Romance

Carry On surgiu pela primeira vez em um trabalho anterior de Rainbow Rowell, Fangirl, sendo uma ficção dentro da ficção. O título é sugestivo, mas basicamente Fangirl tem como foco uma personagem fanática por uma série de livros de um bruxo chamado Simon Snow, e desde que começou a publicar na internet fanfics com os personagens da obra original, Cath acaba ganhando muita popularidade entre os fãs do original (aliás, recomendo muito a leitura de Fangirl <3). No ano passado, então, Rainbow resolveu dar forma a um livro que mesclaria esses dois lados de Carry On retratados no livro anterior, mas de forma independente. Ou seja: não é uma continuação de Fangirl, sendo Carry On – A Queda e Ascenção de Simon Snow o desfecho que a autora acreditou que os personagens, até então duplamente fictícios, mereciam, os transportando para um livro só deles e se enveredando em um caminho não percorrido por ela até então: o da fantasia.

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Simon Snow é um bruxo que estuda numa escola de magia na Inglaterra. Profecias dizem que ele é o Escolhido. Você pode até estar pensando que já conhece uma história parecida. O que você não sabe é que Simon Snow é o pior escolhido que alguém já escolheu. Poderosíssimo, mas desastroso a ponto de não conseguir controlar sequer sua própria varinha, Simon está tendo um ano difícil na Escola de Magia de Watford. Seu mentor o evita, sua namorada termina com ele e uma entidade sinistra ronda por aí usando seu rosto. Para piorar, seu antagonista e colega de quarto, Baz, está desaparecido, provavelmente maquinando algum plano insano a fim de derrotá-lo. Carry on é uma história de fantasmas, amor e mistério. Tem todos os beijos e diálogos que se pode esperar de uma história de Rainbow Rowell, mas com muito, muito mais monstros.

Você deve aprender a se proteger sozinho, Simon, e quanto antes, melhor. Ele é a nossa maior ameaça. E você é a nossa maior esperança.

Meu santo Raziel, há tempos que eu não me via tão envolvido com um livro, embora tenha lido ótimos neste último ano. Rowell definitivamente tem o dom de prender seus leitores do começo ao fim de suas histórias. Carry On começa cheio de mistérios, e em suas primeiras páginas pode enganar parecendo só mais um universo genérico de uma fantasia com magia, mas logo percebe-se que é proposital e que a história se mantém por si só, sendo desenvolvida, imagino eu, com muito carinho, carinho esse que somente alguém muito apaixonado (a) por escrever poderia criar.

Simon e Baz são personagens extremamente apaixonantes e diferentes um do outro. Na primeira parte (de quatro) do livro, Baz não aparece, então a imagem que o leitor cria dele surge apenas com base no que o outro diz (coisas horríveis, vale mencionar). Simon é um menino impetuoso, com as expectativas das pessoas ao seu redor sempre focadas nele. Embora hoje tenha encontrado o seu lugar na Escola de Magia, com uma grande amiga, uma namorada (blergh) e até mesmo um rival (<3), o garoto tem um passado triste que no decorrer do livro é explorado, e é chave para muitas respostas.

Falar de Baz sem dar spoilers seria praticamente impossível, então vou resumir dizendo que, po**a, melhor personagem do livro! Que humor mordaz! Que personalidade e sentimentos bem construídos. Seja ele bom ou ruim, ficou no meu coração.

É sempre fogo com Baz. Eu não acredito que ele ainda não me incinerou. Ou me queimou numa estaca.

Os personagens secundários também são bem legais, com destaque para a divertida Penélope, a típica garota alternativa e autêntica que você gostaria de andar no recreio. O Mago, diretor da instituição também foi um bom personagem, mas achei pouco explorado. Enquanto isso, Agatha foi uma personagem que detestei, principalmente da metade do livro em diante. Namorada de Simon até então, até consegui compreender os seus dilemas, mas a forma que ela lida com as coisas é lamentável.

A narrativa é intercalada entre vários personagens. Geralmente esse método me deixa com mais vontade de ler na voz de alguns personagens no que de outros, mas todas as perspectivas colaboram para a história como um todo. Isso contribui para ter uma visão ampla de vários pontos e atitudes tomadas no decorrer da trama.

O sistema de Magia é um pouco simples, mas ainda assim legal, com verbalização de frases que, não sei se foi pela tradução/adaptação, são bem nonsenses. Além de bruxos, Carry On flerta com muitos outros seres fantásticos do nosso imaginário, como vampiros, fadas e ogros.

– Eu não sou o escolhido – diz ele

– Eu te escolho – digo – Simon Snow, eu escolho você.

Carry On é mais um dos grandes achados que fico feliz por encontrar frequentemente por aí. Recomendo para qualquer pessoa que goste de uma leitura divertida e ao mesmo tempo sensível. E, além disso, que goste de sofrer todo o tempo torcendo para que os protagonistas se deem conta dos sentimentos de um pelo outro! HUhahaha

O livro termina com um gostinho de quero mais, e se depender de Rainbow Rowell teremos outra vez o sabor dessa história. A autora disse em entrevista que provavelmente publicará uma continuação, então resta ficar no aguardo e torcer para não ser trouxa como fomos com Eleanor & Park, já que um segundo livro nunca saiu do papel. De todo mundo, vocês já sabem que devem terminar essa resenha correndo em busca do livro. Boa leitura. <3

 

Simon serelepe


Autora: Abbi Glines
Editora: Arqueiro
Páginas:
 117
Classificação:
 3.5/5 estrelas

Esse é um livro que eu não esperava e sequer desejava ler. Se você acompanha a série Rosemary Beach, então já está claro o tipo de personagem que Kiro é: egoísta, tão centrado em seu mundo que fica difícil pegar um carinho e se aproximar. Mas, quando a Arqueiro liberou o livro para download gratuito, não pensei duas vezes e me joguei na história (afinal, foi de graça né amigos!!), e que delícia foi morder a língua. Kiro, se não foi um dos melhores protagonistas dessa série, está perto de ser.

Nesse conto/livro, retornamos ao passado para ver como ocorre o primeiro encontro entre Kiro e Emily, e como a paixão cresce a partir de então até Emily tornar-se a única mulher que Kiro amaria para sempre, a única mulher que mudou a vida de Kiro. Esta é sua história.

Esta mulher é a minha salvação. Ela é a minha âncora neste mundo.

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Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas:
 304
Classificação:
 3.5/5 estrelas

Anos e anos atrás, Julia Quinn estava entre as primeiras autoras que me proporcionaram o prazer de descobrir o gênero romance de época, e ainda que eu não aponte ela como a melhor entre todos os autores que já li desde então, confesso que tenho um certo apego por ela e toda a escrita doce que a acompanha.

O Conde Enfeitiçado foi meu retorno a uma de suas séries de maior sucesso. Eu não acompanho mais Os Bridgertons com tanto fervor. Na verdade desde seu primeiro livro, eu comecei a lê-la fora de ordem (comecei pelo terceiro), logo dou graças a Deus por essa família seguir  uma ordem alfabética em seus nomes, assim não me perco tão facilmente — vou seguir essa ideia para meus filhos também um dia, quem sabe. E o que eu já posso adiantar do livro é que o começo não é muito fácil, mas melhora, eu prometo.

Era algo na forma como ela se movia.
Algo na maneira de respirar.
Algo na sua forma de existir.
Ele achava que jamais superaria aquilo.

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Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas:
 376
Classificação:
 5/5 estrelas

A trilogia Grisha, que veio antes dessa nova série de Leigh Bardugo, não só em criação, mas também no mesmo universo, não foi a melhor coisa que eu li. De fato, eu até passei o meu Sombra e Ossos pra frente e terminei de ler a série emprestando de uma amiga. Achei o primeiro livro morno, com personagens previsíveis e um enredo que poderia ser interessante, se bem desenvolvido, mas mesmo em suas sequências não achei que a autora entregou todo o potencial que tinha. Six of Crows me pegou de surpresa justamente porque eu fiz o caminho reverso: não tinha grandes expectativas e ele foi perfeito.

A água ouve e compreende. O gelo não perdoa.

A premissa aqui é bem diferente da série anterior. Kaz Brekker, trapaceiro e ladrão que cresceu na região pobre de Ketterdam, recebe uma proposta enervante: montar uma equipe capaz de resgatar um prisioneiro da Corte de Gelo de Djerholm, em Fjerda e, se for bem-sucedido, receberá milhões pela tarefa. A palavra chave é enervante porque, embora o dinheiro seja suficiente para tranquilamente viver o resto de seus dias sem se preocupar com gastos, ninguém nunca antes foi capaz de escapar da Corte de Gelo — e no caso deles, ainda tem a questão de se infiltrar primeiro e só depois escapar. Mas Kaz tem grandes ambições e não se intimida facilmente. De fato, montar a equipe ideal nem leva muito tempo: ele tem Inej, seu Espectro, aquela que desafia a gravidade e percorre ruas e telhados com furtividade e maestria em seu nome; Jesper, o atirador muito eficiente e muito viciado em apostas; Wylan, especializado em demolição (e com utilidades variadas, por assim dizer); Nina, uma Grisha Sangradora que deixou Ravka pouco depois do fim da Guerra Civil por forças maiores; e, com um pouco de esforço, também tem Matthias, um Drüskelle – caçadores de bruxas que capturam e executam Grishas –, que conhece a Corte de Gelo por dentro e é uma peça fundamental para o plano dar certo. E Kaz não tem dúvidas de que pode fazer dar certo.

“Eu sou um homem de negócios”, ele lhe disse. “Nem mais, nem menos.”
“Você é um ladrão, Kaz.”
“Não foi isso que acabei de dizer?”

São seis personagens principais num livro narrado com pontos de vistas alternantes escrito de maneira muito mais adulta e madura do que a trilogia original. Bardugo me surpreendeu muito com a sua capacidade de criar personagens que parecem tão vivos, tão reais, sem se prender a estereótipos nem de personalidades nem de papéis. Cada um tem seus pontos fortes e seus defeitos, todos são pessoas com quem você pode sentir afinidade, com motivos e desejos próprios, pessoas por quem você realmente se pega torcendo, por mais louca e impossível que seja a empreitada deles — e, acredite, ela é louca e totalmente impossível.

“Não é natural que mulheres lutem.”
“Não é natural que alguém seja tão estúpido quanto é alto, no entanto aí está você.”

Claro que também acabei torcendo pela resolução dos romances, porque não dá para não querer ver os casais se entenderem, o que é muito mais do que eu posso dizer que sentia com relação a Sombra e Ossos e seus derivados, mas o romance nesse livro não é intrusivo e não atrapalha nem atrasa o desenvolvimento da trama.

Se o leitor gostou da trilogia Grisha, tenho certeza de que vai gostar de Six of Crows também. A mão que escreve essa história é a mesma, mas com muito mais maestria, de uma maneira que faz você querer saber o que vem em seguida com urgência, mas com as vantagens de que dessa vez não é previsível, e a emoção está sempre viva, com um cenário mais vasto e interessante. Que a Bardugo continue sempre evoluindo assim, porque é impressionante e mágico. Tiro o chapéu.

Muitos garotos lhe trarão flores. Mas algum dia você encontrará um garoto que vai aprender sua flor favorita, sua canção favorita, seu doce favorito. E mesmo se ele for muito pobre para te dar algo, não vai importar, porque ele terá tomado o tempo de conhecer você como ninguém mais conhece. Só esse garoto merece seu coração.


Autor: Paola Scott
Editora: Charme
Páginas:
310
Classificação:
3/5 estrelas

Provocante me ganhou por envolver um romance mais maduro, ou seja, com problemas e dramas bem distintos ao que encontramos nos new adults e romances juvenis.

A trama gira em torno de Paola, uma personagem linda, forte e decida,  que sabe o que quer e o que não quer. Com uma filha de dezessete anos, sua vida aparenta estar completamente estabilizada, tanto a nível pessoal quanto profissional. Até ele aparecer…

Pedro é um advogado que quer distância de relacionamentos — ainda que ele sempre esteja acompanhado de mulheres que estão disponíveis para ele a qualquer momento. Seguro de si, isso muda ao encontrar uma certa contadora que abala seu mundo e o faz desejar muito mais do que uma noite de sexo.

Com certeza aquela mulher seria minha. Eu ainda não sabia nada sobre ela, mas era só uma questão de tempo. Onde ela esteve esse tempo todo?

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Apenas um garoto

Autor: Bill Konigsberg
Editora: Arqueiro
Páginas:
256
Classificação:
4/5 estrelas

Apenas Um Garoto conta a história de Rafe, um adolescente que, ao contrário do que a maioria dos jovens homossexuais almejam, quer “voltar” para o armário. Cansado de ser rotulado em sua antiga escola por ser gay, mesmo que não sofresse bullying, Rafe resolve se transferir para uma instituição para garotos para cursar o último ano e se misturar sem revelar sua sexualidade e ser apenas um menino como “qualquer outro”. Mas esconder uma parte importante de si, mesmo que ele não perceba, pode se tornar uma tarefa árdua.

Quem era Rafe de verdade? É possível deixar uma parte de si mesmo em espera? E, se você fizer isso, ela se torna uma mentira?
Tudo é mais fácil para os heterossexuais. Eles não entendem. Não conseguem. Não existe essa coisa de ser hétero assumido.

Vejam bem, eu fui preparado para odiar esse livro. Sério. Pensem comigo: é um assunto tão delicado sair do armário, sendo que para quem está nesse período de autoaceitação seria ainda pior ler um livro que pregasse algo que reforçasse os padrões sociais de heteronormatividade. Nos dois primeiros capítulos, na medida que os garotos da escola são apresentados, em sua maioria brancos, malhados e atletas, bem estereotipados, meu medo aumentou e passei a temer de que fosse uma história que se aproximasse da utopia homossexual qual existe entre o meio. Felizmente, eu estava equivocado. Foi confiando naquela pulguinha atrás da orelha que me acusava de estar tirando conclusões cedo demais que logo percebi que tudo isso foi delineado para que Rafe pudesse desconstruir junto ao leitor durante a leitura.

Rafe é um garoto que num primeiro olhar nos parece egoísta por não dar valor ao que tem. Ainda assim, não é de todo errada a sua insatisfação com rótulos. Claro, não a ponto de não querer ser honesto com o mundo e com quem você é, mas ser homossexual, muitas vezes, deixa de ser uma característica sua e passar a ser quem você é. O Amigo GAY, ou colega GAY, o vizinho GAY ou o primo GAY, ou qualquer coisa do tipo. O indivíduo se torna estigmatizado por sua sexualidade. O livro vem nos dar um alerta quanto a isso e desperta duas perspectivas de uma mesma realidade, além de nos lembrar que errar é algo que continuamente estamos sujeitos a fazer.

Não dá pra negar que fiquei deslumbrado quando me dei conta que os dilemas levantados pelo autor foram idealizados para nos aproximar da humanidade. Rafe cresce: errou, acertou, caiu e se levantou diversas vezes. Terminamos o livro apaixonados por ele e com vontade de abraçá-lo. Para quem no início queria matá-lo, que avanço, não?

Gostei dos personagens de apoio, embora senti falta de desenvolvimento. Os colegas de quarto poderiam ter sido explorados, mas o autor deu um destaque maior para o interesse amoroso de Rafe que, como no início não fica exatamente claro logo de cara quem seria, prefiro não dar spoiler por aqui. Mas adianto que você pode morrer de raiva e cair de amores, tudo ao mesmo tempo. A narrativa é bem divertida e prende muito bem, tiro por mim, que não consegui largar o livro até terminar. A escrita tem um “q” de John Green, mas de forma mais suave.

Era como se aquele fosse nosso jeito. Então me perguntei se funcionaria assim mesmo, meio Brokeback Mountan. Dormiríamos juntos por um ano, então finalmente iríamos além, mas nunca falaríamos sobre o assunto. Em seguida, ele se casaria e eu seria assassinado no Texas.
Provavelmente não, mas cuidado nunca é demais.

Por fim, tive um acesso de raiva que terminei um capítulo e li “agradecimentos”. “PQP COMO ESSE CARA FAZ ISSO COMIGO P*** COMO TERMINA O LIVRO DE FORMA TÃO VAGA” foi o que pensei, e mais algumas coisas nada agradáveis. Então fiz uma pesquisa rápida no Goodreads e descobri que terá continuação. Ufa! Editora Arqueiro, queridíssima, traga a continuação o quanto antes para nós! E continue apostando em livros com personagens LGBT que nós adoramos.

É difícil ser diferente, e talvez a melhor resposta não seja tolerar diferença, nem mesmo aceitá-las, e sim celebrá-las. Talvez essas pessoas que são diferentes se sentissem mais amadas e menos… bem, toleradas.


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