Fantasia

Autor: Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Páginas:
352
Classificação:
4/5 estrelas

Sabe quando você está muito, muito, muito ansioso para ler um livro, com altas expectativas? Pois bem, multiplica isso, e então você deve entender bem meus sentimentos antes de iniciar Rainha de Tearling. Lê-lo em uma tacada foi fácil, difícil é lidar com a espera pelo próximo livro (que eu li no dia seguinte porque não aguentei, confesso).

A trama gira em torno de Kelsea, uma princesa enviada ao exílio ainda criança por sua mãe, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta.

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Autora: Naomi Novik
Editora:  Del Rey
Páginas:
 435
Classificação:
 4/5 estrelas

Essa é a história de uma garota simples e estabanada que está sempre disposta a andar pelo bosque, subir em árvores, e viver sua vida ao ar livre. Essa garota vive em um reino mágico e nesse lugar há um Dragão, não um dragão de verdade, claro, mas um mago conhecido por proteger o vale, entretanto ele não faz isso de graça. Em troca da proteção, ele pede uma coisa? a cada dez anos ele poderá escolher uma garota e leva-la para sua torre. Agnieszka, nossa garota, sabe que não precisa se preocupar em ser escolhida porque algo muito pior deve acontecer: sua melhor amiga, Kasia, a mais bela e corajosa dentre todas as garotas, é esperada para estar com o Dragão. Porém, quando o dia decisivo chega e a escolha acontece, não é a amiga perfeita a escolhida.

Não há bondade alguma em oferecer falsas esperanças.

AAAAAAH, deixa eu colocar de forma clara que nossa protagonista é maravilhosa. Estabanada, medrosa, ela realmente está longe de ser perfeita, mas o que ela tem de sobra é vida, ela transpira energia, e vai fazer da vida do temido Dragão um inferno. Que beleza, não é mesmo?

Enquanto nosso Dragão espera se manter longe de laços e ter uma vida ordenada e pacata, Agnieszka ousa viver, respirar cada aventura, e acreditar em possibilidades. Com ela aprendemos a importância de pertencer, do lar, e de prezar aquilo que te tornou a pessoa que é.

“Sua lunática insuportável,” ele rosnou para mim, e então ele pegou meu rosto entre suas mãos e me beijou.

O livro é repleto de pontos positivos, com a narrativa de nossa protagonista, e a construção brilhante da autora, você acaba por se sentir parte da história, treme com a aventura, e fica louca com o romance — eu fiquei! Entretanto, essa também é uma fantasia longa, e se você quer que tudo aconteça de forma rápida, que a adrenalina se mantenha sempre no topo, talvez esse não seja seu livro ideal.

Uprooted é uma história que envolve mais o amor, o amor puro pelo lar, pelos laços que vão além do sangue, e é uma leitura tão gostosa e prazerias de se imaginar que sua última página chega a ser agridoce porque você sabe que livros como esse não são tão facilmente encontrados, mas são histórias como essa que me recordam porquê me tornei uma amante dos livros.

Estamos destinados a ir. Não estamos destinados a ficar para sempre.


Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas:
688
Classificação:
5/5 estrelas

De tempos em tempos qualquer leitor necessita de um autor que abale suas estruturas e traga um novo fôlego para o ardor de sua paixão literária. No meu caso, encontrei além do necessário em Brandon Sanderson. Autor de diversas séries, várias delas publicadas no Brasil por diferentes editoras, o conheci com a trilogia Mistborn que me arrebatou por inteiro desde o seu prólogo. É com grande euforia que hoje falo sobre o terceiro e último volume dessa paixão. Ah, e sem spoilers ou grandes revelações não só de Herói das Eras, quanto da série como um todo.

“Se estiverem lendo isso, contudo, eu falhei. Ou seja, estou morto.”

No primeiro volume Brandon subverteu o clichê das grandes obras de fantasias em diversos pontos, mesmo que em sua raiz muita coisa seja bebida de seus antecessores do gênero. Digo isso pela criatividade que ele traz na condução de sua narrativa e sua habilidade de nos enganar. E assim perdurou durante três livros: o autor avisando, jogando na cara que determinada coisa aconteceria, e ainda assim você é surpreendido quando acontece. O crescimento da trama é magnífico, sendo que pequenos detalhes lá do começo acabam por ser de suma importância no futuro. Vamos combinar que poucos são os escritores que conseguem escrever uma série literária qual consiga somar qualidade e o fechamento de pontas soltas, além de ser um exemplo de planejamento de escrita.

Em Herói das Eras os protagonistas estão lidando com, sem tirar nem por, o fatídico fim do mundo, grande parte devido aos acontecimentos ocorridos no final do segundo volume, no Poço da Ascenção. Se lá posso garantir que você vá ficar sem fôlego, no fechamento da trilogia o seu coração fica na mão em tempo integral. Elend e Vin cresceram de forma gigantesca! De jovem erudito e uma garota conturbada a Imperador e Imperatriz, a evolução desses e outros personagens é algo inquestionável.

Precisa haver equilíbrio, Vin. Vamos encontra-lo de algum jeito. O equilíbrio entre quem desejamos ser e quem precisamos ser.  –  Ele suspirou – Mas, por ora – ele disse, meneando a cabeça – , precisamos apenas estar satisfeitos com quem somos.

 A história divide os personagens em capítulos em diversos pontos do Novo Império, antigo Império Final, para que no clímax tudo se encaixe de forma que o leitor não espera. Tanto nos detalhes desses diferentes núcleos (sendo que cada trecho deve ser lido com bastante atenção) quanto em passagens dos livros anteriores que muitos de nós julgávamos sem importância. OreSeur, Fantasma, Sazed e muitos outros; não consigo expressar o quão gratificante é terminar o livro e sentir que foram todos desenvolvidos em uma jornada fechada e bem equilibrada, trazendo cada ato na medida certa.

As duas últimas partes do livro são frenéticas. Não vou mentir, é soco atrás de soco no estômago. É aperto no peito, desespero e lágrimas a cada virar de página. MEU DEUS! Certo acontecimento logo no final me desestabilizou de tal forma que a dor sentida foi tão pesada como se fosse algo real o ocorrido e não ficção. A revelação de quem é o verdadeiro (a) Herói (Heroína) das Eras então, você fica se questionando como nunca pensou naquilo antes porque, pasmem, FAZ TODO SENTIDO!

Vin o olhou nos olhos, e eles voltaram a dançar. Não falaram nada, simplesmente deixaram a maravilha do momento embalá-los. Era uma experiência surreal para Vin. Tinham um exército postado lá fora, as cinzas caíam sem descanso e as brumas tiravam vidas. Ainda assim, dentro daquele salão de mármore branco e cores reluzentes, ela dançava com o homem que amava pela primeira vez.

O sistema de magia e os elementos de criação do mundo são um show a parte. Se no começo eu me sentia confuso com os fundamentos de conceitos como Alomancia e Feruquemia, agora já podem me trazer um diploma de “Formado em Mistborn”, embora haja muito a ser explorado. É tudo tão intricado, até mesmo o “vilão” Ruína, pra mim é mais como a personificação de uma força da natureza em forma de deus seguindo a sua essência de destruição.

Aliás, Mistborn faz parte de um universo maior idealizado pelo autor, a Cosmere, onde outras várias séries do autor se passam uma em cada planeta com suas características, culturas e mitologias que regem suas tramas. Mas isso é assunto para um futuro artigo especial para que possam compreender melhor. Fico devendo, mas um dia sai!

Posso dizer, sem sombra de dúvida, que tudo se encaixa em três ótimos livros que você lê em pouco tempo, devido ao seu ritmo ao mesmo tempo enxuto e bem escrito, não devendo nada a outras grandes obras do gênero e maleável o suficiente para ser lido por qualquer pessoa de qualquer idade (acima dos 13 anos, claro). Brandon é muito bom em quantidade e qualidade, já que escreve uma média de três livros por ano.

Épico em todos os sentidos, envolvendo aventura, política, fantasia e até mesmo romance, Mistborn é uma trilogia que se eu pudesse daria de presente a qualquer bom leitor. Há outra série envolvendo Mistborn, uma era muitos anos à frente com novos personagens e novas explorações, portanto isoladas caso você seja o tipo de leitor que não curte muito histórias demasiadamente extensas. Se já veio a esse texto por ter lido os dois anteriores, ÓTIMO, vá sem medo! Agora se você chegou até aqui por ter interesse na obra, olha aqui pessoinha, corre que está apenas perdendo tempo!


Autor: Brandon Sanderson
Editora: Aleph
Páginas: 392
Classificação: 5/5 estrelas

Imagine uma desconstrução de tudo que você conhece quanto ao universo fictício de pessoas com superpoderes como vemos em quadrinhos da Marvel e DC Comics. Imagine uma realidade onde os super-humanos são corrompidos pelo poder de tal forma que as pessoas comuns são obrigadas a viver dentro de um contexto tirânico. É trabalhando sob essa perspectiva que Brandon Sanderson entrega um dos maiores livros juvenis dos últimos anos.

O primeiro mistério da obra já é jogado para o leitor teorizar logo de cara: a origem dos poderes. Acredita-se que esteja ligada a Calamidade, uma espécie de estrela de fogo no céu que ninguém sabe dizer qual é sua origem, embora haja várias teorias. Desde o seu surgimento, pessoas comuns passam a ter poderes dos mais variados e destrutivos. Os seres humanos afetados passam a serem nomeados de Épicos, se tornando tanto extremamente poderosos quanto tiranos e egocêntricos, deixando o resto da população à mercê de suas vontades e caprichos.
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Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Páginas: 440
Classificação: 5/5 estrelas

Maré Congelada começa exatamente a partir do ponto em que Primavera Rebelde termina, mas de uma forma ou de outra irei evitar spoilers para não estragar a surpresa de quem já leu. Devo dizer que estou muito contente com a autora, Morgan Rhodes. A saga se tornou mais uma das queridinhas de minha coleção. Fiquei com um pé atrás quando ela resolveu estender sua trilogia para quatro e, logo em seguida, seis livros, chegando a me preocupar de que cometesse os mesmos erros de Sarah J. Maas com Trono de Vidro, que embora eu não consiga largar por amar os personagens se perdeu muito em seu caminho de enrolações desnecessárias e reviravoltas amorosas forçadas. Felizmente Rhodes não perdeu a mão na sua escrita e entregou mais uma vez um livro maravilhoso que é mais do que uma simples fantasia para jovens adultos.
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Autora: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas:
416
Classificação:
5/5 estrelas

Talvez seja um consenso entre alguns leitores de que o primeiro volume da trilogia Lar da Srta Peregrine para Crianças Peculiares seja deveras introdutório e pouco explorado, mas se com Cidade dos Etéreos Ransom Riggs mostrou que vinha pra ficar, com o desfecho da saga, Biblioteca das Almas, o autor conseguiu concluir sua história satisfatoriamente. O que ele criou, embora com elementos comparáveis com outras mídias, foi uma nova fábula fantasiosa que tem arrebatado órfãos de sagas marcantes como Harry Potter e Percy Jackson, mas com uma peculiaridade característica que é toda sua.

O livro anterior termina com uma grande reviravolta na vida das crianças peculiares que corriam contra o tempo em busca de recuperar a Srta Peregrine e salvar as fendas do tempo e o mundo como elas conhecem. Começando exatamente do ponto onde terminou, fica nas mãos de Jacob, Emma e um querido personagem nesse capítulo final reverter a grande enrascada em que se meteram. Quem leu sabe como o desfecho de Cidade dos Etéreos é desconcertante para qualquer um que precisasse que aguardar pela continuação!

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