Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 200
Classificação: 4/5 estrelas

Após ver seu marido partir para viver com uma outra mulher, mais jovem, Fiona Maye, uma Juíza bem sucedida está passando por momentos de crise. Quando ela se vê envolvida no caso de Adam Henry, um adolescente de 17 anos que sofre de leucemia e precisa de transfusões de sangue para sobreviver, cujo os pais recusam o procedimento devido as suas crenças, Fiona dedica-se ainda mais ao trabalho, mas quando conhece Adam, a atração pelo o garoto e os problemas pessoais começam a afetar sua vida.

A primeira vez que tive contato com uma das obras de Ian McEwan foi através do filme “Desejo e Reparação”, baseado no livro Reparação do autor. Após ter assistido o filme, fiquei muito curiosa para conhecer suas obras e, quando surgiu a oportunidade de ler A Balada de Adam Henry,  não pensei duas vezes e aproveitei as férias para lê-lo; posso dizer que essa foi uma das leituras mais interessantes que fiz no começo deste ano.

De início vemos os contrastes da vida de Fiona Maye, que enquanto vive uma carreira bem sucedida, a Juíza da suprema corte britânica enfrenta momentos de crise na vida pessoal. Após 35 anos de casamento, a proposta de uma relação aberta e o envolvimento de seu marido com uma jovem estagiária faz o relacionamento desabar. O arrependimento de não ter tido filhos e outras frustrações acabam afetando a sua vida e a faz questionar-se sobre suas escolhas. Mas quando Fiona precisa dar o veredicto ao caso do adolescente Adam Henry, diagnosticado com leucemia e que necessita de transfusões de sangue, mas se opõe ao tratamento com o apoio de seus pais Testemunhas de Jeová, ela procura conhecê-lo, mas com a aproximação do sensível Adam, ela se vê em uma situação ainda mais delicada.

…Quando prestou juramento perante o presidente do Judiciário e fez seu voto de lealdade diante de duzentos colegas de cabeça coberta pela tradicional peruca branca, vestindo com orgulho uma túnica e sendo objeto de um discurso espirituoso, ela soube que a partida havia terminado, que pertencia à Justiça como outrora algumas mulheres tinham sido noivas de Jesus Cristo.

A Balada de Adam Henry realmente me surpreendeu. E não só pela trama, mas também pelo estilo de escrita do autor, que acabou por me recordar as muitas obras clássicas que li. Densa e instigante, a trama envolvendo Fiona é envolvente e me fez querer saber o que iria acontecer nas próximas páginas.

E confesso que foi bem interessante acompanhar os dramas pessoais de uma mulher de meia-idade, que como Juíza precisa lidar com Justiça, religião e o adolescente Adam Henry, e como esposa precisa lidar com uma relação turbulenta com o marido e as consequências de suas decisões. Durante a leitura eu me segurava para não ler as últimas páginas para saber qual seria o desfecho da história, mas eu resisti. rs.

Sobre os personagens, eles são bem construídos e tão humanos que leitor vai perceber que existem pessoas que agem como eles na vida real. O enredo é muito bem trabalhado e a trama se desenvolve naturalmente. Os temas polêmicos que o livro aborda são retratados com maestria e mesclar o passado com o presente vem de forma natural através das mãos de Ian McEwan e sua narrativa madura.

Sua oportunidade de fazer promessas ternas, atraí‑lo de volta,
se desculpar por ter andado muito ocupada, cansada ou indisponível.
Mas ela desviou o olhar e nada disse.

Embora o romance seja mais indicado ao público adulto, eu também recomendo para os jovens leitores que estão à procura de um livro muito bem escrito, surpreendente e que além de contar a história de um ser humano em crise que precisa lidar com suas frustrações, nos traz questionamentos interessantes sobre relacionamento, trabalho, justiça e religião.

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Publicado em 14/01/2015
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