma como tudo se desenvolveu, a gama de poderes e o modo como eles são explicados, baseando-se no que a pessoa sentia e queria no momento em que estava morrendo, é incrível. Vamos desde ressuscitar mortos a teletransporte, passando por coisas super criativas e inesperadas. E mesmo as pessoas sem poderes especiais não perdem seu destaque – estou destacando Mitch nesse tópico, o companheiro de cela de Victor que escapa da prisão com ele, um grandalhão tatuado com jeito de brutamontes que é um doce de pessoa e excelente hacker, cuja má sorte, apenas, foi responsável para levá-lo para trás das grades.

A narrativa é feita alternando-se entre o antes e o agora, o que no começo é um pouco confuso, mas serve como excelente ferramenta para deixar o leitor ansioso, sem vontade de parar, para saber o que acontece depois e o que aconteceu antes. Por que as coisas ficaram como estão? Como se resolverão? V.E. Schwab mandou muito bem no modo como optou por contar tudo, inclusive os desencontros e reencontros.

“Ninguém vai te machucar. Você sabe por quê?” Ela negou com a cabeça e Victor sorriu. “Porque eu vou machucá-los primeiro.”

Uma coisa que pra mim foi particularmente interessante é a relação entre as irmãs Serena, aliada de Eli, e Sydney, aliada de Victor, mas é difícil falar dessas duas sem spoilers, então vou deixar para o leitor descobrir como a autora explora a fraternidade de maneira surpreendentemente realista com seus desentendimentos e conflitos, mesmo com os adicionais de poderes especiais e lados inimigos.

E o final é espetacular! Estava começando a pensar que estava simples demais, quando a autora me pegou pelos cabelos e virou a coisa toda do avesso, me deixando sem fôlego e muito satisfeita de saber que, embora o livro tenha sido escrito como standalone, uma continuação está para ser lançada. Não é realmente necessária, mas vou adorar reencontrar todos, sem sombra de dúvida!

Os momentos que definem vidas nem sempre são óbvios. Eles nem sempre gritam OPORTUNIDADE, e em nove a cada dez vezes não há corda para passar por baixo, nenhuma linha pra cruzar, nenhum pacto de sangue, nenhuma carta oficial num papel extravagante. Nem sempre são momentos alongados, cheios de significado. Entre um gole e outro, Victor cometeu o maior erro de sua vida, e ele foi feito em não mais de uma linha. Com três pequenas palavras.

“Eu vou primeiro.”

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Publicado em 14/12/2015
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Comentários
  1. Camila disse:

    Oi Gabi, você sabe se alguma editora comprou os direitos para lançar aqui no Brasil? Fiquei interessadíssima no livro 😉

    Obrigada.
    Camila

    1. Gabrielle disse:

      A Record está publicando os livros da autora no Brasil agora, mas não sei se adquiriu esse ):

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