Autora: Hannah Kent
Editora: Globo Livros
Páginas:
320
Classificação:
 4.5/5 estrelas

Não basta ler um livro e ter vários sensações com ele – muitas lágrimas e tristeza –, logo após tem coisa mais dolorosa do que descobrir que era baseado em fatos reais? Se não foi o suficiente judiar de nós durante toda sua obra, Hannah Kent consegue provocar maior sofrimento ainda ao escrever essas palavras após o fim de Ritos de Adeus.

Agnes Magnúsdóttir foi acusada de matar e queimar dois homens e sua sentença é a morte. Mas durante a espera ela não ficará em uma prisão e sim na casa de uma família buscando seu arrependimento juntamente com um reverendo. Porém, há alguns problemas nessa situação. Um deles é que a família obviamente não quer uma assassina em sua casa. Até eles se acostumarem com a ideia e até mesmo ter o mínimo de confiança em Agnes leva um bom tempo. O que me fez pensar é como que na Islândia eles deixavam prisioneiros em casa de famílias? Imagino o tanto de violência e morte poderiam acontecer se isso fosse no Brasil.

Agora não há nada no mundo que eu possua; mesmo o calor que meu corpo produz é tomado pela brisa de verão.

Por outro lado, o Reverendo Tóti foi escolhido por Agnes para ser seu conselheiro espiritual. No entanto, ele é muito jovem e talvez não fosse o mais indicado a ela. Tóti decidiu usar uma tática diferente e não recomendada com Agnes. Ao invés de dar sermões e mais sermões ele conversou com ela e a ouviu contar toda a sua história. Dessa forma, viraram amigos que sentiam as dores um do outro. Essa foi uma parte muito difícil de ser lida, visto que, conforme Agnes vai contando sua história minha compaixão pela personagem só aumentou. É tão difícil se colocar no lugar dela e não ficar comovido sentir uma dor física por ela. Ao ver o mundo pelos seus olhos só consigo enxergar como o mundo é realmente injusto.

E, por fim, ao ter convivência com a família e com Tóti foi impossível não criar laços de afeição o que é realmente triste. Já que o destino de Agnes estava traçado e não havia nada que pudesse ser feito. Agora imagine ler tudo isso e descobrir que na verdade são fatos reais? Dor multiplicada.

Não se surpreenda com a tristeza em meus olhos
nem com as pontadas amargas de dor que sinto

É difícil acreditar que esse é o romance de estreia de Hannah Kent. O que mais me impressionou foi a tática usada pela autora: a narrativa é em parte feita em primeira pessoa por Agnes e em outras em terceira sob o ponto de vista dos outros personagens. Assim, conseguimos entender tudo que se passa de todos os ângulos. Ritos de Adeus é um livro triste, comovente e que nos faz refletir e nos mostra que há sempre outro lado da história. Nem tudo é o que parece. E que na verdade o mundo não é esse lugar bonitinho que vemos por aí em contos de fada com finais felizes e sim um cruel que acaba e destrói com os sonhos de diversas pessoas.

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Publicado em 13/01/2014
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Comentários
  1. juliano cesar de oliveira disse:

    Ótimo texto de resenha. Meus parabéns! Amei a maneira que vc usou para se expressar, me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura…a capa do livro é linda ela traz o universo como tema.
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=78725243

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