filha da floresta

Autora: Juliet Marillie
Editora: Butterfly
Páginas:
616
Classificação:
5/5 estrelas

Tenho que ser clichê e começar essa resenha informando que nada do que eu escrever será suficiente para explicar esse livro. Não só ele tem mais de seiscentas páginas como também tem um mundo todo novo para explicar, e já em suas primeiras páginas impressiona.

Se o senhor não acordar logo, perderá a nós todos, um por um.

A autora começa sua história relatando que se inspirou em um conto dos Irmãos Grimm, Os Seis Cisnes, para escrever a série Sevenwaters, que gira em torno de uma província de mesmo nome, um lugar onde os Seres da Floresta possuem forte presença e todos crescem ouvindo histórias sobre seus feitos e o perigo de se envolver com o Outro Mundo.

É nesse povoado que sete irmãos vivem e Sorcha, nossa protagonista, é a sétima filha de um sétimo filho com uma terrível tarefa pela frente. Com sua vida simples e de pequenas alegrias, ela cresceu para se tornar a curandeira entre os seus e protegida por todos os seus outros irmãos. Porém, quando uma maldição cai sobre eles, cabe a Sorcha lutar para salvar a todos. E, em uma batalha ancestral onde todos são peões nas mãos dos Seres da Floresta, ninguém vai sair ileso.

Para ilustrar melhor minha paixão e dificuldade para escrever sobre esse livro, vou confessar que o li assim que chegou em casa, na primeira metade do ano, mas ainda não estou pronta para passar tudo que senti, a loucura que foi para uma amante de fantasia encontrar algo tão bem elaborado e construído, e são livros como esse que me lembram porque amo tanto resenhar; não é só sobre contar uma história, para isso há milhares de sinopses por aí, e sim sobre como me senti e vivenciei essa história e passar toda essa gama de sentimentos para frente, com a esperança de que alguém também sinta o mesmo e se apaixone também.

Por que devo me modificar só para agradar a um homem? Se ele não gostar de mim como sou, que procure outra pessoa para se casar.

Filha da Floresta é um livro que transpira magia e a autora se mostrou uma contadora nata de historias do início ao fim, com uma capacidade de poucos para realmente te colocar dentro da trama, vivendo cada momento de paixão e desespero, muitas vezes me levando a euforia e, infelizmente, às lágrimas.  A escrita parece simples mas em retalhos algo grande é construído.

Entre lágrimas e risos, acompanhei a história de Sorcha, uma garota que precisou percorrer todo um caminho para se tornar o que estava predestinada a ser, e essa foi uma viagem além da idade ou experiência, onde uma criança perde a inocência e laços para lutar por aqueles que ama. Muitas vezes em formato de diário,  Sorcha relata o que aconteceu com ela, sua lenda, perdas e vitórias.

“Por que Sorcha? Por que justo ela tem de sofrer tanto? Ela é inocente e incapaz sequer de ter maus pensamentos. Por que deve fazer esse sacrifício por nós?”

“Porque ela é a mais forte. Porque ela se dobra com o vento, mas não se quebra.”

E ainda há os vários irmãos da protagonista, mas nenhum chama mais atenção que Connor e Finbar, cada um deles sábios de uma forma diferente, sobretudo Finbar com seu jeito introspectivo, seus segredos e a maldição do seu dom.

Juntos, eles ensinam uma lição ao leitor sobre perda, fraternidade e a realidade da vingança, de dar o troco quando já se perdeu algo que vingança alguma trará de volta. Essa é uma história que vai além dos contos bonitinhos, com uma lição para contar, e se aprofunda mais nos reais sacrifícios, o amor, as vitórias e, acima de tudo, a magia. E mesmo com essa avalanche de eventos, em momento algum a autora deixou de explorar cada nuance, e se foi difícil seguir em frente, isso simplesmente aconteceu porque, mesmo como leitora, ver alguém sofrer tanto e ser traída a cada passo não é fácil.

Ele não conseguiu encontrar as palavras corretas para se despedir. Hesitou. Deixou escapar a dor de sua alma e a feriu. Jurou que não a magoaria, mas magoou. Devia ter-lhe dito… devia ter dito… Não importa se você está aqui ou lá, pois sua imagem está em minha mente o tempo todo. Vejo-a na luz sobre a água, no balanço das árvores com o vento de primavera. Vejo-a na sombra dos grandes carvalhos e ouço a sua voz no pio das corujas à noite. Você é o sangue que corre em minhas veias e o bater do meu coração. É a primeira coisa que me vem à mente quando acordo e a última antes de eu adormecer. Você é… tudo o que sou, é o ar que eu respiro.

Ainda que seja uma ficção, sobre lendas, talvez sobre um passado que existiu, ou talvez sobre algo longe da realidade, seus personagens, suas dores e a sede por seguir em frente se tornaram reais a cada página, essa é a grande magia da leitura, e acreditar que em alguma parte do mundo existam pessoas com problemas diferentes, mas com a mesma coragem de, apesar de cada batalha, cada dor, que acreditam que é possível dar mais um passo e seguir em frente, traz um pouco de esperança.

Nada me preparou para Sevenwaters, e ainda que seja uma trama extensa, ela parece pequena para tudo o que ocorreu, é um dos poucos livros que posso dizer que vive em mim e não passará esquecido entre as centenas de outros que já li. Esse é um livro para inspirar, um livro que formará futuros escritores e ávidos leitores, porque como Harry Potter e outras tantas séries, a magia respira nessa história.

Você tem uma longa jornada pela frente. Não há tempo para chorar.

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Publicado em 04/02/2016
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Comentários
  1. Evy disse:

    Amo os livros da Juliet, já li 6 livros dela e a mulher não erra! Ela realmentetem o dom. Amo Filha da Floresta, sua resenha espelhou muitas das coisas que senti ao ler esse livro tão especial, mas o meu preferido da Juliet ainda é Filho das Sombras, esse livro é absurdamente magnífico.

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