Aventura

Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
Páginas: 560
Classificação: 5/5 estrelas

Cassandra Clare é o poder! Para mim, beira ao absurdo a capacidade que essa mulher tem de reinventar e expandir o próprio universo sem andar em círculos ou parecer repetitiva. Estou há dois anos sem ler algo dela, desde o fim de Os Instrumentos Mortais e, confesso, tinha me esquecido da sensação maravilhosa que é viajar em meio as páginas da escrita fantástica de Clare e os seus Shadowhunters. Mas – pausa para respirar –, vamos em partes.

Dama da Meia-Noite é o primeiro volume que abre as portas para uma nova trilogia envolvendo os Caçadores das Sombras. Os Artifícios das Trevas narra a trajetória de Emma Carstairs e Julian Blackthorn, parabatais que nutrem uma amizade sem igual e que servem de apoio um para ao outro em meio aos desafios e fantasmas que possuem.

Emma correu pelas escadas. […] Ele preencheu a visão dela; era tudo que ela conseguia enxergar. Não só o Julian como estava agora, caminhando até ela no chão com o desenho do Anjo, mas Julian lhe entregando as lâminas serafim às quais dera um nome, Julian sempre lhe dando um cobertor quando ela sentia frio no carro, Julian diante dela na cidade do Silêncio, com fogo branco e dourado se elevando entre eles enquanto recitavam seus votos de parabatai.

Emma busca a verdade sobre a morte de seus pais após a Guerra que culminou em inúmeras transformações nas regras dos Shadowhunters, enquanto que Julian tem que se preocupar em cuidar de seus irmãos e do Instituto de Los Angeles, além de guardar a sete chaves um grande segredo. Em meio a tudo isso, assassinatos de seres humanos e fadas que possuem padrões semelhantes aos dos pais de Emma vão desencadear uma investigação que pode levá-la a explicação de toda a tragédia, mas nem sempre a verdade é o que queremos que ela seja.
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Autora:  Kendare Blake
Editora: Verus
Páginas:
 2524
Classificação:
4/5 estrelas

Cas é um caça-fantasma; ele é, literalmente, um matador de fantasmas. Com sua faca, ele aparece e os envia diretamente para onde quer que seja que eles vão. E Cas é uma das únicas pessoas que podem fazer isso, está em seu sangue. Sua última missão o conduz a Anna. Ela é um fantasma assustador que mata qualquer um que entre em sua casa. Cas é uma exceção, ela sabe que ele quer matá-la, mas ela não tem coragem de machucá-lo. E é assim que eles constroem seu relacionamento, embora seja de uma forma estranha e complicada.

Mover, caçar e matar. Como espuma, enxague e repita.

No fim das contas, a história familiar de Cas bate a sua porta com um serviço mortal dessa vez. E isso custará todas as habilidades que Cas possui juntamente com uma pequena ajuda de seus amigos para derrotar esta criatura de uma vez por todas.
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Autora:  Marie Lu
Editora: Rocco
Páginas:
 304
Classificação:
4.5/5 estrelas

Me jogar de cabeça em uma leitura tão cultuada por leitores de todo canto, além de, para completar, prometer uma anti-heroína digna de Magneto (X-Men), não foi uma barreira muito grande de se ultrapassar, além daquele medinho no fundo do estômago de me decepcionar, é claro. Depois de ter devorado as páginas de Jovens de Elite, primeiro livro da trilogia que só agora está sendo publicada pela editora Rocco, gostaria de dizer que não estou nada bem com os meus sentimentos!

Eu sou Adelina Amouteru, os fantasmas sussurravam para meu pai, pronunciando meus pensamentos mais assustadores em um coro de vozes que gotejavam ódio. Meu ódio, Não pertenço a ninguém. Esta noite, juro me erguer acima de tudo o que você já me ensinou. Vou me tornar uma força que este mundo nunca conheceu. Terei tanto poder que ninguém ousará me machucar de novo.

O livro é o segundo trabalho de Marie Lu, autora da consideravelmente aclamada trilogia Legend, também publicada no Brasil pela Rocco. Confesso que por Legend nunca despertou muito meu interesse, mas para a nova investida de Lu eu estava contando os dias para o lançamento, e a espera valeu a pena.

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Autora: Susan Ee
Editora: Verus
Páginas:
279
Classificação:
4/5 estrelas

O apocalipse chegou em A Queda dos Anjos. Seis semanas se passaram desde que os anjos do apocalipse desceram para acabar com o mundo moderno. Gangues de rua agora governam o dia, enquanto o medo permeia a noite. E quando uma garotinha é raptada pelos anjos, sua irmã Penryn não está disposta a se esconder e esquecer. Ela fará qualquer coisa para encontrar sua irmã, até mesmo um pacto com o inimigo.

É mais fácil dormir quando o diabo não está sussurrando toda a noite.

Raffe é um guerreiro que teve suas asas cortadas. Depois de séculos de luta, ele se encontra resgatado por uma garota morta de fome e logo o caminho de ambos se mesclam. Viajando através de uma sombria Califórnia, eles têm apenas um ao outro para sobreviver. E em São Francisco, na fortaleza dos anjos, ela arriscará tudo para salvar sua irmã enquanto Raffe ficará nas mãos de seus inimigos por uma chance de ter suas asas novamente.

Já beijei garotos antes. Ás vezes fica estranho depois, nunca desse jeito. Sempre achei o beijo gostoso e agradável, como sentir o aroma de rosas ou dar risadas num dia de verão. O que acabei de vivenciar com Raffe foi outra história. Foi uma fusão nuclear de amolecer os joelhos, revirar o estômago e formigar as veias, se comparado a outros beijos que já dei.

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Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Arqueiro
Páginas:
368
Classificação:
3/5 estrelas

Tigana, de Guy Gavriel Kay, é o primeiro livro de uma duologia que propõe uma aventura cheia de camadas para o leitor desvendar. Antes publicado pela Saída de Emergência, o título agora faz parte da Arqueiro, editora do Grupo Sextante.

O fundo principal da história se baseia em sentimentos como o amor e o ódio extremos, a defesa dos valores e origens enraizadas dos personagens, retratando de forma bela e crua a busca de seus personagens pela vingança em nome de “Tigana”, que após sua derrota sumiu do mapa e apenas seus antigos habitantes lembram de sua existência e nome.

Aquilo durou desde aquela primeira noite por toda a primavera, e durante o começo do verão. O pecado dos deuses, como era chamado o que fizeram.

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filha da floresta

Autora: Juliet Marillie
Editora: Butterfly
Páginas:
616
Classificação:
5/5 estrelas

Tenho que ser clichê e começar essa resenha informando que nada do que eu escrever será suficiente para explicar esse livro. Não só ele tem mais de seiscentas páginas como também tem um mundo todo novo para explicar, e já em suas primeiras páginas impressiona.

Se o senhor não acordar logo, perderá a nós todos, um por um.

A autora começa sua história relatando que se inspirou em um conto dos Irmãos Grimm, Os Seis Cisnes, para escrever a série Sevenwaters, que gira em torno de uma província de mesmo nome, um lugar onde os Seres da Floresta possuem forte presença e todos crescem ouvindo histórias sobre seus feitos e o perigo de se envolver com o Outro Mundo.

É nesse povoado que sete irmãos vivem e Sorcha, nossa protagonista, é a sétima filha de um sétimo filho com uma terrível tarefa pela frente. Com sua vida simples e de pequenas alegrias, ela cresceu para se tornar a curandeira entre os seus e protegida por todos os seus outros irmãos. Porém, quando uma maldição cai sobre eles, cabe a Sorcha lutar para salvar a todos. E, em uma batalha ancestral onde todos são peões nas mãos dos Seres da Floresta, ninguém vai sair ileso.

Para ilustrar melhor minha paixão e dificuldade para escrever sobre esse livro, vou confessar que o li assim que chegou em casa, na primeira metade do ano, mas ainda não estou pronta para passar tudo que senti, a loucura que foi para uma amante de fantasia encontrar algo tão bem elaborado e construído, e são livros como esse que me lembram porque amo tanto resenhar; não é só sobre contar uma história, para isso há milhares de sinopses por aí, e sim sobre como me senti e vivenciei essa história e passar toda essa gama de sentimentos para frente, com a esperança de que alguém também sinta o mesmo e se apaixone também.

Por que devo me modificar só para agradar a um homem? Se ele não gostar de mim como sou, que procure outra pessoa para se casar.

Filha da Floresta é um livro que transpira magia e a autora se mostrou uma contadora nata de historias do início ao fim, com uma capacidade de poucos para realmente te colocar dentro da trama, vivendo cada momento de paixão e desespero, muitas vezes me levando a euforia e, infelizmente, às lágrimas.  A escrita parece simples mas em retalhos algo grande é construído.

Entre lágrimas e risos, acompanhei a história de Sorcha, uma garota que precisou percorrer todo um caminho para se tornar o que estava predestinada a ser, e essa foi uma viagem além da idade ou experiência, onde uma criança perde a inocência e laços para lutar por aqueles que ama. Muitas vezes em formato de diário,  Sorcha relata o que aconteceu com ela, sua lenda, perdas e vitórias.

“Por que Sorcha? Por que justo ela tem de sofrer tanto? Ela é inocente e incapaz sequer de ter maus pensamentos. Por que deve fazer esse sacrifício por nós?”

“Porque ela é a mais forte. Porque ela se dobra com o vento, mas não se quebra.”

E ainda há os vários irmãos da protagonista, mas nenhum chama mais atenção que Connor e Finbar, cada um deles sábios de uma forma diferente, sobretudo Finbar com seu jeito introspectivo, seus segredos e a maldição do seu dom.

Juntos, eles ensinam uma lição ao leitor sobre perda, fraternidade e a realidade da vingança, de dar o troco quando já se perdeu algo que vingança alguma trará de volta. Essa é uma história que vai além dos contos bonitinhos, com uma lição para contar, e se aprofunda mais nos reais sacrifícios, o amor, as vitórias e, acima de tudo, a magia. E mesmo com essa avalanche de eventos, em momento algum a autora deixou de explorar cada nuance, e se foi difícil seguir em frente, isso simplesmente aconteceu porque, mesmo como leitora, ver alguém sofrer tanto e ser traída a cada passo não é fácil.

Ele não conseguiu encontrar as palavras corretas para se despedir. Hesitou. Deixou escapar a dor de sua alma e a feriu. Jurou que não a magoaria, mas magoou. Devia ter-lhe dito… devia ter dito… Não importa se você está aqui ou lá, pois sua imagem está em minha mente o tempo todo. Vejo-a na luz sobre a água, no balanço das árvores com o vento de primavera. Vejo-a na sombra dos grandes carvalhos e ouço a sua voz no pio das corujas à noite. Você é o sangue que corre em minhas veias e o bater do meu coração. É a primeira coisa que me vem à mente quando acordo e a última antes de eu adormecer. Você é… tudo o que sou, é o ar que eu respiro.

Ainda que seja uma ficção, sobre lendas, talvez sobre um passado que existiu, ou talvez sobre algo longe da realidade, seus personagens, suas dores e a sede por seguir em frente se tornaram reais a cada página, essa é a grande magia da leitura, e acreditar que em alguma parte do mundo existam pessoas com problemas diferentes, mas com a mesma coragem de, apesar de cada batalha, cada dor, que acreditam que é possível dar mais um passo e seguir em frente, traz um pouco de esperança.

Nada me preparou para Sevenwaters, e ainda que seja uma trama extensa, ela parece pequena para tudo o que ocorreu, é um dos poucos livros que posso dizer que vive em mim e não passará esquecido entre as centenas de outros que já li. Esse é um livro para inspirar, um livro que formará futuros escritores e ávidos leitores, porque como Harry Potter e outras tantas séries, a magia respira nessa história.

Você tem uma longa jornada pela frente. Não há tempo para chorar.


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