Fantasia

Autor: Brent Weeks
Editora: Arqueiro
Páginas:
232
Classificação:
4.5/5 estrelas

Caminhos das Sombras conta a saga de Azoth, um órfão que vive em uma realidade de dor e sofrimento nas mãos de garotos mais velhos nas ruas. Quando sua vida e de seus amigos se encontram ainda mais em risco, Azoth resolve buscar o respeito de Durzo Blint, a lenda viva entre os mercenários detentores de magia conhecidos como “Derramadores”, para que possa se tornar seu aprendiz na arte de matar. Para tanto, Azoth tem que deixar para trás quem é e se tornar uma arma viva de matar nas sombras, sendo inaceitável ser descoberto ou cometer falhas. Neste destino sombrio, Azoth, ao se tornar Kylar, vai descobrir que o caminho para sua liberdade pode ser também o caminho para sua perdição.

O livro, de certa forma, foi uma grande surpresa. Quando o vi pela primeira me interessei de imediato, mas em uma má decisão por conta da capa clichê do que se tornou padrão em muitos livros de fantasia (um personagem encapuzado em uma pose de efeito), fui sempre jogando-o como item futuro da minha lista de leitura. Eis que finalmente li e me deparei num processo insano de não conseguir largar o livro onde quer que eu estivesse até conseguir concluí-lo.

A vida é vazia. Quando tiramos uma vida, não estamos tirando nada de valor. Derramadores são matadores. É só isso que fazemos. É só isso que somos. Não há poesia no ofício da amargura.

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Carry On surgiu pela primeira vez em um trabalho anterior de Rainbow Rowell, Fangirl, sendo uma ficção dentro da ficção. O título é sugestivo, mas basicamente Fangirl tem como foco uma personagem fanática por uma série de livros de um bruxo chamado Simon Snow, e desde que começou a publicar na internet fanfics com os personagens da obra original, Cath acaba ganhando muita popularidade entre os fãs do original (aliás, recomendo muito a leitura de Fangirl <3). No ano passado, então, Rainbow resolveu dar forma a um livro que mesclaria esses dois lados de Carry On retratados no livro anterior, mas de forma independente. Ou seja: não é uma continuação de Fangirl, sendo Carry On – A Queda e Ascenção de Simon Snow o desfecho que a autora acreditou que os personagens, até então duplamente fictícios, mereciam, os transportando para um livro só deles e se enveredando em um caminho não percorrido por ela até então: o da fantasia.

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Simon Snow é um bruxo que estuda numa escola de magia na Inglaterra. Profecias dizem que ele é o Escolhido. Você pode até estar pensando que já conhece uma história parecida. O que você não sabe é que Simon Snow é o pior escolhido que alguém já escolheu. Poderosíssimo, mas desastroso a ponto de não conseguir controlar sequer sua própria varinha, Simon está tendo um ano difícil na Escola de Magia de Watford. Seu mentor o evita, sua namorada termina com ele e uma entidade sinistra ronda por aí usando seu rosto. Para piorar, seu antagonista e colega de quarto, Baz, está desaparecido, provavelmente maquinando algum plano insano a fim de derrotá-lo. Carry on é uma história de fantasmas, amor e mistério. Tem todos os beijos e diálogos que se pode esperar de uma história de Rainbow Rowell, mas com muito, muito mais monstros.

Você deve aprender a se proteger sozinho, Simon, e quanto antes, melhor. Ele é a nossa maior ameaça. E você é a nossa maior esperança.

Meu santo Raziel, há tempos que eu não me via tão envolvido com um livro, embora tenha lido ótimos neste último ano. Rowell definitivamente tem o dom de prender seus leitores do começo ao fim de suas histórias. Carry On começa cheio de mistérios, e em suas primeiras páginas pode enganar parecendo só mais um universo genérico de uma fantasia com magia, mas logo percebe-se que é proposital e que a história se mantém por si só, sendo desenvolvida, imagino eu, com muito carinho, carinho esse que somente alguém muito apaixonado (a) por escrever poderia criar.

Simon e Baz são personagens extremamente apaixonantes e diferentes um do outro. Na primeira parte (de quatro) do livro, Baz não aparece, então a imagem que o leitor cria dele surge apenas com base no que o outro diz (coisas horríveis, vale mencionar). Simon é um menino impetuoso, com as expectativas das pessoas ao seu redor sempre focadas nele. Embora hoje tenha encontrado o seu lugar na Escola de Magia, com uma grande amiga, uma namorada (blergh) e até mesmo um rival (<3), o garoto tem um passado triste que no decorrer do livro é explorado, e é chave para muitas respostas.

Falar de Baz sem dar spoilers seria praticamente impossível, então vou resumir dizendo que, po**a, melhor personagem do livro! Que humor mordaz! Que personalidade e sentimentos bem construídos. Seja ele bom ou ruim, ficou no meu coração.

É sempre fogo com Baz. Eu não acredito que ele ainda não me incinerou. Ou me queimou numa estaca.

Os personagens secundários também são bem legais, com destaque para a divertida Penélope, a típica garota alternativa e autêntica que você gostaria de andar no recreio. O Mago, diretor da instituição também foi um bom personagem, mas achei pouco explorado. Enquanto isso, Agatha foi uma personagem que detestei, principalmente da metade do livro em diante. Namorada de Simon até então, até consegui compreender os seus dilemas, mas a forma que ela lida com as coisas é lamentável.

A narrativa é intercalada entre vários personagens. Geralmente esse método me deixa com mais vontade de ler na voz de alguns personagens no que de outros, mas todas as perspectivas colaboram para a história como um todo. Isso contribui para ter uma visão ampla de vários pontos e atitudes tomadas no decorrer da trama.

O sistema de Magia é um pouco simples, mas ainda assim legal, com verbalização de frases que, não sei se foi pela tradução/adaptação, são bem nonsenses. Além de bruxos, Carry On flerta com muitos outros seres fantásticos do nosso imaginário, como vampiros, fadas e ogros.

– Eu não sou o escolhido – diz ele

– Eu te escolho – digo – Simon Snow, eu escolho você.

Carry On é mais um dos grandes achados que fico feliz por encontrar frequentemente por aí. Recomendo para qualquer pessoa que goste de uma leitura divertida e ao mesmo tempo sensível. E, além disso, que goste de sofrer todo o tempo torcendo para que os protagonistas se deem conta dos sentimentos de um pelo outro! HUhahaha

O livro termina com um gostinho de quero mais, e se depender de Rainbow Rowell teremos outra vez o sabor dessa história. A autora disse em entrevista que provavelmente publicará uma continuação, então resta ficar no aguardo e torcer para não ser trouxa como fomos com Eleanor & Park, já que um segundo livro nunca saiu do papel. De todo mundo, vocês já sabem que devem terminar essa resenha correndo em busca do livro. Boa leitura. <3

 

Simon serelepe


Vamos deixar claro que esse não é um livro padrão Harry Potter, é um livro padrão teatro e muita coisa se perde nisso e eu posso apontar o livro como um extra para os fãs da saga e seus personagens, mas que no geral esta bem aquém. Quer saber o que mais achei? Confere o vídeo! 


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Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas:
 376
Classificação:
 5/5 estrelas

A trilogia Grisha, que veio antes dessa nova série de Leigh Bardugo, não só em criação, mas também no mesmo universo, não foi a melhor coisa que eu li. De fato, eu até passei o meu Sombra e Ossos pra frente e terminei de ler a série emprestando de uma amiga. Achei o primeiro livro morno, com personagens previsíveis e um enredo que poderia ser interessante, se bem desenvolvido, mas mesmo em suas sequências não achei que a autora entregou todo o potencial que tinha. Six of Crows me pegou de surpresa justamente porque eu fiz o caminho reverso: não tinha grandes expectativas e ele foi perfeito.

A água ouve e compreende. O gelo não perdoa.

A premissa aqui é bem diferente da série anterior. Kaz Brekker, trapaceiro e ladrão que cresceu na região pobre de Ketterdam, recebe uma proposta enervante: montar uma equipe capaz de resgatar um prisioneiro da Corte de Gelo de Djerholm, em Fjerda e, se for bem-sucedido, receberá milhões pela tarefa. A palavra chave é enervante porque, embora o dinheiro seja suficiente para tranquilamente viver o resto de seus dias sem se preocupar com gastos, ninguém nunca antes foi capaz de escapar da Corte de Gelo — e no caso deles, ainda tem a questão de se infiltrar primeiro e só depois escapar. Mas Kaz tem grandes ambições e não se intimida facilmente. De fato, montar a equipe ideal nem leva muito tempo: ele tem Inej, seu Espectro, aquela que desafia a gravidade e percorre ruas e telhados com furtividade e maestria em seu nome; Jesper, o atirador muito eficiente e muito viciado em apostas; Wylan, especializado em demolição (e com utilidades variadas, por assim dizer); Nina, uma Grisha Sangradora que deixou Ravka pouco depois do fim da Guerra Civil por forças maiores; e, com um pouco de esforço, também tem Matthias, um Drüskelle – caçadores de bruxas que capturam e executam Grishas –, que conhece a Corte de Gelo por dentro e é uma peça fundamental para o plano dar certo. E Kaz não tem dúvidas de que pode fazer dar certo.

“Eu sou um homem de negócios”, ele lhe disse. “Nem mais, nem menos.”
“Você é um ladrão, Kaz.”
“Não foi isso que acabei de dizer?”

São seis personagens principais num livro narrado com pontos de vistas alternantes escrito de maneira muito mais adulta e madura do que a trilogia original. Bardugo me surpreendeu muito com a sua capacidade de criar personagens que parecem tão vivos, tão reais, sem se prender a estereótipos nem de personalidades nem de papéis. Cada um tem seus pontos fortes e seus defeitos, todos são pessoas com quem você pode sentir afinidade, com motivos e desejos próprios, pessoas por quem você realmente se pega torcendo, por mais louca e impossível que seja a empreitada deles — e, acredite, ela é louca e totalmente impossível.

“Não é natural que mulheres lutem.”
“Não é natural que alguém seja tão estúpido quanto é alto, no entanto aí está você.”

Claro que também acabei torcendo pela resolução dos romances, porque não dá para não querer ver os casais se entenderem, o que é muito mais do que eu posso dizer que sentia com relação a Sombra e Ossos e seus derivados, mas o romance nesse livro não é intrusivo e não atrapalha nem atrasa o desenvolvimento da trama.

Se o leitor gostou da trilogia Grisha, tenho certeza de que vai gostar de Six of Crows também. A mão que escreve essa história é a mesma, mas com muito mais maestria, de uma maneira que faz você querer saber o que vem em seguida com urgência, mas com as vantagens de que dessa vez não é previsível, e a emoção está sempre viva, com um cenário mais vasto e interessante. Que a Bardugo continue sempre evoluindo assim, porque é impressionante e mágico. Tiro o chapéu.

Muitos garotos lhe trarão flores. Mas algum dia você encontrará um garoto que vai aprender sua flor favorita, sua canção favorita, seu doce favorito. E mesmo se ele for muito pobre para te dar algo, não vai importar, porque ele terá tomado o tempo de conhecer você como ninguém mais conhece. Só esse garoto merece seu coração.


Autora: Muriel Barbery
Editora: Companhia das Letras
Páginas:
270
Classificação:
2.5/5 estrelas

Eu não conheço o outro livro (muito aclamado, diga-se de passagem) da autora Muriel Barbery, A elegância do ouriço, mas por todos os lados que eu pesquisei sobre ela o que aparecia eram elogios a ele… e críticas a A vida dos elfos. Como decidi ler esse livro num impulso, só fui pesquisar depois de já estar com ele, e provavelmente não o teria escolhido se não tivesse sido assim. Mas não é um livro que eu me arrependa de ler, o que é um indicativo de que nem sempre devemos seguir o que os outros dizem, não é?

Não conheciam nenhum adulto que soubesse tocar assim aquele prelúdio, porque aquela criança tocava com uma tristeza e uma dor de criança, mas uma lentidão e uma perfeição de homem maduro, quando ninguém, entre os adultos, conseguia mais alcançar o encantamento do que é jovem e velho ao mesmo tempo.

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Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas:
496
Classificação:
5/5 estrelas

Em Espada de Vidro temos a continuação da história no exato momento em que A Rainha Vermelha termina. Mare Barrow está cada vez mais perto de uma guerra entre sangues, onde nem todos irão sobreviver.

Mare terá muitos desafios nessa busca pelos “sangue novos” para fazer parte da Guarda Escarlate, um grupo de rebeldes vermelhos. E isso não será tarefa fácil, os Vermelhos com dons especiais vivem em segredo e muitos sequer sabem que possuem algum poder dentro de si. Cabe a Mare Barrow, com a ajuda de Cal, colocar os Vermelhos na trilha certa para acabar com o reinado de Maven antes que ele os encontre, e então será cheque mate.

Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.

Neste segundo volume da série A Rainha Vermelha, conhecemos mais a fundo personagens que foram deixados de lado no livro anterior; um deles é Farley, uma personagem que instiga amor e ódio. E então há os novos personagens, novas descobertas, novos poderes, e ainda que a emoção tenha sido grade, preciso confessar que não foi fácil lidar com algumas dessas novidades e alguns desses personagens. Outro ponto que se destaca é a quantidade de sangue derramado entre os Vermelhos e Prateados neste livro. Ainda estamos no segundo livro de uma série de quatro e estou com medo do que pode acontecer nos próximos livros.

A escrita de Victoria Aveyard flui bem — por vezes posso apontar a construção como um pouco lenta, mas  nada que atrapalhasse minha leitura -, e mais uma vez ela se mostra uma autora fantástica, você se vê preso na leitura e me vi tão preso na leitura que quando parei para respirar mais da metade do livro foi lido. Com tantas reviravoltas e cenas de ação, ora eu me encontrei em agonia, desesperado para ver qual caminho a trama trilharia, e ora me encontrei completamente cativado. E claro, nem tudo são flores, e o sentimento mais presente em mim foi o luto.

Parecemos fracos porque queremos.

Mare Barrow também se mostrou uma protagonista repleta de nuances. Ela é forte, determinada, mas está longe de ser perfeita. Mare quer vencer a guerra mas está confusa, há toda uma gama de sentimentos e talvez seja complicado para alguns leitores lidar com isso. Muitos querem uma heroína perfeita, forte, acima de todos os erros, e o que encontramos foi uma garota que entre erros e acertos tenta mudar o destino de toda uma sociedade.

E o desfecho simplesmente não deixou por menos. Imprevisível, desesperador, uma explosão de sentimentos e foi preciso parar e respirar fundo. A autora deixou mais do que claro que essa será uma série que jorrará sangue, e ela não vai poupar ninguém. Estou louco para conferir o que ela vai aprontar na sequência, King’s Cage (A gaiola do rei, em tradução livre), mas longe de estar preparado para o que está por vir.

“Atenha-se ao seu destino, Mare Barrow.”
“Que é?”
“Se levantar. E se levantar sozinha.”


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