Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
Páginas: 590
Classificação:  5/5 estrelas

Anjos da Morte é o aguardado segundo volume da saga Filhos do Éden, e também é um livro bem mais complexo do que o anterior, e mais importante também — ou foi isso que senti. Diferente de Herdeiros de Atlântida, agora a superficialidade com a qual foi abordado o passado de Denyel é deixada de lado e Spohr se embrenha na história do exilado nas guerras que teve como missão para entender a humanidade e sua evolução. A maior das batalhas, claro, foi a 2ª Guerra Mundial, que marca o início da corrida armamentista e tecnológica para os humanos e também o ponto de partida para as piores decisões que nosso querubim já fez em sua vida não tão eterna.

É um bom dia para morrer.

Em paralelo, continuamos a acompanhar a jornada de Kaira, Urakin e Ismael, com a ishim voltando suas forças em salvar Denyel, desobedecendo as ordem de Gabriel. Juntos, mesmo que em anos diferentes, os anjos se deparam com uma extensão inesperada de magia negra e devem desdobrar-se para entender qual o objetivo e quem está realmente por trás das estranhas criaturas que são colocadas em seu caminho. São os atlantes os verdadeiros culpados de todos esses feitos ou algo maior está acontecendo?

Guerras, desespero, traições e misticismo, me senti em casa com esse livro. Quem está acostumado a ler todo tipo de fantasia sabe que um livro não pode ser criticado por seu número de páginas, mas sim em como o autor decide seguir sua trama, de quão bem ele vai saber usar seu espaço, e mesmo eu, já acostumada com a escrita de Eduardo Spohr, me surpreendi com seu novo livro.

É preciso ousadia para escolher trabalhar o passado e deixar um pouco de lado Kaira e seu grupo, principalmente com os acontecimentos finais em Herdeiros de Atlântida. Se eu estava com medo de ler esse livro? Não, como eu escrevi, já conheço a escrita do autor e ainda não encontrei um livro dele que tenha me desagradado. Mas eu fiquei com pé atrás sim de continuar a saga, principalmente porquê já estou ansiosa aguardando o desfecho e sei que ele não vai chegar rápido em minhas mãos, e nada mais justo pois trabalho bem feito dificilmente é resultado de algo as pressas.

Se não for você a fazer, sempre vai ter alguém que o faça.

As quase seiscentas páginas de Anjos da Morte também não foram empecilho e não me desanimaram a continuar. Eu li em um dia (e demorei uma semana para resenhá-lo, e já editei várias vezes desde então, essa foi a parte mais difícil). Não, não estou brincando (nem mentindo!). Quando eu finalmente fui parar de ler o livro e tentar dormir, cheguei a sonhar com o bendito e acordei duas horas da madrugada para terminá-lo. Percebem? Eu fui sugada e me moldei a a sua vontade.

Estou tão acostumada a ler livros de guerra com uma narrativa mais sentimental que conferir o mesmo cenário pelos olhos de nosso celestial foi algo completamente inusitado. O personagem já está tão completamente acostumado com o que se deparava na Europa na década de cinquenta que a única coisa que o surpreendia não era a capacidade humana de seguir em frente, mas em como nós decidimos fazer isso, como nos adaptamos e quem cai nas maiores adversidades. Mesmo eu gostando de uma visão mais lirica e poética para narrar esse panorama, foi bom — e ideal para nosso personagem — encontrar algo retratado por um guerreiro.

Ademais, houve uma firmeza no autor em ser fiel a essência de Denyel que também me agradou. O cara era um tremendo de um filha da puta e mesmo eu adorando o exilado acredito na frase “aqui se faz e aqui se paga” e, enquanto ele evolui de celeste pau mandado para o guerreiro que conhecemos na parte final do primeiro livro, fica perceptível que Spohr não decidiu relembrar o passado sem razão, o quebra cabeça envolvendo a guerra entre os arcanjos se estende. Sei que a reação de tudo o que aconteceu só será revelada no último livro, Paraíso Perdido, mas já tenho alguns hipóteses e espero acertar algumas delas.

O livro espelhou bem o que mais caracteriza não só os humanos, mas a vida e energia em si: somos falhos. Mesmo os anjos, em toda sua grandeza, falham. Até Denyel  em sua busca para ser um completo sacana deixa a desejar com suas atitudes dignas. Há outras qualidades em Anjos da Morte que me ganharam, mas, principalmente, senti que ele foi particularmente escrito para mim, essa foi a grande jogada, sentir que esse livro foi um presente e é provável que a cada dez leitores nove sintam o mesmo.

— Ei, Clarence. — um cabo cutucou o parceiro, que orava com toda a energia. — Pensei que fosse ateu.

— Rapaz, numa hora dessas qualquer ajuda é bem-vinda.

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Publicado em 01/08/2013
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