Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Páginas: 328
Classificação: 5/5 estrelas

Antes de começar esse livro peculiar e maravilhoso, você precisa saber de algumas coisinhas. Primeiro, ele é diferente, muito diferente, e vou explicar isso mais para frente, mas vale destacar para que você não pegue esse livro esperando encontrar a perfeição pura, não é isso. Segundo, mande o preconceito às favas, não há espaço para ele aqui e mocinhas sexys e inocentes, homens musculosos e sombrios não existem nesse livro, não é um new adult! Terceiro, e mais importante, prepare a playlist e você pode começar com a música a direita. No need to fear, cause now’s the time to have faith in what we can do

O livro gira em torno de um casal improvável, um “mestiço” com herança coreana que gosta de ficar longe das atenções, e uma ruiva para lá de estranha que aparentemente gosta de vestir retalhos e conseguir o maior espaço possível com seu cabelo encaracolado e seu jeito grande de ser. E essa é a primeira impressão que um tem do outro, mas o que eles vão descobrir somente com o passar dos dias sentados lado a lado no ônibus é que ambos estão além da aparência.

Park é o mais velho e sua família é perfeita, seu maior problema é aguentar seu pai, antigo soldado que não aceita tão bem o jeito diferente de Park ser, mas com Eleanor nada são flores. Ela foi expulsa de casa há quase um ano por seu padrasto abusivo, viveu de caridade por todo esse tempo e agora que retornou virou foco de bullying na escola nova e todo o tempo que passa em sua nova casa é com medo, medo por seus irmãos e sua mãe, por mais obtusa que ela seja.

Não sou mais minha, sou sua.

Não sei apontar exatamente o que fez esse casal tornar-se tão perfeito, eles se complementam, mas não é só isso e é preciso ler e sentir como o relacionamento progride e eles lidam com os problemas e preconceitos, muito preconceito. O ano é 1986, e apesar de essa coisa desagradável ainda existir, há quase três décadas atrás era pior. Eleanor está longe de ser o protótipo ideal de mulher, ela é gorda (indiferente se ela se acha mais gorda do que realmente é, ela não veste 38 e ponto), e não é uma loira de olhos azuis, e Park também não se adapta tão bem. Adorei isso, adorei a autora não apelar para o drama sempre presente em new adults — e esse livro é um jovem adulto maduro, mas sabemos que só anda bombando os famosos NA –, e tratar essa história com uma certa delicadeza e simplicidade.

Eleanor & Park foi aquele livro que quando comecei já me senti viciada logo de cara, eu não queria conversar com outras pessoas, não queria estudar, o que eu queria mesmo era que o tempo parasse e as obrigações desaparecessem para que eu pudesse me prender ao livro e só soltar quando acabasse. E então acabou, e mal vejo a hora da sequência, já confirmada pela autora, mas a forma como terminou tudo é suficiente, o que é deixado em aberto, um ponto final bem abstrato, o leitor pode preencher com sua própria imaginação.

Com ou sem sequência, a certeza é que topo ler qualquer coisa de Rainbow Rowell agora, sem medo porque uma autora que escreve assim, com tão poucos elementos para então tornar algo original, merece o sucesso que vem fazendo nos últimos anos. Ela é mais do que uma indicação de John Green, Rainbow Rowell merece seu espaço e se tornar uma febre entre os leitores por ser a água fresca em um mundo repleto de autores deserto, todos iguais uns aos outros.

“Porque não importa pra mim, Park. Se você gostar de mim, eu juro por Deus, nada mais importa.”

“Eleanor, quantas vezes tenho que te dizer que não gosto de você?”

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Publicado em 14/03/2014
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Comentários
  1. Júlia disse:

    Essa resenha me deixou com uma pulga atrás da orelha. Quem sabe esse não seja minha próxima leitura? Dou mais credito a isso a sua resenha do que a historia do livro. Espero que não me decepcione 🙂

    Júlia — vidadecliches.wordpress.com

  2. Gabi disse:

    Ai senhoooooooor, preciso ler esse livro ASAP!!
    Mas queria ler em inglês antes desse em português…Amei o Fangirl a história é linda <3

  3. Beatriz (leitora assídua | quase-escritora) disse:

    Oi!!! Tomara que eu consiga ler esse livro logo 🙂 parece ser muito legal!
    Eu também estou escrevendo um livro de romance sobre uma ruiva (eu ainda estou pensando no nome do ship, hahah) e eu acho que esse é parecido, por isso estou interessada. Também me deixou com uma pulga atrás da orelha. Além disso, todos os romances ajudam, né?
    Será que você não teria alguma dica de como deixar um romance tão bom assim? 🙂
    Brigaaada

  4. Tatianna disse:

    Tenho que dizer, você descreveu o livro exatamente com meu ponto de vista. Dei essa mesma fundamentação aos meus amigos leitores, também. Acho que o livro vai muito além da crítica de John Green, acho que vai muito além dos livros do John Green, pra ser mais sincera e exata.
    ACÉDE me tocou demais, mas Eleanor & Park conseguiu ir muito mais fundo, como se tivesse me completado. Finalmente achei o livro preferido!
    Recomendo demais!

  5. vani santana disse:

    livro pra mim, é como um filme, e particularmente assisto todos q me apresentam ou encontro, gosto de analisar a historia/estoria, entender as mensagens, mesmo nos livros ou filmes mais simplistas…
    Eleanor e park, foi um desses filmes, ou melhor, um desse livros, q sem perfeiçoes e paixoes avassaladoras, mas que conseguem nos deixar apaixonados com aquele friozinho na barriga a cada pegada de mãos desse casal exotico!

  6. Ellen disse:

    Que resenha incrível , fiquei com uma vontade incontrolável de ler esse livro ! Você é ótima. Beijos !

  7. Raquel disse:

    Gostei muito do fato do livro mostrar/ contar histórias de personagens mais próximos da realidade… Verei se encontro na livraria por aqui… amei a resenha e a sugestão (comecei inclusive a pensar em algumas músicas por causa da época…) 🙂

  8. Rúbia disse:

    Acabei de ler e super recomendo, muito bom Mesmo!!!
    To aqui morrendo por uma continuação

  9. Gabriela Miranda disse:

    Vai mesmo ter uma continuação?

    1. Gabrielle disse:

      a autora só disse que gostaria sim de escrever algo sobre

  10. Eliany Ailine disse:

    Eu já li o livro e confesso que a pessoa que escreveu a resenha falou tudo o que eu senti. Quando comecei a ler não queria parar e ao mesmo tempo eu não queria que acabasse…

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