Aventura

Autora: Holly Black
Editora: Rocco 
Páginas:
 336
Classificação:
 4/5 estrelas

Alma Negra é a conclusão da trilogia Mestres da Maldição, que eu tinha em altas expectativas antes de lê-la já que a maravilhosa Holly Black assina a história. Um conselho? Não leia nada com altas expectativas.

Ela foi a paixão épica da minha infância. Foi a tragédia que me fez olhar dentro de mim mesmo e ver meu coração corrupto. Ela foi meu pecado e minha salvação.

Neste livro, após os acontecimentos em Gata branca e Luva vermelha, Cassel está decidido a deixar o passado de fora da lei para trás. Mas para isso tem que tomar decisões difíceis, como se afastar de seu grande amor, e reaprender a distinguir a linha tênue que separa o certo do errado, a verdade da mentira – mesmo com seu coração, e sua vida, correndo risco.

Durante todos os livros anteriores, vemos como Cassel precisou fazer decisões difíceis para salvar pessoas que amava, e basicamente o que percebemos neste último livro é que isso de pouco adiantou, não dá para salvar quem não quer ser salvo, e quem realmente precisará de ajuda dessa vez é Cassel porque entrou fundo em um ninho de cobras e basta um erro para ele estar morto.

Sinto que não sobrou nada. Não há vontade de lutar em mim.

Infelizmente, em suas primeiras cem páginas continuamos na mesma sintonia do livro anterior, mesmo que novos ingredientes sejam adicionados a trama. Fica até difícil apontar uma direção entre o círculo sem fim envolvendo o drama juvenil e o real suspense e aventura. O foco do protagonista está em se redimir e proteger Lila, declarar o quão profundo são seus sentimentos por ela, e eu não sei bem até agora como descrever esse relacionamento porque tudo, o laço entre eles, a antiga paixão, é apresentado ao leitor em memórias antigas dos personagens, eu vi pouco acontecer — mas quando as paixões inflaram, isso sim valeu a pena.

Na verdade, ainda estou escuro até com Cassel porque mesmo ao leitor não é dada a oportunidade de se aprofundar no personagem, então muitas vezes fiquei entre defini-lo como um idiota tapado ou herói, provavelmente nem Cassel saberia se definir.

Não é justo, eu tenho vontade de gritar para o universo. Dói demais, tenho vontade de gritar. Estou cansado de sentir dor.

E ainda que a autora una as pontas soltas, ela faz isso de uma forma tão embolada que fica difícil chegar a sensação de desfecho, Holly Black pecou muito em seu desenvolvimento, o que realmente vale a atenção do leitor e fez esse livro mais do que valer a pena é a história entre as linhas e capítulos, algo que tem menos a ver com ler e mais a ver com sentimentos durante a leitura, onde a autora mostra quão amargo pode ser crescer e quão impossível é escapar da dor de cada tomada de decisão difícil.

Por um lado, essa é uma trama sem grandes pretensões, nem sempre bem arquitetada, mas como todo livro de Holly Black, ela sempre acerta em algo, então nessa aventura não é sobre um final feliz mas sim quão complicado é chegar lá, e principalmente, não é sobre um protagonista que se torna herói, Cassel nem sequer está tentando ser um, é sobre estar vivo para o grande golpe.

Está na hora de ir com tudo, para um lado ou para outro. Está na hora de decidir no que quero acreditar.


Snow Like Ashes

Autora: Sara Raasch
Editora:  Balzer + Bray
Páginas: 416
Classificação: 5/5 estrelas

Uma menina com um coração quebrado. Um guerreiro feroz. Um herói em construção. Há dezesseis anos atrás, o Reino de Inverno foi conquistado e os seus cidadãos escravizados, deixando-os sem magia ou um monarca. Agora, a única esperança de libertação dos Winterianos são os oito sobreviventes que escaparam e que esperam pela oportunidade de roubar de volta a magia de Inverno e reconstruir o seu reino desde então.

Algum dia, seremos mais do que palavras na escuridão.

Órfão ainda criança durante a derrota de inverno, Meira viveu toda a sua vida como refugiada, criada pelo General dos Winterianos Sir.. Treinando para ser um guerreiro e perdidamente apaixonada por seu melhor amigo, e futuro rei, Mather — disposta a tudo para ajudar o seu rei a recuperar de volta o poder. Então, quando exploradores descobrem a localização do medalhão antigo que pode restaurar a magia de Inverno, Meira decide ir atrás ela mesma. Finalmente, ela está escalando torres, lutando contra soldados inimigos, e servindo o seu reino, assim como ela sempre sonhara. Mas a missão não saiu como planejada, e Meira logo se vê presa em um mundo de magia negra e política perigosa, e basicamente, percebe que o seu destino não é e nunca foi seu.

Não importa o que aconteça, não importa o que gira ao meu redor, não importa o que o poder que ele acha que tem sobre mim, ainda sou eu. Eu sempre serei eu.

Isto foi absolutamente ÉPICO! Minha nossa senhora das mocinhas órfãs! Eu amo Meira! Ela é a mistura entre força e fraqueza, mas de acordo com o que ela mesma diz: ela é forte o suficiente por si só e ainda assim muito fraca, mas isso não a impede um momento sequer nesse livro!

E as batalhas descritas e narradas nessa fantasia são de proporções épicas, a autora tem um enorme poder de escrita criativa, o mundo criado em Snow like Ashes é poético, é mítico e intenso, e tem um detalhe muito interessante nesse livro: há uma ausência de sexismo aqui, fato extremamente comum nas fantasias! As coisas são equilibradas, tanto no que diz respeito aos personagens quanto a construção do mundo. (Viva a igualdade dos sexos)

Eu sei que há coisas que você não está me dizendo. Grandes coisas… Sir, e eu vou descobrir. Só espero que o motivo seja bom o suficiente para que eu possa perdoá-lo.

Porém, preciso destacar dois pontos: aqui nada é o que parece, fiquem atentos aos detalhes, pois Sara escondeu algumas surpresas que vão te deixar de queixo caído. E existe um romance nesse livro e sim é um triângulo, mas acredite em mim, ele fica tão em segundo plano, que você nem se lembra de que há um luta por afeições *risos*. As ações se sobrepõem ao romance, eu garanto!

Os mocinhos dessa trama são absolutamente iguais e assim mesmo tão diferentes… Um protege demais, já o outro estimula e incentiva e, sim, eu tenho meu preferido! *suspira*

A ação e a tensão são constantes, o final é fechado e a batalha final é FANTÁSTICA por conta de uma grande revelação que nem eu soube de onde veio aquilo! Mas a explicação ficou tão perfeita e coesa que me vi parabenizando a autora mentalmente! Isso é só um pouco do que fez Snow like Ashes um dos três melhores livros que li em 2015. Sara, você me surpreendeu e eu recomendo muito o seu livro.

Mesmo as mais fortes nevascas começaram com um único floco de neve.


Autora: Deborah Harkness
Editora: Rocco
Páginas:
 560
Classificação:
5/5 estrelas

Eu quero começar essa resenha parafraseando Marcel Proust quando ele diz: “Gostamos de sair um pouco de nós mesmos, de viajar, quando lemos”. Ah, Deborah! Muito obrigado por me fazer sair de mim mesma em todas as vezes que estive imersa em cada um dos três livros dessa sua trilogia. Obrigado pelos personagens maravilhosos e os cenários incríveis aonde você me levou, do passado ao presente, do moderno ao clássico, da alegria ao choro, da raiva ao amor. Essa série é para mim a que tem o melhor nível de pesquisa que já encontrei, uma precisão dos detalhes assombrosa, de forma que você se sente verdadeiramente vivenciando a cena e os diálogos. Eu estou tão emocionada com o fim dessa série que nem sei se terei condições psicológicas de fazer essa resenha, mas vamos lá!

Os segredos, assim como os mortos, nem sempre permanecem enterrados.

Depois dos acontecimentos de Sombra da Noite, Diana Bishop e Matthew de Clairmont retornam ao presente para enfrentar as consequências de sua volta ao passado e velhos inimigos. Só que esse retorno traz mais surpresas do que Diana poderia imaginar e a verdadeira ameaça ao seu futuro ainda está para ser revelada e a busca pelo Ashmole 782 e suas páginas assume ainda mais urgência quando ela aparece.

Em seu volume final, Harkness traz o poder e a paixão, o sentido da palavra família e suas inquietações, ações passadas e suas consequências no presente. Através de casas ancestrais e laboratórios universitários, cruzando conhecimento antigo e ciência moderna, desde as montanhas do Auvergne aos palácios de Veneza, o casal finalmente aprende o que as bruxas descobriram tantos séculos atrás.

Logo de inicio eu tenho que avisar que em O Livro da Vida várias perguntas são respondidas e algumas não, mas não se aflijam pessoas! Talvez isso se deva ao fato de que autora deixou uma abertura para escritas futuras sobre esse universo, o que achei plausível, veja bem: existem livros que não merecem ou não tem conteúdo suficiente para expansão do seu universo, o que não se aplica aqui, Diana, Matthew e seus descendentes ainda têm muito por contar, as possibilidades são infinitas. *risos de felicidade*

Se você realmente ama alguém, você vai apreciar o que eles desprezam mais sobre si mesmos.

Novos e velhos (e apaixonantes eu diria) personagens surgem nesse livro, alguns estão definitivamente no meu coração para sempre, como Fernando, Gallowglass, Cris, Ysabeau, eu gostaria muito de ter/ler algo sobre Gallowglass, não apenas um livro, mas uma série completa! E os diálogos estão cada vez melhores! Eu amo cada vez mais os De Clairmont e sua “interessante” constituição familiar. *risos histéricos*

Diana tem que lidar com perdas, ganhos, e algumas batalhas internas. Eu particularmente fiquei muito feliz com o vinculo que ela tem com Philippe Clairmont, era algo que eu já suspeitava e veio a se concretizar de uma forma muito bonita e sagrada, Deborah nos mostrou o quanto esse personagem foi importante e decisivo para o futuro de sua família e da série, e os momentos em que ele apareceu foram emocionantes. *chora*

E por fim, quero que vocês me perdoem por não me aprofundar demais nos comentários, talvez porque eu mesma não consiga expressar o quanto estou tocada por esse livro e essa série, ao final eu senti uma enorme sensação de contentamento que a muito eu não sentia em minhas leituras. Nem preciso dizer que Deborah foi perfeita em sua escrita e narrativa e mais uma vez eu me curvo ao seu enorme talento. Espero ansiosamente no futuro ter um deslumbre dos Bishop-Clairmont e do fantástico mundo e personagens da trilogia All Souls novamente!

Eu vejo você, mesmo quando você se esconder do resto do mundo. Eu ouço você, mesmo quando você está em silêncio.


Autora: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas:
 608
Classificação:
 4/5 estrelas

Em qualquer lista de principais livros envolvendo fantasia épica, é quase uma lei Brandon Sanderson estar nela. O cara é bom, surpreende a cada livro e sempre deixa a sensação que pode ficar ainda melhor. Infelizmente, ele nunca recebeu a atenção merecida das editoras brasileiras.

Todo mundo me deixa. Quando você vai partir? Quando vai me deixar?

O império final é o primeiro de sua série Mistborn e os três primeiros formam a trilogia Nascidos da Bruma, que gira em torno de um grupo de skaa, as párias na sociedade apresentada por Sanderson, que desejam acabar com o Império do Senhor Soberano, um homem imortal que massacrou cada uma das revoltas anteriores, e dessa vez parece que não será diferente.

Kelsier, um ladrão bastardo, é conhecido como O Sobrevivente, ele escapou da pior prisão já construída pelo Senhor Sobeano, descobriu que é um Nascido da Bruma, e agora quer vingança. Seu plano é ousado e beira ao improvável, mas quando encontra em seu caminho uma garota de rua com certos dons e a capacidade de se tornar uma heroína, as chances mudam. Juntos, eles esperam fazer o impossível e acabar com um Deus.

A crença não é simplesmente uma coisa para os momentos felizes e os dias brilhantes, creio. O que é a crença, o que é a fé, se você não continuar com ela depois do fracasso? Qualquer um pode acreditar em alguém ou em alguma coisa que sempre tem sucesso, senhora. Mas o fracasso… ah sim, isso é difícil de se acreditar, certa e verdadeiramente. Difícil o bastante para ter valor, creio.

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Autora: Marissa Meyer
Editora: Rocco
Páginas:
496
Classificação:
5/5 estrelas
Essa resenha contêm spoilers. Altamente indicada para quem curte distopias e recontagens, você deve primeiro ler ESSA resenha se deseja conhecer mais sobre a série.

Cress é a prova que mesmo uma série boa ainda pode melhorar e a autora vem mostrando isso a cada livro, com um mais intenso do que o anterior, e terminei mais esse volume me perguntando se vou ter chão para ler Winter, o último livro de Crônicas Lunares.

Se eu soubesse, jamais teria ido embora. Teria encontrado um jeito de salvar você. Sinto muito.

Nessa nova etapa, nos aprofundamos em uma nova personagem, Cress, que há sete anos foi presa em uma satélite pela taumaturga Sybil, e desde então ela se tornou uma ferramenta nas mãos da rainha Lunar e vem ajudando-a em seu objetivo de invadir e dominar o planeta Terra.

Porém, com os últimos acontecimentos, Cress finalmente encontrou um objetivo próprio: ajudar Cinder e seus aliados a derrotar Levana. E com um ousado plano, a cascuda finalmente alcança a liberdade — ainda que o preço a pagar tenha sido enorme. Agora, ao lado de Cinder, elas vão começar uma guerra e nenhuma das garotas está disposta a desistir sem salvar àqueles que amam, e uma coisa é certa: ninguém vai sair dessa batalha ileso.

Não estamos no meio de uma guera, estamos no comecinho. E eu vou acabar com ela.

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Autora: Maureen Johnson
Editora: Rocco Fantástica 
Páginas:
 392
Classificação:
 3.5/5 estrelas

O Nome da Estrela é o primeiro livro de Sombras de Londres, série escrita por Maureen Johnson, que já conta com quatro livros confirmados (sim, todos acreditavam que seria uma trilogia, mas não é o caso). O livro é um thriller juvenil envolvendo uma série de assassinatos que possuem um toque de Jack, o Estripador, e uma garota vai entrar no caminho do assassino e será forçada a tentar resolver os crimes… ou morrer tentando.

Rory Deveaux é uma jovem americana que decide passar um ano em Londres e viver, quem sabe, um dos melhores anos de sua vida. Mas a expectativa é bem diferente da realidade e quando o mistério envolvendo diversos assassinatos se aproxima cada vez mais de seu colégio interno, Rory acaba frente a frente com o suspeito e torna-se a principal testemunha.
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