Autora: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384
Classificação: 5/5 estrelas

Aaaah, ACABOU! Meu Deus, ACABOU! Não acredito.

Partindo do início, comecei essa saga ao ler uma entrevista da autora mencionando que se inspirou na vampira de X-Men para escrever a obra, e eu, muito viciada na personagem, decidi comprar  a edição americana em pré-venda (foi o primeiro em inglês completo que li!). O que encontrei foi uma escrita que se encaixava perfeitamente com meu humor a tantos anos atrás, um livro lírico, que escorre sentimentos e uma descrição delicada. Sim, eu amei. Mas com tantas distopias com seus finais horrorosos, confesso que temia o que ia encontrar com esse. Pois bem, Incendeia-me, de certa forma, chegou para quebrar a sequência de finais dolorosos que andam sendo publicados.

Vingança. Acredito que ela nunca pareceu tão doce.

Mas, antes de ler o que eu achei do livro, indico que você pense bem antes de seguir em frente. Apesar de não liberar spoilers, é provável que muitos considerem o que vou escrever adiante algo bem óbvio e por si só já descubram o que vai acontecer. Não sei, vai de cada leitor, mas estão avisados. Siga em frente por conta e risco!

O enredo segue instantes depois de onde Fragmenta-me, conto narrado por Adam, parou. Warner revela para Juliette que Ponto Ômega não existe mais, e ambos acreditam que estão todos mortos. Entretanto, ela não está disposta a aceitar isso sem antes conferir por si mesma, e o que ela encontra no local onde costumava ser o porto seguro de tantos rebeldes são destroços e morte. Com Juliette obrigada a se adaptar novamente a uma nova realidade, ainda há mais segredos a serem revelados antes da garota que todos temem escolher qual caminho seguir.

“Eu não quero que você morra—Eu não quero te perder novamente—”
“Isso não é sobre você, Adam.”

É  muito, muito, muito complicado mesmo resenhar esse livro. Para vocês terem uma ideia, anotei mais de cinquenta frases da obra que achei bem intensas, uma por capítulo, no mínimo, mas não vou e nem posso colocar todas aqui. Aliás, as melhores decidi nem listar para não estragar surpresas e outras reações. O que posso dizer é que tudo se encaixou — apesar de sentir uma certa ingenuidade na forma como tudo ocorreu nas últimas páginas. Warner simplesmente roubou as cenas, esse garoto acaba comigo, há muito tempo não sentia um fogo tão grande por um personagem, os últimos foram uma decepção.

Já Juliette é como uma criança, engatinhando, se erguendo, para finalmente mostrar para o que veio nessa última parte da trilogia. Juntos, eles formam um casal explosivo, tiro minha calcinha para o Warner, as cenas, a pegada, tudo que ele sofreu e que ainda vai sofrer. Eu sei que não sou nada imparcial quanto a ele, mas é visível que apesar de Juliette ser a chave, é o badboy que forma toda a estrutura da saga, ele foi vítima desde que se conhece por gente, e trabalhou para mudar isso. Com seu jeito sarcástico, cruel e verdadeiro, ele é o homem que torna Juliette uma mulher. Aliás, Cinquenta Chibatadas de Cinza para quê quando temos o Kama Sutra da distopia nesse livro? Nossa, que calor! E que inveja. Nada como sexo selvagem para me manter acordada durante a madrugada…

Deus, ele parece tão bom sem suas roupas.

Sei que eu deveria comentar mais sobre o Adam, mas leia e tire suas próprias conclusões. No fim, nenhum personagem pode ser apontado como santo, todos mostraram seus defeitos, vários, aliás, e fica a escolha do leitor aceitar isso ou não. Mas outro personagem que surpreende tanto quanto ele é Kenji. Ele foi construído de tal forma a preencher lacunas que um tema tão complicado deixa, seus diálogos são leves, divertidos, e enquanto o mundo acaba ele faz todos rirem. Kenji é o personagem que foi construído para brilhar como coadjuvante, mas não se contentou com isso e sugou o espaço de outros personagens também. Foi graças a ele que a autora conseguiu abordar melhor o que é a verdadeira amizade, indiferente se o livro trata de uma ficção distópica ou não.

“Eu estou aqui por você, criança. É para isso que amigos são feitos.”

Incendeia-me é lindo, triste, e até um tanto cruel, e é assim que todas as sagas deveriam terminar, com a sensação de dever cumprido, por mais que o final não seja algo bonito, mas acabar assim, sentindo que a autora deu seu máximo e soube criar cada personagem a ponto de tomar forma e seu próprio rumo, cara, é perfeito. Estou triste pois é o último, chorando, mas estou tão, tão, tão feliz com todas as sensações que esse livro me deu. Eu disse inicialmente que comecei a ler Tahereh Mafi em razão de ela usar de inspiração uma personagem de HQ que eu adoro. Hoje, continuo a ler porque a autora, além de se inspirar, soube mostrar talento, conseguiu pegar um mocinho malvado que aprontou todas e virar nossas mentes a seu favor. Shatter Me nunca será considerado um clássico distópico, e nem acredito que a autora tenha esse desejo, mas ainda bato palmas para Mafi, porque originalidade é sempre bom, mas conseguir adaptar seu trabalho para conquistar milhares de leitores também tem seu mérito.

Incendeia, meu amor. Incendeia.

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Publicado em 20/05/2014
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