Autora:  Sophie Jordan
Editora: Harper Teen
Páginas: 384
Classificação: 5/5 estrelas

Sou fã da Sophie Jordan, mas sou ainda mais fã de livros que tenham suspense, romance, drama e isso aumenta ainda mais quando tem sci-fi e uma dose agradável de conspiração. E bom, Uninvited da Sophie tem tudo isso, e mais um pouco. Admito que no inicio do livro eu estava meio desanimada quanto a leitura dele, mesmo tendo uma sinopse que me conquistou e instigou. O motivo do meu desânimo foi o inicio do livro ser basicamente um monólogo, não que a protagonista não tivesse razão em seus monólogos, mas estava cansando. Até que em um virar de página meu queixo caiu e a leitura voou, mesmo sendo extremamente chocante, cruel, mais um pouco de chocante e muito mais de cruel. A escrita da Jordan, na minha humilde opinião, amadureceu em relação à Firelight, assim como seus personagens. Tanto que eu não consigo ligar esse livro a saga pela qual ficou conhecida.

É meu pai que responde, sua voz cravando com palavras que irão mudar tudo para sempre. “Você tem o gene assassino.”

Uninvited é o primeiro de uma saga que serão de dois livro… mas vai saber, que nos apresenta um futuro onde existe uma alta taxa de homicídios, e onde pesquisas realizadas demonstraram que é possível encontrar este traço homicida através de exames de DNA, onde existe o gene assassino, homicida. As pessoas que tem este gene são classificadas como portadoras da Sindrome de Tendência Homicida (HTS em inglês). E é nesse mundo que Davina Hamilton vive. Só que Davy é uma prodígio musical, aos três anos ela já tocava piano, depois veio guitarra, violino, assim como o canto, e ela vive em um mundo protegido dos portadores, um mundo mais seguro, estudando em um colégio particular, com admissão certa para Juliard e um futuro promissor em NYC. Só que tudo isso, todos seus sonhos são assassinados quando ela descobre ser uma portadora do HTS.

Eu tinha todos esses sonhos de me tornar algo. Alguém. Ninguém nunca falou que eu não poderia. Ninguém nunca falou em assassina.

Acontece que os portadores são tratados como animais, eles ao carregarem tal gene e identificação, basicamente deixam de ser humanos aos olhos de outros. Deixam de ter direito a ter sonhos, vidas, serem alguém. E um pé fora da linha resulta em uma tatuagem no pescoço com um H em negrito, deixando visível para todos o que você é. E Davy mesmo prometendo a si mesma que nunca iria ser marcada com o H, acaba sendo e a partir daí o que já estava dificil, se torna em perdas e mais perdas.

Eu não consigo continuar com isto. Todos que eu tinha se foram. Todo mundo virou suas costas para mim e eu não encontro lugar nem mesmo com outro portador.

Desde a descoberta o mundo da Davy muda completamente, seus pais não conseguem olhar direito para ela, seu irmão não sabe como agir, amigos a abandonando, mudança de escola para uma onde existe uma Cela especial para portadores, onde eles recebem tarefas e entregam elas, sem professores. Mesmo que a Cela traga ameaças, ela traz uma pequena esperança para Davy, mesmo que por pouco tempo afinal depois de um ataque de portadores em massa, o que já era ruim se torna pior. E com isso Davy, Gil e Sean são mandados para Mount Haven, um especie de acampamento para portadores com qualidades especiais, o que parece ser uma nova chance se torna uma luta por manter a sua humanidade.

[…] “Eu vou?” Pergunto curiosa. Em uma voz que não soa como a minha. E que talvez não seja mesmo. Talvez a verdadeira Davina Hamilton tenha morrido naquele quarto. Trocada pela garota que aparece no espelho. Uma sombra de mim mesma. Uma nova criatura sem gloss ou arrumada, cabelo escovado com uma tatuagem feia em seu pescoço.

Cruel. Cruel. Cruel. Cruel. Cruel. Cruel. Cruel. Cruel. Este livro traz o pior do ser humano, a capacidade de se colocar acima dos outros por medo, em uma tentativa de sobrevivência a custa da humanidade dos outros. Afinal de contas, só por você ser portador de um gene, isso te transforma no que ele diz que você é? No caso da Davy, ele te transforma em um animal que mata pessoas sem remorso, onde não existe mais humanidade? Mas, ele também mostra como nós dependemos de outros, outros que nos lembrem quem somos, que sejam alguém com quem possamos contar em um momento dificil, e que apesar de tudo, podemos sermos melhores.

Eu absorvo estas palavras e tento acreditar nelas, mas eu não tenho mais certeza do é “estar bem” .

Ao escrever esta resenha, eu me sinto como quando eu terminei de ler o livro. Vazia, oca. Fiquei tão chocada, surpreendida que palavras me faltam para descrever este livro. Soberbo, pode ser, mas as que mais se encaixam são brutal, belo, pesado, lição. O romance na história tem um papel secundário, mas que é de vital importância, não algo frívolo estando ali somente por estar. Enfim, obrigada Jordan.

Se eu aprendi algo com tudo isso, é que agora –este momento- é tudo que importa.

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Publicado em 12/02/2014
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Comentários
  1. Uau parece ser um livro muito bom… por acaso tem alguma editora interessada aqui no Brasil?? Odeio ter que depender das editoras mas por enquanto não tem muito o que fazer T.T E o livro me lembrou um pouco de minority report com o Tom Cruise.

  2. Flávia disse:

    Gostei da sinopse. Consegui em versão p/ kindle, vou ler.
    Bjs

  3. Donelly Voctoria disse:

    Minha nossa, quando vi o primeiro trecho que vc trouxe do livro pensei, caramba eu preciso ler esse livro. Resenha maravilhosa, não vejo a hora de saborear esse livro.

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