13 pretty

Autora: Liz Coley
Editora: Benvirá
Páginas:
224
Classificação:
 3.5/5 estrelas

Uma capa nunca retratou tão bem o conteúdo de um livro. Pretty Girl-13 sem dúvidas é um livro assustador. Não, não estamos falando de assombrações do além que aparecem para puxar o pé da protagonista, mas sim de um livro que tentou retratar em poucas páginas uma crueldade imensa que acontece em vários cantos no mundo e que nós, em nosso mundinho perfeito, parecemos não perceber: sequestro, estrupo, e como voltar a vida normal quando você está longe de ser a pessoa que era antigamente.

Se eu não posso ver as cicatrizes, elas não estão aí.

Pelo que eu entendi, a autora usou a história de Elizabeth Smart, uma garota que foi raptada dentro da própria casa e sofreu abusos durante meses, para pincelar sua novela. Em seu livro, nossa protagonista, Angie, tem treze anos quando tudo começa. Era para ser somente mais uma viagem com suas amigas bandeirantes — não é o mesmo que escotismo, mas similar –, e então, em uma manhã, ela desaparece.

Anos após, ela caminha até sua casa e tudo parece estar diferente. Todos dizem que ela desapareceu por três anos e sua aparência não é mais a mesma, apesar disso ela não sabe em que acreditar. Conforme as consultas com a psiquiatra se desenrolam, Angie descobre que seus problemas são maiores, e muito mais antigos, do que esperava.

Esse livro foi dividido em três partes, e assim eu também posso separá-lo quanto a sua classificação. Ele tem uma parte ótima, uma boa, e a regular. Inicialmente, ele cumpre o que promete, com uma protagonista repleta de problemas e um suspense que me deixou doidinha para virar logo as páginas para o final do livro, e a qualquer momento eu esperava que a cabeça de Angie virasse 360º e minha reação era de algo como “Oh, Deus. Samara, é você, capeta?”, e eu sentir isso tem até uma certa lógica.

Só queria poder sentir um pouquinho de amor de novo antes do fim.

Angie sofre de TDI, ou seja, transtorno dissociativo de identidade, antigamente associado com possessão, e é aí que começa a parte boa do livro (sim, a classificação diminui nesse momento). Por ser um assunto tão pouco abordado, foi interessante ver o desenrolar das várias identidades da garota e mesmo sentindo-me um tanto estranha em alguns momentos, a autora informou no final da obra que grande parte disso realmente acontece, ela só escolheu relatar o distúrbio para seus leitores de forma bem simples. O problema é que ela também resolveu se estender muito nisso, e outros pontos tão interessantes quanto, como o romance, o relacionamento familiar e, claro, o thriller e abusos, ficaram em um plano bem secundário, o que foi uma pena — e essa, basicamente, foi a parte regular do livro, o tratamento superficial de pontos importantes.

Todo o tempero e emoção do início do livro logo perderam a força, e mesmo a história tratando de um tema forte, eu pouco me emocionei, o que é ainda pior pois sou uma manteiga derretida para livros.

Liz Coley focou-se demais em TDI, mas acredito que ela deveria  ter adicionado mais termos técnicos para que o cenário ficasse mais crível. Além disso, ela deixou de lado a premissa do livro e quem for lê-lo esperando um thriller intenso vai se decepcionar um pouco. Em suma, a autora se perdeu.

Partindo para os pontos positivos novamente, os personagens secundários são extremamente interessantes. No topo da lista está Kate, ex melhor amiga e com personalidade de heroína, a doutora que apoia o progresso de Angie, além do pai da garota e o detetive que acompanhou todo o caso. Também adorei os imprevistos que a autora adicionou a história. O problema de todos esses pontos é que faltou mais espaço para eles tomarem força na mente do leitor.

Talvez essa resenha engane e transpareça que eu não gostei do livro, mas não é isso, só senti que ele empalideceu se comparado ao que era esperado dele. Se você me perguntar se eu recomendaria o livro, a resposta é sim. Adoro obras que foram escritas para incomodar com a verdade contida nelas, e esse é bem o caso de Pretty Girl-13. Pode não ser tão bom quanto o esperado, mas nem por isso deixa de ser um livro que fluiu bem e dois terços do que foi escrito conquistam o suficiente para fazer dele um dos melhores do gênero.

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Publicado em 13/08/2013
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Comentários
  1. Lipe Ralf disse:

    Curti muito a sua resenha Gabi.
    Não gostei da editora manter o título original… falta livros no mercado que falem sobre este e outros tipos de assuntos.
    Não sei direito o que é TDI, então agora estou mais curioso a ler este livro por causa desta peculiaridade.

    1. Gabrielle disse:

      Awwwn obrigada
      É quando a pessoa, basicamente, tem várias personalidades, alters, sabe. Medonho ;x Eu acho difícil traduzir esse título. Aliás, ele é medonho, dá a sensação de medo também

  2. gabes disse:

    Parece um livro diferente de tudo que eu já li ou dos lançados hoje em dia. Só não gostei muito de não colocarem um título em português, mas concordo com você que é difícil traduzir esse título. Também não gostei da capa, me dá a sensação de um livro de fantasia. Adorei sua resenha, ela está meio paradoxal mas deve ser porque o livro realmente te deixa confuso (de uma forma boa). Ah, só pra avisar, você se confundiu ali em cima, não é estrupo, mas estupro (:

  3. Le disse:

    Primeiramente, gostei muito da resenha!!
    Qual a classificação indicativa que você daria ao livro?

    1. Gabrielle disse:

      Me deu um branco se havia partes bem pesadas, mas acima de 14 anos, fala sobre estrupo e abusos então depende muito da mentalidade da criança. Eu com doze anos leria tranquilo

  4. Mari Ramos disse:

    Muito legal sua resenha. Quando eu li esse livro simplesmente amei, pois ele me surpreendeu em vários momentos. Eu o peguei completamente no escuro, sem ter lido nenhuma resenha antes, apenas a sinopse do skoob em inglês (que não fala sobre a questão do TID), então quando essa parte me foi apresentada foi uma mistura de choque com mega alegria por ter sido surpreendida.

    O tema é interessantíssimo, a forma como foi abordado no livro também. Mas para mim, o melhor de tudo, foi a explicação da autora ao final, dizendo que esse tipo de questão psicológica não se resolve tão rapidamente como no livro e que ela só utilizou tal velocidade para porque era uma obra de ficção.

    http://www.conchegodasletras.blogspot.com.br/2015/04/resenha-pretty-girl-13.html

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