Morte

Autora:  Cornelia Funke
Editora: Cia das Letras (Seguinte)
Páginas:
 576
Classificação:
 5/5 estrelas

Se você não leu Coração de Tinta e Sangue de Tinta, não siga em frente nessa resenha, pois haverá spoilers dos livros anteriores.

Coração de Tinta nunca esteve tão perto de ser absorvido pela maldade como em Morte de Tinta. Após os eventos do livro anterior, com Dedo Empoeirado tendo seu trágico fim, Fenóglio perdeu quase que completamente as rédeas de seu livro, com Orfeu alterando cada vez mais o cenário e disposto a tudo para moldar o mundo fantástico a seu bel prazer.

Com as adversidades aumentando, Mo encarna Gaio, personagem das canções de Fenóglio para o povo colorido, e se une a luta contra os vilões. Entretanto, mais e mais Mortimer torna-se Gaio e vai perdendo sua antiga personalidade. Nem mesmo Meggie é capaz de impedir que isso aconteça. Com Resa grávida e seu pai tomando um caminho sem volta, Meggie  ainda precisa enfrentar os problemas envolvendo o primeiro amor e novas decepções. Com várias histórias em paralelo acontecendo ao mesmo tempo, pouco a pouco o leitor confere o desfecho inesquecível escrito por uma verdadeira barda.

Esse livro foi uma mistura de emoções tão grande que isso por si só surpreende. Desapeguei de Meggie  após o último livro, e foi o momento certo porque ela ainda deixa a desejar. Na verdade, o romance em que foi envolvida é que me trouxe essa sensação, então foi ótimo outros personagens tomarem mais espaço. Quem ainda não deixa de conquistar é Dedo Empoeirado. De longe, ele é meu favorito e foi muito bem construído para ser exatamente isso. Não se apaixonar por ele é quase impossível.

A narrativa pode não conquistar de início. Gosto de ver a primeira parte do livro como uma pegadinha, mas logo a estória pega impulso e o desfecho é delicioso, arrebatador, perfeito, COMPLETAMENTE viciante. Acredito que nunca uma fantasia foi tão bem pincelada, tão repleta de mensagens subliminares que tratam de nos dar uma lição.

Morte de Tinta ter tantas páginas talvez seja desnecessário, mas a obra é de um encantamento tão grande que mesmo em sua imperfeição a autora acerta. Da saga, esse foi o que eu mais demorei para finalizar, não por ser ruim, mas pela dificuldade em desapegar e já sinto saudades. Foi o melhor da série e deixou claro algo que já era visível: Funke entende o poder das palavras e soube como usar e abusar disso. O resultado foi uma trilogia mágica e imortal.

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Publicado em 07/08/2013
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