não ficção

Um ebook que é muitas coisas em uma só obra, um livro de ensaios e reflexões que também possui pequenas peças literárias. Esta obra foi concebida para o formato digital, possui links, imagens e uma formatação que funciona dentro da proposta do autor, cheia de imagens e quebras de textos. A formatação mesmo para se ler online é super agradável, até para aqueles que evitam leituras no celular ou computador por alguns desconfortos visuais.

A Construção do Olhar é um livro de ensaios sobre vários temas, sobre Padrões, Equilíbrio, Resoluções, Cinema, Profundidade, Arte, Corpos, Influências e por fim um ensaio Inconclusivo. São vários temas abordados, que conseguem ser bem executados em poucas páginas.

Já pensou se todos fossem iguais? Se todos gostassem das mesmas coisas, frequentassem os mesmos lugares…

Os ensaios são muito bem escritos, repletos de reflexões pertinentes e atuais ao mundo de hoje. Cheio de referências filosóficas, literárias e de cultura pop, principalmente de séries de TV. Nunca recorrendo a uma formula barata ou a conclusões fixas sobre esses assuntos, o autor consegue reproduzir a voz de uma geração e ao mesmo tempo se conectar com qualquer um que leia sua obra. Ele possui uma escrita limpa, refinada e acessível, o livro voa e você viaja nas palavras junto com ele.

Por quê todas as vezes que te vejo em meu feed, meus olhos se enchem de lágrimas e meu coração se torna tão pequeno? Não é saudade, eu sei. Não pode ser amor, ele não faz isso.
É inveja.

Confesso que me conectei logo de cara com a linha de pensamento do Arthur. É ler algo que faz todo sentido com aquilo que você pensa e ao mesmo tempo não coloca a mão na sua cabeça. Acabamos sentindo que está conversando com um amigo muito sincero que não tem medo de te dizer as coisas na cara e fazer com que você reflita e mude. Esta foi minha relação com o livro, eu mergulhei nesta leitura e me senti abraçada, entendida e também consegui enxergar certos comportamentos que preciso mudar em mim. Um livro que te faz olhar para o íntimo. Poucos livros conseguem fazer isso sem aquele “autoajudismo” que promete formulas. Em a construção do olhar, aprendemos a refletir.

Cada final (feliz?) pode simbolizar um recomeço. Aliás, existe “felizes para sempre?”. Perceba: toda história tem sentido (ou deveria ter). Todo sentido tem contexto. Todo contexto verbaliza.Toda verbalização comunica. Toda comunicação, influencia. Toda influência molda seu comportamento.

Esse é um livro que vale a pena ser lido por todos, eu me conectei, mas existem pessoas que pensam diferente e que podem adquirir e construir um novo olhar sobre vários assuntos, até aqueles que são mais tabu, como religião.

Recomendo A Construção do Olhar a todos, tanto aqueles com uma visão mais aberta de mundo, para que com aqueles de mente mais fechada. É um livro que nos faz ponderar sobre vários temas e que pode mudar sua vida.


Autora: Mary Roach
Editora: Paralela
Páginas: 368
Classificação: 4/5 estrelas

Vou começar dizendo que eu não sou nada fã de livros que não sejam de ficção. Quanto a gêneros, eu não me importo muito e acabo lendo sempre um pouco de cada, mas histórias de não-ficção, biografias, autoajuda ou livros sobre culinária, passam bem longe de ser o tipo de livro que eu gostaria de ler. Mesmo assim, quando a editora Paralela divulgou que publicaria Curiosidade Mórbida, eu não resisti. Todos nós já fantasiamos e lemos livros que falam sobre a vida após a morte no sentido sobrenatural e romantizado, mas neste livro, vamos conhecer a vida após a morte no sentido putrefato e mal cheiroso da expressão.

Não há nada engraçado em estar morto, dirão. Só que há. Estar morto é absurdo. É a situação mais louca em que você poderia se encontrar.

Todos nós já tivemos aqueles vizinhos chatos que falam que o cabelo nunca para de crescer, mesmo depois de mortos, ou aquela sua tia-avó que adora contar um caso de alguém que morreu, abriram seu túmulo anos depois e o corpo ainda estava razoavelmente inteiro. Podemos culpá-los? Atire a primeira pedra quem nunca teve a curiosidade de saber o que acontece com o nosso corpo quando morremos. É isso que a autora Mary Roach irá abordar no seu livro.

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Autoras: Malala Yousafzai e Patricia McCormick
Editora: Seguinte
Páginas:
 216
Classificação:
 4/5 estrelas

O que me levou a ler este livro foi a curiosidade de saber como apenas uma garota conseguiu ser a vencedora do prêmio Nobel da Paz. Mas ao começar a leitura deste livro ficou claro que Malala não é apenas mais uma garota. Em um mundo dominado por homens e militantes, ela lutou contra a repressão contra seu direito de poder ir à uma escola e adquirir conhecimento.

Eu sou Malala. Meu mundo mudou, mas eu não.

Diferente das outras meninas de sua idade, Malala tem o desejo pulsante de fazer parte de uma escola, de sair do esteriótipo de mulher ignorante que as mulheres ao seu redor sofrem e ir além de mal saber o preço do produto em um mercado. Vivendo em Vale do Swat, suas ideias não são bem aceitas. E então Malala descobre que “infringir a lei” de uma religião para tentar manter um direito de qualquer ser humano vai colocar sua vida em risco e mudar seu mundo mais rápido do que esperava.

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Autor: Gregório Duvivier
Editora: Companhia das Letras
Páginas:
 208
Classificação:
 3/5 estrelas

Gregório Duvivier é um dos nomes mais comentados tanto na mídia por seus trabalhos no canal Porta dos Fundos como no mercado editorial com a publicação de suas crônicas na Folha de São Paulo. Segundo o autor, Put Some Farofa ganhou esse título devido a uma de suas crônicas que cria uma conversa imaginária entre um brasileiro com um gringo visitando o Brasil durante a copa, e rapidamente se tornou um viral de internet.

Abrir mão do direito de ser detestável: nada mais adorável.

Mas em um vídeo com o autor, ele também diz que o título não veio somente desta crônica, mas que justamente essa mistura gostosa de vários textos em um só livro , como crônicas, esquetes, roteiros e monólogos, também tem grande peso na escolha do título. Ou seja, não espere uma história linear com começo, meio e fim.

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Autora: Leandra Medine
Editora: Novo Conceito
Páginas:
256
Classificação:
 3/5 estrelas

Man Repeller narra a história da autora do blog – muito famoso – de mesmo nome. Leandra Medine é uma mulher muito, mais muito corajosa mesmo. Ela teve coragem de dizer toda a sua história – até aquelas constrangedoras – desde perder o bv (boca virgem) até ser chamada de Man Repeller (repelidora de homens) e logo cedo ela se mostrou uma garota diferente das outras, nada tradicional, por assim dizer. Leandra buscava sua própria moda, seu próprio estilo. E essa foi uma qualidade notável na autora/personagem.

E ela mostra como foi a sua vida até decidir escrever o blog de sucesso. E o motivo de o ter feito – que é porque ela sempre usou as roupas que gostava, não as que agradassem os homens, sendo assim, eles acabavam se sentindo “repelidos” por ela já que nenhum relacionamento dava muito certo. E não foi só em roupas que ela decidiu não seguir a onda, desde a escolha de faculdade como em outros assuntos, a autora detalha em muitos momentos quando ela deixou de seguir a correnteza.

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Autora: Kiss FM
Editora: Universo dos Livros
Páginas: 304
Classificação: 4.5/5 estrelas

Nesses meus longos anos escutando música — só tenho 22 anos, mas parecem longos para mim –, eu já fui classificada e tive o rótulo alterado diversas vezes, não por mim, mas por pessoas que acreditam que tudo na vida é necessário ter um encaixe certo, se você gosta de uma coisa não deve gostar de outra, e por aí vai. Classic Rock by Kiss FM, com seus relatos e breve estudo sobre a música, é a prova que é possível sim gostar de vários gêneros e deles aprender algo valoroso. Para os grandes astros do rock, eles seguiram isso para moldar o rock como conhecemos hoje. Para nós, reles mortais, o rock que eles ajudaram a criar é o que nos ajuda hoje a passar pela fossa, gritar contra um sistema, ou até mesmo fazer a escolha de sua vida.

O livro mostra que a música é mais do que acordes, batuques e voz, ela tomou vida, e a Kiss FM pegou esse grande material para mostrar um pouco sobre as origens do rock, de onde o nome surgiu e um leve estudo do tempo, quem foram os grandes nomes e quais outros artistas os usaram de inspiração para criar sua própria lenda, e então chegamos aos gêneros, subgêneros, e como eles são e não são assim tão diferentes uns dos outros.

O que mais me conquistou nesse livro foram as pequenas curiosidades (há a menção do Clube dos 27, por exemplo) e descobrir mais de músicos que eu amo, escuto praticamente todo o dia, mas pouco sei da história — e sinceramente não sou o tipo de pessoa que vai atrás disso. Para melhorar, levei esse livro para meu intercâmbio em Londres e essa cidade realmente respira rock, andar na Oxford Street de noite acompanhada com esse livro e escutar tanta coisa diferente e boa mexe com a gente, é uma playlist que vai se criando ao vivo. Talvez o único problema de um livro que se encaixou tão bem comigo foi o espaço que a música brasileira teve nele.

Eu sei que em um livro de pouco mais de trezentas páginas não dá para se estender muito, a história da música no Brasil e a rádio deve contar com 50 a 70 páginas, quase um terço da obra, mas eu adoro a música nacional, meu interesse é bem maior nesse assunto do que os grandes nomes de alguns dos gêneros apresentados e sei que o problema é comigo, eu deveria buscar um livro que usasse de trezentas páginas para discorrer sobre a música nacional e suas inspirações e esse não é o caso de Classic Rock by Kiss FM.

De qualquer forma, é  impossível contar detalhadamente a história de cada pessoa/grupo que transformou a música e particularmente o rock no que é hoje, mas Classic Rock by Kiss FM nos dá um gostinho e explica de quais vertentes o rock nasceu e quais ele também gerou, é um livro que não dá para apontar um leitor ideal, não é somente para rockeiros, mas para quem gosta de sentir essa vibração tão maluca, que sente na voz e no som que outras pessoas tocam sua própria história e seus sentimentos, entende essa magia e está disposto a entender um pouquinho mais com esse livro maravilhoso.


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