5 estrelas

Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas:
688
Classificação:
5/5 estrelas

De tempos em tempos qualquer leitor necessita de um autor que abale suas estruturas e traga um novo fôlego para o ardor de sua paixão literária. No meu caso, encontrei além do necessário em Brandon Sanderson. Autor de diversas séries, várias delas publicadas no Brasil por diferentes editoras, o conheci com a trilogia Mistborn que me arrebatou por inteiro desde o seu prólogo. É com grande euforia que hoje falo sobre o terceiro e último volume dessa paixão. Ah, e sem spoilers ou grandes revelações não só de Herói das Eras, quanto da série como um todo.

“Se estiverem lendo isso, contudo, eu falhei. Ou seja, estou morto.”

No primeiro volume Brandon subverteu o clichê das grandes obras de fantasias em diversos pontos, mesmo que em sua raiz muita coisa seja bebida de seus antecessores do gênero. Digo isso pela criatividade que ele traz na condução de sua narrativa e sua habilidade de nos enganar. E assim perdurou durante três livros: o autor avisando, jogando na cara que determinada coisa aconteceria, e ainda assim você é surpreendido quando acontece. O crescimento da trama é magnífico, sendo que pequenos detalhes lá do começo acabam por ser de suma importância no futuro. Vamos combinar que poucos são os escritores que conseguem escrever uma série literária qual consiga somar qualidade e o fechamento de pontas soltas, além de ser um exemplo de planejamento de escrita.

Em Herói das Eras os protagonistas estão lidando com, sem tirar nem por, o fatídico fim do mundo, grande parte devido aos acontecimentos ocorridos no final do segundo volume, no Poço da Ascenção. Se lá posso garantir que você vá ficar sem fôlego, no fechamento da trilogia o seu coração fica na mão em tempo integral. Elend e Vin cresceram de forma gigantesca! De jovem erudito e uma garota conturbada a Imperador e Imperatriz, a evolução desses e outros personagens é algo inquestionável.

Precisa haver equilíbrio, Vin. Vamos encontra-lo de algum jeito. O equilíbrio entre quem desejamos ser e quem precisamos ser.  –  Ele suspirou – Mas, por ora – ele disse, meneando a cabeça – , precisamos apenas estar satisfeitos com quem somos.

 A história divide os personagens em capítulos em diversos pontos do Novo Império, antigo Império Final, para que no clímax tudo se encaixe de forma que o leitor não espera. Tanto nos detalhes desses diferentes núcleos (sendo que cada trecho deve ser lido com bastante atenção) quanto em passagens dos livros anteriores que muitos de nós julgávamos sem importância. OreSeur, Fantasma, Sazed e muitos outros; não consigo expressar o quão gratificante é terminar o livro e sentir que foram todos desenvolvidos em uma jornada fechada e bem equilibrada, trazendo cada ato na medida certa.

As duas últimas partes do livro são frenéticas. Não vou mentir, é soco atrás de soco no estômago. É aperto no peito, desespero e lágrimas a cada virar de página. MEU DEUS! Certo acontecimento logo no final me desestabilizou de tal forma que a dor sentida foi tão pesada como se fosse algo real o ocorrido e não ficção. A revelação de quem é o verdadeiro (a) Herói (Heroína) das Eras então, você fica se questionando como nunca pensou naquilo antes porque, pasmem, FAZ TODO SENTIDO!

Vin o olhou nos olhos, e eles voltaram a dançar. Não falaram nada, simplesmente deixaram a maravilha do momento embalá-los. Era uma experiência surreal para Vin. Tinham um exército postado lá fora, as cinzas caíam sem descanso e as brumas tiravam vidas. Ainda assim, dentro daquele salão de mármore branco e cores reluzentes, ela dançava com o homem que amava pela primeira vez.

O sistema de magia e os elementos de criação do mundo são um show a parte. Se no começo eu me sentia confuso com os fundamentos de conceitos como Alomancia e Feruquemia, agora já podem me trazer um diploma de “Formado em Mistborn”, embora haja muito a ser explorado. É tudo tão intricado, até mesmo o “vilão” Ruína, pra mim é mais como a personificação de uma força da natureza em forma de deus seguindo a sua essência de destruição.

Aliás, Mistborn faz parte de um universo maior idealizado pelo autor, a Cosmere, onde outras várias séries do autor se passam uma em cada planeta com suas características, culturas e mitologias que regem suas tramas. Mas isso é assunto para um futuro artigo especial para que possam compreender melhor. Fico devendo, mas um dia sai!

Posso dizer, sem sombra de dúvida, que tudo se encaixa em três ótimos livros que você lê em pouco tempo, devido ao seu ritmo ao mesmo tempo enxuto e bem escrito, não devendo nada a outras grandes obras do gênero e maleável o suficiente para ser lido por qualquer pessoa de qualquer idade (acima dos 13 anos, claro). Brandon é muito bom em quantidade e qualidade, já que escreve uma média de três livros por ano.

Épico em todos os sentidos, envolvendo aventura, política, fantasia e até mesmo romance, Mistborn é uma trilogia que se eu pudesse daria de presente a qualquer bom leitor. Há outra série envolvendo Mistborn, uma era muitos anos à frente com novos personagens e novas explorações, portanto isoladas caso você seja o tipo de leitor que não curte muito histórias demasiadamente extensas. Se já veio a esse texto por ter lido os dois anteriores, ÓTIMO, vá sem medo! Agora se você chegou até aqui por ter interesse na obra, olha aqui pessoinha, corre que está apenas perdendo tempo!


Autor: Brandon Sanderson
Editora: Aleph
Páginas: 392
Classificação: 5/5 estrelas

Imagine uma desconstrução de tudo que você conhece quanto ao universo fictício de pessoas com superpoderes como vemos em quadrinhos da Marvel e DC Comics. Imagine uma realidade onde os super-humanos são corrompidos pelo poder de tal forma que as pessoas comuns são obrigadas a viver dentro de um contexto tirânico. É trabalhando sob essa perspectiva que Brandon Sanderson entrega um dos maiores livros juvenis dos últimos anos.

O primeiro mistério da obra já é jogado para o leitor teorizar logo de cara: a origem dos poderes. Acredita-se que esteja ligada a Calamidade, uma espécie de estrela de fogo no céu que ninguém sabe dizer qual é sua origem, embora haja várias teorias. Desde o seu surgimento, pessoas comuns passam a ter poderes dos mais variados e destrutivos. Os seres humanos afetados passam a serem nomeados de Épicos, se tornando tanto extremamente poderosos quanto tiranos e egocêntricos, deixando o resto da população à mercê de suas vontades e caprichos.
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Autora: Morgan Rhodes
Editora: Seguinte
Páginas: 440
Classificação: 5/5 estrelas

Maré Congelada começa exatamente a partir do ponto em que Primavera Rebelde termina, mas de uma forma ou de outra irei evitar spoilers para não estragar a surpresa de quem já leu. Devo dizer que estou muito contente com a autora, Morgan Rhodes. A saga se tornou mais uma das queridinhas de minha coleção. Fiquei com um pé atrás quando ela resolveu estender sua trilogia para quatro e, logo em seguida, seis livros, chegando a me preocupar de que cometesse os mesmos erros de Sarah J. Maas com Trono de Vidro, que embora eu não consiga largar por amar os personagens se perdeu muito em seu caminho de enrolações desnecessárias e reviravoltas amorosas forçadas. Felizmente Rhodes não perdeu a mão na sua escrita e entregou mais uma vez um livro maravilhoso que é mais do que uma simples fantasia para jovens adultos.
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Autora: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas:
416
Classificação:
5/5 estrelas

Talvez seja um consenso entre alguns leitores de que o primeiro volume da trilogia Lar da Srta Peregrine para Crianças Peculiares seja deveras introdutório e pouco explorado, mas se com Cidade dos Etéreos Ransom Riggs mostrou que vinha pra ficar, com o desfecho da saga, Biblioteca das Almas, o autor conseguiu concluir sua história satisfatoriamente. O que ele criou, embora com elementos comparáveis com outras mídias, foi uma nova fábula fantasiosa que tem arrebatado órfãos de sagas marcantes como Harry Potter e Percy Jackson, mas com uma peculiaridade característica que é toda sua.

O livro anterior termina com uma grande reviravolta na vida das crianças peculiares que corriam contra o tempo em busca de recuperar a Srta Peregrine e salvar as fendas do tempo e o mundo como elas conhecem. Começando exatamente do ponto onde terminou, fica nas mãos de Jacob, Emma e um querido personagem nesse capítulo final reverter a grande enrascada em que se meteram. Quem leu sabe como o desfecho de Cidade dos Etéreos é desconcertante para qualquer um que precisasse que aguardar pela continuação!

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Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Páginas:
368
Classificação:
5/5 estrelas

Lincoln é funcionário da área de TI de um jornal, e sua função, dentre outras coisas, é monitorar um programa que filtra e-mails que fugiriam da política da empresa, isso ainda na virada do ano entre 1999 para o 2000. Através desses e-mails ele conhece duas amigas, que sempre caem no filtro de conversas indevidas, mas Lincoln desde o início não vê problemas nas conversas das duas amigas, que falam mais da vida pessoal, problemas no relacionamento, caras fofos da empresa, família, do que do trabalho em si.

As amigas em questão são Jennifer, uma revisora, casada e que passa por uma pressão do seu marido para engravidar, algo que a coloca em um dilema. E Beth, uma resenhista de filmes o trabalho dos meus sonhos para o jornal, que possui um relacionamento estável com Chris, um rockeiro de uma banda de sucesso local, e aparentemente está feliz com a vida que leva.

O que é interessante, é que o leitor consegue construir uma personalidade para cada uma delas usando só conversas por e-mail, algo que é difícil de se fazer, já vi outros livros contados por e-mail onde ao chegar no final você não conseguia construir aquele personagem como uma pessoa real, aqui não, Rainbow consegue trazer as amigas a vida.

<> Acho que estou grávida.
<> O que? Por que você acha que está grávida?
<> Eu tomei três drinques sábado passado
<> Acho que precisamos ter uma conversa sobra a cegonha. Não é exatamente assim que acontece.

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Carry On surgiu pela primeira vez em um trabalho anterior de Rainbow Rowell, Fangirl, sendo uma ficção dentro da ficção. O título é sugestivo, mas basicamente Fangirl tem como foco uma personagem fanática por uma série de livros de um bruxo chamado Simon Snow, e desde que começou a publicar na internet fanfics com os personagens da obra original, Cath acaba ganhando muita popularidade entre os fãs do original (aliás, recomendo muito a leitura de Fangirl <3). No ano passado, então, Rainbow resolveu dar forma a um livro que mesclaria esses dois lados de Carry On retratados no livro anterior, mas de forma independente. Ou seja: não é uma continuação de Fangirl, sendo Carry On – A Queda e Ascenção de Simon Snow o desfecho que a autora acreditou que os personagens, até então duplamente fictícios, mereciam, os transportando para um livro só deles e se enveredando em um caminho não percorrido por ela até então: o da fantasia.

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Simon Snow é um bruxo que estuda numa escola de magia na Inglaterra. Profecias dizem que ele é o Escolhido. Você pode até estar pensando que já conhece uma história parecida. O que você não sabe é que Simon Snow é o pior escolhido que alguém já escolheu. Poderosíssimo, mas desastroso a ponto de não conseguir controlar sequer sua própria varinha, Simon está tendo um ano difícil na Escola de Magia de Watford. Seu mentor o evita, sua namorada termina com ele e uma entidade sinistra ronda por aí usando seu rosto. Para piorar, seu antagonista e colega de quarto, Baz, está desaparecido, provavelmente maquinando algum plano insano a fim de derrotá-lo. Carry on é uma história de fantasmas, amor e mistério. Tem todos os beijos e diálogos que se pode esperar de uma história de Rainbow Rowell, mas com muito, muito mais monstros.

Você deve aprender a se proteger sozinho, Simon, e quanto antes, melhor. Ele é a nossa maior ameaça. E você é a nossa maior esperança.

Meu santo Raziel, há tempos que eu não me via tão envolvido com um livro, embora tenha lido ótimos neste último ano. Rowell definitivamente tem o dom de prender seus leitores do começo ao fim de suas histórias. Carry On começa cheio de mistérios, e em suas primeiras páginas pode enganar parecendo só mais um universo genérico de uma fantasia com magia, mas logo percebe-se que é proposital e que a história se mantém por si só, sendo desenvolvida, imagino eu, com muito carinho, carinho esse que somente alguém muito apaixonado (a) por escrever poderia criar.

Simon e Baz são personagens extremamente apaixonantes e diferentes um do outro. Na primeira parte (de quatro) do livro, Baz não aparece, então a imagem que o leitor cria dele surge apenas com base no que o outro diz (coisas horríveis, vale mencionar). Simon é um menino impetuoso, com as expectativas das pessoas ao seu redor sempre focadas nele. Embora hoje tenha encontrado o seu lugar na Escola de Magia, com uma grande amiga, uma namorada (blergh) e até mesmo um rival (<3), o garoto tem um passado triste que no decorrer do livro é explorado, e é chave para muitas respostas.

Falar de Baz sem dar spoilers seria praticamente impossível, então vou resumir dizendo que, po**a, melhor personagem do livro! Que humor mordaz! Que personalidade e sentimentos bem construídos. Seja ele bom ou ruim, ficou no meu coração.

É sempre fogo com Baz. Eu não acredito que ele ainda não me incinerou. Ou me queimou numa estaca.

Os personagens secundários também são bem legais, com destaque para a divertida Penélope, a típica garota alternativa e autêntica que você gostaria de andar no recreio. O Mago, diretor da instituição também foi um bom personagem, mas achei pouco explorado. Enquanto isso, Agatha foi uma personagem que detestei, principalmente da metade do livro em diante. Namorada de Simon até então, até consegui compreender os seus dilemas, mas a forma que ela lida com as coisas é lamentável.

A narrativa é intercalada entre vários personagens. Geralmente esse método me deixa com mais vontade de ler na voz de alguns personagens no que de outros, mas todas as perspectivas colaboram para a história como um todo. Isso contribui para ter uma visão ampla de vários pontos e atitudes tomadas no decorrer da trama.

O sistema de Magia é um pouco simples, mas ainda assim legal, com verbalização de frases que, não sei se foi pela tradução/adaptação, são bem nonsenses. Além de bruxos, Carry On flerta com muitos outros seres fantásticos do nosso imaginário, como vampiros, fadas e ogros.

– Eu não sou o escolhido – diz ele

– Eu te escolho – digo – Simon Snow, eu escolho você.

Carry On é mais um dos grandes achados que fico feliz por encontrar frequentemente por aí. Recomendo para qualquer pessoa que goste de uma leitura divertida e ao mesmo tempo sensível. E, além disso, que goste de sofrer todo o tempo torcendo para que os protagonistas se deem conta dos sentimentos de um pelo outro! HUhahaha

O livro termina com um gostinho de quero mais, e se depender de Rainbow Rowell teremos outra vez o sabor dessa história. A autora disse em entrevista que provavelmente publicará uma continuação, então resta ficar no aguardo e torcer para não ser trouxa como fomos com Eleanor & Park, já que um segundo livro nunca saiu do papel. De todo mundo, vocês já sabem que devem terminar essa resenha correndo em busca do livro. Boa leitura. <3

 

Simon serelepe


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