Autor: Paola Predicatori
Editora: Suma de Letras
Páginas: 184
Classificação: 3.5/5 estrelas

Quando tudo ao seu redor fica em pedaços, para onde ir? O que fazer para amenizar a dor e seguir em frente? No caso de Alessandra, protagonista de Meu inverno em Zerolândia, ela decidiu se distanciar de todos a quem tinha certo apreço e se refugiar em Zerolândia, um lugar onde somente ela e Zero existem e a opinião alheia não importa.

É a única coisa que eu queria. Voltar atrás. Parar o tempo.

Mas o que exatamente é Zerolândia? Na verdade, o que importa não é o que mas quem. Zero é, na verdade, Gabriel, um garoto conhecido por Zero em razão de suas atitudes para ignorar os estudantes de sua classe. Se ele vai a aula, ele dorme, desenha ou simplesmente não dá atenção ao que está ao seu redor e é exatamente isso que Alessandra precisa após perder sua mãe. Ela precisa de distância das futilidades adolescentes e lamber suas feridas em paz, mas estar ao lado de Zero não será como ela imaginou e talvez esse garoto que ninguém nunca prestou muita atenção seja a ajuda que ela precisava para seguir em frente.

O que mais me chamou a atenção nesse livro é quão fiel a sua cultura ele é. Ao invés de se converter aos trejeitos americanos, a autora escolheu fazer Meu Inverno em Zerolândia respirar a Itália e até bateu a saudade de meus amigos italianos, sempre com um cigarro em mãos e sotaque de máfia, mas é exatamente esse o problema na leitura desse livro, um dos motivos que me fez ficar em cima do muro em relação a ele. Primeiro, ele não é para todos, talvez ele fuja tanto do que é comum para a maioria dos leitores brasileiros (vamos confessar que os livros americanos ou que tentam imitar a cultura de lá imperam aqui) que a narrativa e desenvolvimento da autora não seja muito a gosto, então se você nunca leu nada escrito por um autor italiano, você vai estranhar e muito a narrativa dessa obra, mas você precisa começar com algo, certo?

Não se pode decidir quando parar de amar alguém, nem por quem se apaixonar.

Há também um outro fator que poderia se tornar um problema: tudo é muito lírico, abusando dos sentidos do leitor para não só ler a obra, mas sentir, seja a brisa do mar ou a tristeza da protagonista, e essa característica se encaixou perfeitamente para mim, foi um livro mais de sensações e algo que fez a leitura durar, algo essencial em uma obra tão curta.

E apesar do livro não conter nem duzentas páginas e ser, teoricamente, uma leitura rápida, a história de Alessandra não é nada simples, pode levar dias para entender e entrar no mundo da garota que cometeu diversos erros e teve sua família desestruturada após a morte de uma mãe que carregava a alegria e vontade de viver por onde passava. Há também Gabriel, com seus próprios problemas e escolhas a serem feitas e seu próprio potencial, o grande trunfo e falha da autora, porque um personagem com tanta história para contar merecia um espaço maior.

E é basicamente entre erros e acertos que essa leitura se desenvolve, o que deixa Meu Inverno em Zerolândia longe de se tornar um favorito mas algo que valeu o tempo de leitura ao ponto de eu querer ver até onde a autora vai após esse romance de estreia tão instável.

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Publicado em 18/09/2014
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