Em agosto a Alfaguara estará lançado novas edições de três obras de Mario QuintanaA vaca e o hipogrifoApontamentos da História Sobrenatural e Canções. A editora adquiriu os direitos de publicação de dezenove títulos e tem como objetivo também lançar os livros em formato digital. Confira o vídeo e as capas das reedições:

Quintana foi tradutor de Charles Morgan, Lin Yutang, Proust e Voltaire. Gaúcho de Alegrete, veio para o Rio de Janeiro na Revolução de 1930, quando trabalhou com Erico Verissimo. De volta a Porto Alegre fez uma poesia cheia de autenticidade. Isso está revelado na obra “A Vaca e o Hipogrifo” (1977). Uma seleção de crônicas, nas quais estão contidos um certo pessimismo e uma certa morbidez. Mas também uma ternura pela vida.

 Apontamentos de história sobrenatural marcou o retorno de Mario Quintana à publicação de poesia em verso depois de dez anos sem lançar uma obra inédita. Seu status de poeta maior do nosso modernismo já estava selado desde a Antologia Poética organizada em 1966 por Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. A lira tão porto-alegrense de Quintana já tinha virado patrimônio nacional. Tal ampliação de horizonte de expectativa reflete-se claramente em Apontamentos. O poeta reaparece em 1976 mais livre, mais senhor de si e das formas do poetar moderno.

Os temas se diversificam, aprofunda-se a mescla entre emoção, cotidianidade e melancolia, num conjunto estruturado com rigor. A nostalgia de uma pureza da infância e do arrabalde, a constatação elegíaca da passagem do tempo, a presença constante da morte e da regeneração — eis algumas linhas fortes no livro, cultuado nos anos 1970, junto com Caderno H e A vaca e o hipogrifo. Os poetas de então, pertencentes ou afins à tribo “marginal”, identificaram em Quintana o tipo de linguagem que admiravam nos primeiros modernistas. Também os novos prosadores dos anos 1970 não deixaram de inspirar-se na obra do poeta.

Seu segundo livro de poemas, Canções, é lançado em 1946 pela mesma editora, com ilustrações de Noêmia. O salto decisivo que Quintana empreende nesse livro, em termos formais, consiste na utilização do verso livre e na ampla gama de poemas escritos em verso branco, ou seja, com métrica mas sem rima. Boa parte desse influxo advém da poesia modernista, com a qual Quintana, em certo sentido, afina sua escrita. Outra mudança que se observa nesse livro é de ordem temática: a inspiração popular. Como assinala Gilda Neves Bittencourt no prefácio de Canções, diferentemente de A rua dos cataventos, o poeta deixa-se levar “mais ao sabor do próprio poema, permitindo que ele o conduza pelos caminhos da sonoridade e da dança, explorando inclusive o espaço gráfico e desligando-se do conteúdo significativo em favor do elemento sonoro dos versos.

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Publicado em 07/08/2012
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Comentários
  1. Cris Aragão disse:

    Eu sempre acho boa notícia quando cássicos são reeditados, especialmente em se tratando da obra de Mario Quintana a notícia me deixou muito feliz porque se trata de um autor muito especial, com uma obra poética simplesmente deliciosa que vale a pena conferir.

    1. Gabrielle disse:

      Oi, Cris. Tudo bom?
      É verdade. Eu quero TANTO esse livro! Eu já li Mario Quintana, claro, mas não tenho nada dele. Sou apaixonada. Ter uma nova edição deve ser uma maravilha, não é? Espero que entre em oferta na bienal *-*

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