Autora: Lois  Lowry
Editora: Arqueiro
Páginas: 192
Classificação: 3.5/5  estrelas

Finalmente, após várias e várias edições de O Doador — hoje intitulado O Doador de Memórias em razão do filme –, a sequência do livro chegou ao Brasil e só posso torcer para que dessa vez vingue e os outros dois últimos livros da série sejam publicados.

Para quem não leu O Doador, A Escolhida não apresenta spoilers do livro anterior, entretanto a história e os personagens vão se encontrar para finalmente dar um desfecho a história, então é obrigatório ler o livro na sequência correta. Nesse segundo livro, conhecemos  Kira, uma garota com um problema na perna e com o dom de bordar e fazer magia com tecidos.

Queime, mundo flagelado
Fornalha feroz
Inferno impuro…

Porém, apesar de todas as suas qualidades, Kira é menosprezada em um mundo que não aceita defeitos e quando sua mãe falece seu único porto seguro vai junto com ela e um futuro incerto está a sua frente. Mas, para sua surpresa, o Conselho dos Guardiões precisa de suas habilidades e aparentemente ela finalmente encontrou seu lugar, até Kira descobrir que nem tudo que brilha é ouro e tudo tem um preço.

Não há muito mais a discorrer sobre esse livro sem correr o risco de revelar algo essência da história. A Escolhida é ainda mais compacto que seu livro anterior –apesar do número de páginas ser o mesmo-, não chega a ter duzentas páginas e elas revelam muito pouco, mais com o propósito de instigar o leitor a aguardar o livro seguinte do que se surpreender com a trama do livro, tudo chega a beirar ao óbvio, eu diria.

Orgulhe-se de sua dor. Você é mais forte do que aqueles que não sentem dor alguma.

Kira é a boa garota que sofreu toda sua vida pelo preconceito em relação a sua deficiência, mas graças a isso foi possível conhecer logo de cara quem são seus verdadeiros amigos, personagens que eu espero que tenham um espaço maior nos livros seguintes.

E então há a sociedade onde a garota vive, e mais uma vez Lois Lowry se destaca por criar um cenário futurístico plausível e interessante, provavelmente o único erro da autora foi dividir em partes uma história que encaixaria melhor em um único livro, pois ao mesmo tempo que suas histórias curtas instigam o leitor, não deixa de ser irritante toda a espera por um livro que também deve seguir as mesmas características do anterior: curto e pouco revelador, o que não deixa de ser uma pena.

Por que um lugar terrível destes precisa existir? Por que as pessoas têm que viver assim?

A sensação que mais se destacou em A Escolhida foi a de potencial perdido. O livro não possui toda a ação de O Doador, a autora não se aprofunda particularmente em algo e a trama parece mais um conto do que uma parte essencial da busca por uma nova sociedade menos opressora. Imagine, por exemplo, que você está vendo um filme maravilhoso, que te conquistou nos primeiros vinte minutos, mas a cada trinta minutos de filme o mesmo é pausado para só depois de alguns meses você assisti-lo mais um pouco e a mesma pausa acontecer repetidamente a cada trinta minutos. É óbvio que um dia o final chegará, mas o filme, por mais épico que seja, perde um pouco de sua atenção e, logo, interesse a cada vez que isso acontece, e é assim que me sinto nessa saga de livros da Lois Lowry. Ao todo ela pode chegar a ser boa, mas todo o fascínio se perde um pouco a cada pausa.

Eu preciso de todos vocês. Nós precisamos uns dos outros.

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Publicado em 22/12/2014
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