Autora: Kathryn Erskine
Editora: Valentina
Páginas:
224
Classificação:
5/5 estrelas

Com a semana de Conscientização do Autismo organizada pela Valentina, finalmente surgiu a oportunidade de ler Passarinha e, ah!, que medo. O assunto não só é sério demais para ser retratado em um livro de poucas páginas como também ficava me perguntando se eu era a leitora ideal para falar desse livro, descrever os altos e baixos, quando meu contato com essa disfunção é bem superficial. Mas o que encontrei foi um livro tão bem formado que qualquer pessoa, de qualquer idade, praticamente, pode ler e entender a fundo não só o autismo mas também se apaixonar por uma criança que sofre de Síndrome de Asperger.

Livros não são como pessoas. Livros são seguros.

O livro gira em torno de uma garota com Síndrome de Asperger, também classificado como autismo — se deveria haver uma classificação a parte isso, aqui, não vem ao caso, mas vamos apontar ela como autista para facilitar –, que está passando por uma fase difícil em sua vida.  Com apenas onze anos, Caitlin já perdeu sua mãe para o câncer e agora acaba de perder seu irmão, vítima de um tiroteio em sua escola.

Agora uma garotinha que adora viver em seu próprio mundo precisa lidar com uma vida sem seu principal guia, o garoto que a ajudava a entender melhor esse lugar tão estranho, mas também precisa cuidar de seu pai transtornado e os problemas que andam surgindo na escola com terceiros. Tudo que ela quer é um desfecho, mas há algum para uma perda tão grande?

Eu gosto das coisas em preto em branco. Preto e branco é mais fácil de entender. Cor demais confunde a cabeça da gente.

Esse livro tem pouco mais de 200 páginas, mas não se engane, é a diagramação que resulta nesse número mediano para um romance, então vamos deixar isso de lado e pensar não em quantidade e sim em qualidade, que é algo que escorre pelas folhas do livro de Kathryn.

Eu não sei exatamente como, mas essa mulher conseguiu nesse curto espaço espelhar perfeitamente o sofrimento de um pai pela perda de um filho e uma garotinha que quer seu irmão de volta apesar de saber que isso não vai acontecer. Aliás, ela foi além disso e mostrou o choque do povoado local com o tiroteio onde adolescentes tiraram a vida de inocentes. Quando vemos isso nos jornais é algo tão abstrato, tão longe da nossa realidade, que é complicado se colocar no lugar das famílias, mas a autora conseguiu isso, conseguiu me fazer chorar e amar cada pedacinho de sua história. Sim, estou deslumbrada pela escrita e quão boa foi a pesquisa para formar Passarinha.

E eu senti não só o amor da autora com o assunto ao nos permitir ver o mundo pelos olhos de um autista mas também da editora através da diagramação e cuidado com tradução e notas de rodapé. Sinceramente, esse livro é tão delicado que tenho medo até de tocar, indicar então é ainda mais complicado, não posso apontar e dizer que o livro se encaixa para você porque ele é para qualquer pessoa. Se você é homem, mulher, jovem ou velho, é provável que você se encontre em um personagem, talvez no irmão que vê tudo de longe e somente torce pelo tal do desfecho, talvez você seja o pai ou a mãe que não entende onde está a justiça em grandes perdas, talvez você seja a pessoa que está lidando com a perda. Não importa, seja você quem for, esse livro é para você.

Fico olhando para o armário de Devon porque me faz sentir como se um pedacinho dele ainda estivesse aqui. Mesmo sabendo que ele nunca mais vai poder me ensinar a fazer um armário. Que nunca mais vai poder me ensinar nada. Que nunca mais vou vê-lo de novo nem nunca mais vou poder olhar para ele e dizer Obrigada.

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Publicado em 10/04/2014
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