Aventura

Autora:  Marie Lu
Editora: Rocco
Páginas:
 304
Classificação:
4.5/5 estrelas

Me jogar de cabeça em uma leitura tão cultuada por leitores de todo canto, além de, para completar, prometer uma anti-heroína digna de Magneto (X-Men), não foi uma barreira muito grande de se ultrapassar, além daquele medinho no fundo do estômago de me decepcionar, é claro. Depois de ter devorado as páginas de Jovens de Elite, primeiro livro da trilogia que só agora está sendo publicada pela editora Rocco, gostaria de dizer que não estou nada bem com os meus sentimentos!

Eu sou Adelina Amouteru, os fantasmas sussurravam para meu pai, pronunciando meus pensamentos mais assustadores em um coro de vozes que gotejavam ódio. Meu ódio, Não pertenço a ninguém. Esta noite, juro me erguer acima de tudo o que você já me ensinou. Vou me tornar uma força que este mundo nunca conheceu. Terei tanto poder que ninguém ousará me machucar de novo.

O livro é o segundo trabalho de Marie Lu, autora da consideravelmente aclamada trilogia Legend, também publicada no Brasil pela Rocco. Confesso que por Legend nunca despertou muito meu interesse, mas para a nova investida de Lu eu estava contando os dias para o lançamento, e a espera valeu a pena.

(mais…)


Autora: Susan Ee
Editora: Verus
Páginas:
279
Classificação:
4/5 estrelas

O apocalipse chegou em A Queda dos Anjos. Seis semanas se passaram desde que os anjos do apocalipse desceram para acabar com o mundo moderno. Gangues de rua agora governam o dia, enquanto o medo permeia a noite. E quando uma garotinha é raptada pelos anjos, sua irmã Penryn não está disposta a se esconder e esquecer. Ela fará qualquer coisa para encontrar sua irmã, até mesmo um pacto com o inimigo.

É mais fácil dormir quando o diabo não está sussurrando toda a noite.

Raffe é um guerreiro que teve suas asas cortadas. Depois de séculos de luta, ele se encontra resgatado por uma garota morta de fome e logo o caminho de ambos se mesclam. Viajando através de uma sombria Califórnia, eles têm apenas um ao outro para sobreviver. E em São Francisco, na fortaleza dos anjos, ela arriscará tudo para salvar sua irmã enquanto Raffe ficará nas mãos de seus inimigos por uma chance de ter suas asas novamente.

Já beijei garotos antes. Ás vezes fica estranho depois, nunca desse jeito. Sempre achei o beijo gostoso e agradável, como sentir o aroma de rosas ou dar risadas num dia de verão. O que acabei de vivenciar com Raffe foi outra história. Foi uma fusão nuclear de amolecer os joelhos, revirar o estômago e formigar as veias, se comparado a outros beijos que já dei.

(mais…)


Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Arqueiro
Páginas:
368
Classificação:
3/5 estrelas

Tigana, de Guy Gavriel Kay, é o primeiro livro de uma duologia que propõe uma aventura cheia de camadas para o leitor desvendar. Antes publicado pela Saída de Emergência, o título agora faz parte da Arqueiro, editora do Grupo Sextante.

O fundo principal da história se baseia em sentimentos como o amor e o ódio extremos, a defesa dos valores e origens enraizadas dos personagens, retratando de forma bela e crua a busca de seus personagens pela vingança em nome de “Tigana”, que após sua derrota sumiu do mapa e apenas seus antigos habitantes lembram de sua existência e nome.

Aquilo durou desde aquela primeira noite por toda a primavera, e durante o começo do verão. O pecado dos deuses, como era chamado o que fizeram.

(mais…)


filha da floresta

Autora: Juliet Marillie
Editora: Butterfly
Páginas:
616
Classificação:
5/5 estrelas

Tenho que ser clichê e começar essa resenha informando que nada do que eu escrever será suficiente para explicar esse livro. Não só ele tem mais de seiscentas páginas como também tem um mundo todo novo para explicar, e já em suas primeiras páginas impressiona.

Se o senhor não acordar logo, perderá a nós todos, um por um.

A autora começa sua história relatando que se inspirou em um conto dos Irmãos Grimm, Os Seis Cisnes, para escrever a série Sevenwaters, que gira em torno de uma província de mesmo nome, um lugar onde os Seres da Floresta possuem forte presença e todos crescem ouvindo histórias sobre seus feitos e o perigo de se envolver com o Outro Mundo.

É nesse povoado que sete irmãos vivem e Sorcha, nossa protagonista, é a sétima filha de um sétimo filho com uma terrível tarefa pela frente. Com sua vida simples e de pequenas alegrias, ela cresceu para se tornar a curandeira entre os seus e protegida por todos os seus outros irmãos. Porém, quando uma maldição cai sobre eles, cabe a Sorcha lutar para salvar a todos. E, em uma batalha ancestral onde todos são peões nas mãos dos Seres da Floresta, ninguém vai sair ileso.

Para ilustrar melhor minha paixão e dificuldade para escrever sobre esse livro, vou confessar que o li assim que chegou em casa, na primeira metade do ano, mas ainda não estou pronta para passar tudo que senti, a loucura que foi para uma amante de fantasia encontrar algo tão bem elaborado e construído, e são livros como esse que me lembram porque amo tanto resenhar; não é só sobre contar uma história, para isso há milhares de sinopses por aí, e sim sobre como me senti e vivenciei essa história e passar toda essa gama de sentimentos para frente, com a esperança de que alguém também sinta o mesmo e se apaixone também.

Por que devo me modificar só para agradar a um homem? Se ele não gostar de mim como sou, que procure outra pessoa para se casar.

Filha da Floresta é um livro que transpira magia e a autora se mostrou uma contadora nata de historias do início ao fim, com uma capacidade de poucos para realmente te colocar dentro da trama, vivendo cada momento de paixão e desespero, muitas vezes me levando a euforia e, infelizmente, às lágrimas.  A escrita parece simples mas em retalhos algo grande é construído.

Entre lágrimas e risos, acompanhei a história de Sorcha, uma garota que precisou percorrer todo um caminho para se tornar o que estava predestinada a ser, e essa foi uma viagem além da idade ou experiência, onde uma criança perde a inocência e laços para lutar por aqueles que ama. Muitas vezes em formato de diário,  Sorcha relata o que aconteceu com ela, sua lenda, perdas e vitórias.

“Por que Sorcha? Por que justo ela tem de sofrer tanto? Ela é inocente e incapaz sequer de ter maus pensamentos. Por que deve fazer esse sacrifício por nós?”

“Porque ela é a mais forte. Porque ela se dobra com o vento, mas não se quebra.”

E ainda há os vários irmãos da protagonista, mas nenhum chama mais atenção que Connor e Finbar, cada um deles sábios de uma forma diferente, sobretudo Finbar com seu jeito introspectivo, seus segredos e a maldição do seu dom.

Juntos, eles ensinam uma lição ao leitor sobre perda, fraternidade e a realidade da vingança, de dar o troco quando já se perdeu algo que vingança alguma trará de volta. Essa é uma história que vai além dos contos bonitinhos, com uma lição para contar, e se aprofunda mais nos reais sacrifícios, o amor, as vitórias e, acima de tudo, a magia. E mesmo com essa avalanche de eventos, em momento algum a autora deixou de explorar cada nuance, e se foi difícil seguir em frente, isso simplesmente aconteceu porque, mesmo como leitora, ver alguém sofrer tanto e ser traída a cada passo não é fácil.

Ele não conseguiu encontrar as palavras corretas para se despedir. Hesitou. Deixou escapar a dor de sua alma e a feriu. Jurou que não a magoaria, mas magoou. Devia ter-lhe dito… devia ter dito… Não importa se você está aqui ou lá, pois sua imagem está em minha mente o tempo todo. Vejo-a na luz sobre a água, no balanço das árvores com o vento de primavera. Vejo-a na sombra dos grandes carvalhos e ouço a sua voz no pio das corujas à noite. Você é o sangue que corre em minhas veias e o bater do meu coração. É a primeira coisa que me vem à mente quando acordo e a última antes de eu adormecer. Você é… tudo o que sou, é o ar que eu respiro.

Ainda que seja uma ficção, sobre lendas, talvez sobre um passado que existiu, ou talvez sobre algo longe da realidade, seus personagens, suas dores e a sede por seguir em frente se tornaram reais a cada página, essa é a grande magia da leitura, e acreditar que em alguma parte do mundo existam pessoas com problemas diferentes, mas com a mesma coragem de, apesar de cada batalha, cada dor, que acreditam que é possível dar mais um passo e seguir em frente, traz um pouco de esperança.

Nada me preparou para Sevenwaters, e ainda que seja uma trama extensa, ela parece pequena para tudo o que ocorreu, é um dos poucos livros que posso dizer que vive em mim e não passará esquecido entre as centenas de outros que já li. Esse é um livro para inspirar, um livro que formará futuros escritores e ávidos leitores, porque como Harry Potter e outras tantas séries, a magia respira nessa história.

Você tem uma longa jornada pela frente. Não há tempo para chorar.


Autora: Holly Black
Editora: Rocco 
Páginas:
 336
Classificação:
 4/5 estrelas

Alma Negra é a conclusão da trilogia Mestres da Maldição, que eu tinha em altas expectativas antes de lê-la já que a maravilhosa Holly Black assina a história. Um conselho? Não leia nada com altas expectativas.

Ela foi a paixão épica da minha infância. Foi a tragédia que me fez olhar dentro de mim mesmo e ver meu coração corrupto. Ela foi meu pecado e minha salvação.

Neste livro, após os acontecimentos em Gata branca e Luva vermelha, Cassel está decidido a deixar o passado de fora da lei para trás. Mas para isso tem que tomar decisões difíceis, como se afastar de seu grande amor, e reaprender a distinguir a linha tênue que separa o certo do errado, a verdade da mentira – mesmo com seu coração, e sua vida, correndo risco.

Durante todos os livros anteriores, vemos como Cassel precisou fazer decisões difíceis para salvar pessoas que amava, e basicamente o que percebemos neste último livro é que isso de pouco adiantou, não dá para salvar quem não quer ser salvo, e quem realmente precisará de ajuda dessa vez é Cassel porque entrou fundo em um ninho de cobras e basta um erro para ele estar morto.

Sinto que não sobrou nada. Não há vontade de lutar em mim.

Infelizmente, em suas primeiras cem páginas continuamos na mesma sintonia do livro anterior, mesmo que novos ingredientes sejam adicionados a trama. Fica até difícil apontar uma direção entre o círculo sem fim envolvendo o drama juvenil e o real suspense e aventura. O foco do protagonista está em se redimir e proteger Lila, declarar o quão profundo são seus sentimentos por ela, e eu não sei bem até agora como descrever esse relacionamento porque tudo, o laço entre eles, a antiga paixão, é apresentado ao leitor em memórias antigas dos personagens, eu vi pouco acontecer — mas quando as paixões inflaram, isso sim valeu a pena.

Na verdade, ainda estou escuro até com Cassel porque mesmo ao leitor não é dada a oportunidade de se aprofundar no personagem, então muitas vezes fiquei entre defini-lo como um idiota tapado ou herói, provavelmente nem Cassel saberia se definir.

Não é justo, eu tenho vontade de gritar para o universo. Dói demais, tenho vontade de gritar. Estou cansado de sentir dor.

E ainda que a autora una as pontas soltas, ela faz isso de uma forma tão embolada que fica difícil chegar a sensação de desfecho, Holly Black pecou muito em seu desenvolvimento, o que realmente vale a atenção do leitor e fez esse livro mais do que valer a pena é a história entre as linhas e capítulos, algo que tem menos a ver com ler e mais a ver com sentimentos durante a leitura, onde a autora mostra quão amargo pode ser crescer e quão impossível é escapar da dor de cada tomada de decisão difícil.

Por um lado, essa é uma trama sem grandes pretensões, nem sempre bem arquitetada, mas como todo livro de Holly Black, ela sempre acerta em algo, então nessa aventura não é sobre um final feliz mas sim quão complicado é chegar lá, e principalmente, não é sobre um protagonista que se torna herói, Cassel nem sequer está tentando ser um, é sobre estar vivo para o grande golpe.

Está na hora de ir com tudo, para um lado ou para outro. Está na hora de decidir no que quero acreditar.


Snow Like Ashes

Autora: Sara Raasch
Editora:  Balzer + Bray
Páginas: 416
Classificação: 5/5 estrelas

Uma menina com um coração quebrado. Um guerreiro feroz. Um herói em construção. Há dezesseis anos atrás, o Reino de Inverno foi conquistado e os seus cidadãos escravizados, deixando-os sem magia ou um monarca. Agora, a única esperança de libertação dos Winterianos são os oito sobreviventes que escaparam e que esperam pela oportunidade de roubar de volta a magia de Inverno e reconstruir o seu reino desde então.

Algum dia, seremos mais do que palavras na escuridão.

Órfão ainda criança durante a derrota de inverno, Meira viveu toda a sua vida como refugiada, criada pelo General dos Winterianos Sir.. Treinando para ser um guerreiro e perdidamente apaixonada por seu melhor amigo, e futuro rei, Mather — disposta a tudo para ajudar o seu rei a recuperar de volta o poder. Então, quando exploradores descobrem a localização do medalhão antigo que pode restaurar a magia de Inverno, Meira decide ir atrás ela mesma. Finalmente, ela está escalando torres, lutando contra soldados inimigos, e servindo o seu reino, assim como ela sempre sonhara. Mas a missão não saiu como planejada, e Meira logo se vê presa em um mundo de magia negra e política perigosa, e basicamente, percebe que o seu destino não é e nunca foi seu.

Não importa o que aconteça, não importa o que gira ao meu redor, não importa o que o poder que ele acha que tem sobre mim, ainda sou eu. Eu sempre serei eu.

Isto foi absolutamente ÉPICO! Minha nossa senhora das mocinhas órfãs! Eu amo Meira! Ela é a mistura entre força e fraqueza, mas de acordo com o que ela mesma diz: ela é forte o suficiente por si só e ainda assim muito fraca, mas isso não a impede um momento sequer nesse livro!

E as batalhas descritas e narradas nessa fantasia são de proporções épicas, a autora tem um enorme poder de escrita criativa, o mundo criado em Snow like Ashes é poético, é mítico e intenso, e tem um detalhe muito interessante nesse livro: há uma ausência de sexismo aqui, fato extremamente comum nas fantasias! As coisas são equilibradas, tanto no que diz respeito aos personagens quanto a construção do mundo. (Viva a igualdade dos sexos)

Eu sei que há coisas que você não está me dizendo. Grandes coisas… Sir, e eu vou descobrir. Só espero que o motivo seja bom o suficiente para que eu possa perdoá-lo.

Porém, preciso destacar dois pontos: aqui nada é o que parece, fiquem atentos aos detalhes, pois Sara escondeu algumas surpresas que vão te deixar de queixo caído. E existe um romance nesse livro e sim é um triângulo, mas acredite em mim, ele fica tão em segundo plano, que você nem se lembra de que há um luta por afeições *risos*. As ações se sobrepõem ao romance, eu garanto!

Os mocinhos dessa trama são absolutamente iguais e assim mesmo tão diferentes… Um protege demais, já o outro estimula e incentiva e, sim, eu tenho meu preferido! *suspira*

A ação e a tensão são constantes, o final é fechado e a batalha final é FANTÁSTICA por conta de uma grande revelação que nem eu soube de onde veio aquilo! Mas a explicação ficou tão perfeita e coesa que me vi parabenizando a autora mentalmente! Isso é só um pouco do que fez Snow like Ashes um dos três melhores livros que li em 2015. Sara, você me surpreendeu e eu recomendo muito o seu livro.

Mesmo as mais fortes nevascas começaram com um único floco de neve.


EDITORAS & PARCEIROS

Copyright © 2016 Livros&Citações. Todos os direitos reservados
Notícias, resenhas e indicações de livros!