Fantasia

Autora: Rosamund Hodge
Editora: Novo Século
Páginas:
 314
Classificação:
 3.5/5 estrelas

Beleza Cruel é mais uma recontagem do clássico A Bela e a Fera. Neste livro, conhecemos Nyx, que antes mesmo de nascer foi prometida ao homem que muitos acreditam ser o governante não só do povoado como também dos demônios que o assolam.

Não nasci para ser salva.

Amargurada e com medo, Nyx, com dezessete anos, finalmente se une a Lorde Gentil, e em seu castelo ela espera colocar seu plano de matá-lo em ação. Nyx só não esperava descobrir um homem sedutor e enigmático em Lorde Gentil, muito menos esperava se apaixonar.

Oookay, já deu para sacar o clichê? São vários os livros envolvendo um plot à la Bela e a Fera, e mesmo que esse livro se inclua no pacote, não se engane, Rosamund Hodge foi muuuito além disso. Para começar, dessa vez encontramos nossa protagonista não como a filha predileta, mas uma garota relegada para se tornar um cordeiro de sacrifício, pronta para pagar pelo pecado de um pai que sequer liga para ela. Se algum personagem realmente se encaixa, seria a Fera, ou melhor dizendo, Lorde Gentil, um homem repleto de enigmas e mal compreendido, digamos.

“Você ficou tão forte… Está quase pronta.”
“Eu não me sinto pronta.”

Outro ponto que destoa é o mergulho da autora em mitologia grega, folclores e lendas e essa junção forma um mundo novo, é como entrar de cabeça em Alice no País das Maravilhas, com portas que levam a lugar nenhum e caixinhas que podem conter a razão de tudo.

E no geral, não posso dizer que foi uma leitura que devorei, mas a narrativa realmente me prendeu, a todo momento eu queria entender o que realmente estava acontecendo, qual era a grande charada. Nyx também foi uma protagonista ímpar, ora cruel, ora divertida, e enquanto eu estava em dúvida quanto a ela e sua história, Nyx mostrou para que veio em seu primeiro encontro com Lorde Fera, aaah!, que encontro magnífico, tudo que começa entre tapas e beijos ganha minha atenção e foi aí que a história me ganhou.

“Pode ser que eu ainda queira matar você.”
“E quem não quer?”

E há muito mais do que uma “fera” trancada em um castelo e uma garota que precisa pagar pelos erros de seus pais, há toda uma trama, magia, segredos, traições e um último sacrifício, há ainda personagens que se provam mais do que o esperado. E com tudo isso, toda essa energia e construção para algo grande acontecer, o desfecho foi como tirar doce de criança, como se após a metade da história a autora começasse a perder a direção, sem saber bem para onde ir ou qual caminho escolher.

“O que você vai fazer?”
“O que precisa ser feito.”

Simplesmente não consigo explicar ou entender como a autora perdeu a mão, mas sim, algo aconteceu nas últimas páginas, é como se houvesse pressa para chegar a um desfecho, e uma protagonista que tanto surpreendeu mostra-se tapada, sem pensar muito em suas decisões ou no resultado que pode vir da mesma. Tudo bem, eu aceito más decisões, faz parte da trama, mas o que é complicado engolir é toda a desconstrução da personagem, que em duzentas e poucas páginas vemos amadurecer e virar dona de si, para então jogar tudo para o alto.

Beleza Cruel, no fim, pode ser apontado como aquele livro que quase chegou lá, mas seu desfecho é confuso. Ainda que responda todas as questões deixadas no ar, está longe de dar aquela sensação de encaixe perfeito, de dever cumprido. Foi bola fora, Rosamund Hodge, e ainda por cima nos 45 minutos do segundo tempo.

Vamos fingir que sabemos amar. E quem sabe um dia conseguiremos aprender.


Autora: Holly Black
Editora: Rocco 
Páginas:
 336
Classificação:
 4/5 estrelas

Alma Negra é a conclusão da trilogia Mestres da Maldição, que eu tinha em altas expectativas antes de lê-la já que a maravilhosa Holly Black assina a história. Um conselho? Não leia nada com altas expectativas.

Ela foi a paixão épica da minha infância. Foi a tragédia que me fez olhar dentro de mim mesmo e ver meu coração corrupto. Ela foi meu pecado e minha salvação.

Neste livro, após os acontecimentos em Gata branca e Luva vermelha, Cassel está decidido a deixar o passado de fora da lei para trás. Mas para isso tem que tomar decisões difíceis, como se afastar de seu grande amor, e reaprender a distinguir a linha tênue que separa o certo do errado, a verdade da mentira – mesmo com seu coração, e sua vida, correndo risco.

Durante todos os livros anteriores, vemos como Cassel precisou fazer decisões difíceis para salvar pessoas que amava, e basicamente o que percebemos neste último livro é que isso de pouco adiantou, não dá para salvar quem não quer ser salvo, e quem realmente precisará de ajuda dessa vez é Cassel porque entrou fundo em um ninho de cobras e basta um erro para ele estar morto.

Sinto que não sobrou nada. Não há vontade de lutar em mim.

Infelizmente, em suas primeiras cem páginas continuamos na mesma sintonia do livro anterior, mesmo que novos ingredientes sejam adicionados a trama. Fica até difícil apontar uma direção entre o círculo sem fim envolvendo o drama juvenil e o real suspense e aventura. O foco do protagonista está em se redimir e proteger Lila, declarar o quão profundo são seus sentimentos por ela, e eu não sei bem até agora como descrever esse relacionamento porque tudo, o laço entre eles, a antiga paixão, é apresentado ao leitor em memórias antigas dos personagens, eu vi pouco acontecer — mas quando as paixões inflaram, isso sim valeu a pena.

Na verdade, ainda estou escuro até com Cassel porque mesmo ao leitor não é dada a oportunidade de se aprofundar no personagem, então muitas vezes fiquei entre defini-lo como um idiota tapado ou herói, provavelmente nem Cassel saberia se definir.

Não é justo, eu tenho vontade de gritar para o universo. Dói demais, tenho vontade de gritar. Estou cansado de sentir dor.

E ainda que a autora una as pontas soltas, ela faz isso de uma forma tão embolada que fica difícil chegar a sensação de desfecho, Holly Black pecou muito em seu desenvolvimento, o que realmente vale a atenção do leitor e fez esse livro mais do que valer a pena é a história entre as linhas e capítulos, algo que tem menos a ver com ler e mais a ver com sentimentos durante a leitura, onde a autora mostra quão amargo pode ser crescer e quão impossível é escapar da dor de cada tomada de decisão difícil.

Por um lado, essa é uma trama sem grandes pretensões, nem sempre bem arquitetada, mas como todo livro de Holly Black, ela sempre acerta em algo, então nessa aventura não é sobre um final feliz mas sim quão complicado é chegar lá, e principalmente, não é sobre um protagonista que se torna herói, Cassel nem sequer está tentando ser um, é sobre estar vivo para o grande golpe.

Está na hora de ir com tudo, para um lado ou para outro. Está na hora de decidir no que quero acreditar.


Snow Like Ashes

Autora: Sara Raasch
Editora:  Balzer + Bray
Páginas: 416
Classificação: 5/5 estrelas

Uma menina com um coração quebrado. Um guerreiro feroz. Um herói em construção. Há dezesseis anos atrás, o Reino de Inverno foi conquistado e os seus cidadãos escravizados, deixando-os sem magia ou um monarca. Agora, a única esperança de libertação dos Winterianos são os oito sobreviventes que escaparam e que esperam pela oportunidade de roubar de volta a magia de Inverno e reconstruir o seu reino desde então.

Algum dia, seremos mais do que palavras na escuridão.

Órfão ainda criança durante a derrota de inverno, Meira viveu toda a sua vida como refugiada, criada pelo General dos Winterianos Sir.. Treinando para ser um guerreiro e perdidamente apaixonada por seu melhor amigo, e futuro rei, Mather — disposta a tudo para ajudar o seu rei a recuperar de volta o poder. Então, quando exploradores descobrem a localização do medalhão antigo que pode restaurar a magia de Inverno, Meira decide ir atrás ela mesma. Finalmente, ela está escalando torres, lutando contra soldados inimigos, e servindo o seu reino, assim como ela sempre sonhara. Mas a missão não saiu como planejada, e Meira logo se vê presa em um mundo de magia negra e política perigosa, e basicamente, percebe que o seu destino não é e nunca foi seu.

Não importa o que aconteça, não importa o que gira ao meu redor, não importa o que o poder que ele acha que tem sobre mim, ainda sou eu. Eu sempre serei eu.

Isto foi absolutamente ÉPICO! Minha nossa senhora das mocinhas órfãs! Eu amo Meira! Ela é a mistura entre força e fraqueza, mas de acordo com o que ela mesma diz: ela é forte o suficiente por si só e ainda assim muito fraca, mas isso não a impede um momento sequer nesse livro!

E as batalhas descritas e narradas nessa fantasia são de proporções épicas, a autora tem um enorme poder de escrita criativa, o mundo criado em Snow like Ashes é poético, é mítico e intenso, e tem um detalhe muito interessante nesse livro: há uma ausência de sexismo aqui, fato extremamente comum nas fantasias! As coisas são equilibradas, tanto no que diz respeito aos personagens quanto a construção do mundo. (Viva a igualdade dos sexos)

Eu sei que há coisas que você não está me dizendo. Grandes coisas… Sir, e eu vou descobrir. Só espero que o motivo seja bom o suficiente para que eu possa perdoá-lo.

Porém, preciso destacar dois pontos: aqui nada é o que parece, fiquem atentos aos detalhes, pois Sara escondeu algumas surpresas que vão te deixar de queixo caído. E existe um romance nesse livro e sim é um triângulo, mas acredite em mim, ele fica tão em segundo plano, que você nem se lembra de que há um luta por afeições *risos*. As ações se sobrepõem ao romance, eu garanto!

Os mocinhos dessa trama são absolutamente iguais e assim mesmo tão diferentes… Um protege demais, já o outro estimula e incentiva e, sim, eu tenho meu preferido! *suspira*

A ação e a tensão são constantes, o final é fechado e a batalha final é FANTÁSTICA por conta de uma grande revelação que nem eu soube de onde veio aquilo! Mas a explicação ficou tão perfeita e coesa que me vi parabenizando a autora mentalmente! Isso é só um pouco do que fez Snow like Ashes um dos três melhores livros que li em 2015. Sara, você me surpreendeu e eu recomendo muito o seu livro.

Mesmo as mais fortes nevascas começaram com um único floco de neve.


Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Páginas:
 288
Classificação:
2.5/5 estrelas

Mil Pedaços de Você conta a história de Marguerite Caine, uma adolescente que sempre foi cercada por teorias cientificas. Família? Os pais são físicos brilhantes. Sua mãe então consegue inventar uma peça chamada Firebird. O que ela faz? Simplesmente te leva a outras dimensões paralelas. No mundo desse livro, existe diversas dimensões –- uma para cada escolha diferente que alguém pode fazer.

Quando o seu pai é assassinado, todas as evidências apontam que seu doce Paul – o primeiro cara por quem ela talvez estivesse se apaixonando – foi quem cometeu tal crime. Para desvendar tal mistério e fazer vingança ao nome do seu pai, ela e Theo programam os seus Firebirds para seguir Paul em cada dimensão que ele pular. Em cada dimensão, Marguerite tem uma vida diferente e ela vai aprendendo cada vez um pouquinho sobre si mesma. Mas será que ela está pronta para os segredos que essa viagem a revelará?

Eu amo Claudia Gray desde que li seus livros da série Noite Eterna –- um dos meus primeiros vícios no mundo literário –, e eu não podia esperar para ler sua nova obra. Porém, Mil Pedaços de Você se mostrou um livro diferente daqueles que eu li na adolescência.

Estou aqui agora. Não vou deixar você.

Para começar, Claudia escolheu ambientar sua nova série em um mundo onde por meio da ciência é possível encontrar outras dimensões com realidades diferentes do que os personagens estão habituados – o que eu achei fascinante, apenas ficou faltando uma explicação mais reforçada.

A narração é feita em primeira pessoa por Marguerite. E vamos combinar, que mocinha mais induzível. Ao descobrir que seu pai foi assassinado e evidências que apontam para Paul – o cara que ela tanto ama –, o que ela faz? Logo de cara acredita. Capítulos a frente, ela continua se entregando a quem a convencer de que é o certo. Isso sinceramente é bem chato.

Além disso, o que eu achei estranho foi ela praticamente não ter diálogos com a irmã dela. Às vezes nem me lembrava que ela tinha uma. Marguerite simplesmente abandonou sua mãe e sua irmã em um momento difícil para ir atrás de algo que nem sequer tinha tanta certeza. E o que foi difícil de engolir, justamente a Marguerite, que estamos falando, tinha que ser “a especial” do livro. O motivo? Nem eu entendi. A autora poderia procurar diversificar um pouco na questão de ser especial e diferente. Na maioria das vezes é a personagem principal e ninguém entende o porquê.

Você estava em perigo… Eu tinha que fazer o possível para protegê-la. – Ele procura meu olhar. – Os riscos não importam. Você importa.

Eu fiquei esperando pela grande surpresa que teríamos, como Claudia tanto fez na série que eu amava, mas isso não aconteceu. Tudo foi seguindo um rumo que foi difícil se interessar. O que acaba me trazendo à mente: qual seria o assunto do próximo volume? Quem sabe Claudia consiga dar a volta por cima e fazer um livro melhor, não é mesmo? Só nos resta esperar. Mas ainda assim Mil Pedaços de Você é uma leitura válida para um passatempo, mas no fim foi só mais um livro que poderia ser, mas não foi tão bom.

As pessoas dizem que o tempo cura (…). O que as pessoas querem dizer é que, eventualmente, você vai se acostumar com a dor. Vai se esquecer de quem era antes dela, da sua aparência antes das cicatrizes.


Autora: Deborah Harkness
Editora: Rocco
Páginas:
 560
Classificação:
5/5 estrelas

Eu quero começar essa resenha parafraseando Marcel Proust quando ele diz: “Gostamos de sair um pouco de nós mesmos, de viajar, quando lemos”. Ah, Deborah! Muito obrigado por me fazer sair de mim mesma em todas as vezes que estive imersa em cada um dos três livros dessa sua trilogia. Obrigado pelos personagens maravilhosos e os cenários incríveis aonde você me levou, do passado ao presente, do moderno ao clássico, da alegria ao choro, da raiva ao amor. Essa série é para mim a que tem o melhor nível de pesquisa que já encontrei, uma precisão dos detalhes assombrosa, de forma que você se sente verdadeiramente vivenciando a cena e os diálogos. Eu estou tão emocionada com o fim dessa série que nem sei se terei condições psicológicas de fazer essa resenha, mas vamos lá!

Os segredos, assim como os mortos, nem sempre permanecem enterrados.

Depois dos acontecimentos de Sombra da Noite, Diana Bishop e Matthew de Clairmont retornam ao presente para enfrentar as consequências de sua volta ao passado e velhos inimigos. Só que esse retorno traz mais surpresas do que Diana poderia imaginar e a verdadeira ameaça ao seu futuro ainda está para ser revelada e a busca pelo Ashmole 782 e suas páginas assume ainda mais urgência quando ela aparece.

Em seu volume final, Harkness traz o poder e a paixão, o sentido da palavra família e suas inquietações, ações passadas e suas consequências no presente. Através de casas ancestrais e laboratórios universitários, cruzando conhecimento antigo e ciência moderna, desde as montanhas do Auvergne aos palácios de Veneza, o casal finalmente aprende o que as bruxas descobriram tantos séculos atrás.

Logo de inicio eu tenho que avisar que em O Livro da Vida várias perguntas são respondidas e algumas não, mas não se aflijam pessoas! Talvez isso se deva ao fato de que autora deixou uma abertura para escritas futuras sobre esse universo, o que achei plausível, veja bem: existem livros que não merecem ou não tem conteúdo suficiente para expansão do seu universo, o que não se aplica aqui, Diana, Matthew e seus descendentes ainda têm muito por contar, as possibilidades são infinitas. *risos de felicidade*

Se você realmente ama alguém, você vai apreciar o que eles desprezam mais sobre si mesmos.

Novos e velhos (e apaixonantes eu diria) personagens surgem nesse livro, alguns estão definitivamente no meu coração para sempre, como Fernando, Gallowglass, Cris, Ysabeau, eu gostaria muito de ter/ler algo sobre Gallowglass, não apenas um livro, mas uma série completa! E os diálogos estão cada vez melhores! Eu amo cada vez mais os De Clairmont e sua “interessante” constituição familiar. *risos histéricos*

Diana tem que lidar com perdas, ganhos, e algumas batalhas internas. Eu particularmente fiquei muito feliz com o vinculo que ela tem com Philippe Clairmont, era algo que eu já suspeitava e veio a se concretizar de uma forma muito bonita e sagrada, Deborah nos mostrou o quanto esse personagem foi importante e decisivo para o futuro de sua família e da série, e os momentos em que ele apareceu foram emocionantes. *chora*

E por fim, quero que vocês me perdoem por não me aprofundar demais nos comentários, talvez porque eu mesma não consiga expressar o quanto estou tocada por esse livro e essa série, ao final eu senti uma enorme sensação de contentamento que a muito eu não sentia em minhas leituras. Nem preciso dizer que Deborah foi perfeita em sua escrita e narrativa e mais uma vez eu me curvo ao seu enorme talento. Espero ansiosamente no futuro ter um deslumbre dos Bishop-Clairmont e do fantástico mundo e personagens da trilogia All Souls novamente!

Eu vejo você, mesmo quando você se esconder do resto do mundo. Eu ouço você, mesmo quando você está em silêncio.


The Kiss of Deception

Autora: Mary E. Pearson
Editora: Henry Holt
Páginas:
 492
Classificação:
 5/5 estrelas

Em uma sociedade com uma longa tradição, a vida da princesa Arabella Celestine Idris Jezelia, ou simplesmente Lia, segue um curso pré-determinado. Como a primogênita da Casa de Morrighan, espera-se que ela possua o venerado dom da visão (mas ela não o tem), o que faz com que seus pais armem uma farsa quando organizam o seu casamento para garantir uma aliança com um reino vizinho, esperando que ela case com um príncipe que nunca conheceu.

Hoje era um dia que centenas de sonhos iriam morrer e um único sonho iria nascer.

Então, na manhã de seu casamento, ela foge para uma vila distante, onde começa uma nova vida. A chegada de dois estranhos de aparências muito distintas chama a atenção de Lia, mas o que ela não sabe realmente é que um dos dois é o Príncipe abandonado e o outro um assassino enviado para matá-la. Quando a mentiras crescem, Lia está prestes a desvendar perigosos segredos – inclusive se apaixonar.

Talvez houvessem diversas maneiras diferentes para se apaixonar.

*Som da marcha nupcial* Viveram felizes para sempre * barulho de disco arranhando*

Eu poderia enumerar aqui a quantidade de coisas que poderiam dar errado nesse livro, sabe por quê? É um clichê atrás do outro: Princesa mimada (mas com opinião e coragem) e Príncipe arrogante (mas determinado e leal); Reino e casamento real (mas não tão real assim); Assassino sexy (mas muito perigoso); Tramas, reinos, intrigas…

E eis que surge a maior pegadinha da história dos plots, eu simplesmente fui atropelada com esse jogo de POV’s (point of view, ou basicamente capítulos narrados por diferentes pessoas) executados brilhantemente aqui. Mary E. Pearson sambou na minha cara de salto agulha, eu fui trolada por essa autora, enganada! E é por esta razão que EU TE AMO Mary, o seu poder de escrita é fantástico.

Era uma vez, havia um homem tão poderoso como os deuses…

Mas mesmo o mais poderoso pode tremer de medo.

Mesmo o mais poderoso pode cair.

Há uma grande construção de enredo e personagens, eles são tão profundos e complexos e estão tão interligados uns aos outros, em nenhum momento senti algum deles isolado na trama, tudo muito bem amarrado, inclusive os personagens secundários.

E claro, há o meus preferidos: o que dizer de Lia? Ela é a melhor princesa que já li nesses livros de fantasia, ela é diferente, com pensamentos próprios e vontade de se provar. É uma das poucas mocinhas que “chuta o pau da barraca” e não tem medo de enfrentar as consequências, isso é uma coisa difícil no gênero fantasia, onde as mocinhas são sempre vitimizadas e colocadas em segundo plano, mas aqui não, aqui Lia é a protagonista sem sombra de dúvidas.

Quem era essa garota que meteu seu nariz entre dois reinos e fez o que bem quis?

O príncipe… Bem, ele é muito diferente do que imaginei a principio. Ele é quente, isso não resta dúvidas (vocês vão ver). O assassino, bem… Perigoso, letal e persuasivo (super sexy também). Aliás, a construção desses dois personagens deve ter dado um trabalho para a autora por conta do jogo que ela faz na escrita. Aguardem e leiam que vocês vão entender.

Você vai me perguntar se há um triangulo amoroso? Para mim não há, Lia sempre soube o que queria, apesar das investidas de ambos os moços *risos*, então leia sem medo e aproveite a viagem, pois há lutas, sangue, suor e muitas lágrimas. As últimas 150 páginas são de cortar o coração, e a jornada de Lia apenas começou.

Às vezes o inimigo é apenas uma pessoa que vai derrubar um reino.

Mary E. Pearson está de parabéns e eu me curvo a sua nova série de fantasia, que para mim foi uma das três melhores do ano de 2015. Mal posso esperar por sua sequência, esta série está mais do que recomendada!


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